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Crianças desaparecidas eram obrigadas a vender doces e pedir dinheiro no ES

Meninos de 8, 12 e 14 anos - sendo dois irmãos e um primo - vendiam doces nas ruas. Garotos foram localizados após denúncia

Tempo de leitura: 3min
Cachoeiro de Itapemirim / Rede Gazeta
Publicado em 24/05/2022 às 10h15
Atualizado em 24/05/2022 às 13h42
Crianças desaparecidas há cerca de um ano são encontradas no Sul do ES
Doces vendidos pelas crianças e dobraduras feitas pela equipe do K9. Crédito: Divulgação | Equipe do K9

Os três garotos que estavam desaparecidos há cerca de um ano e que foram resgatados na sexta-feira (20) e no sábado (21) - um em Marataízes e as outros dois em Piúma, ambos municípios no Litoral Sul do Estado - ajudavam a embalar e eram obrigados a vender doces nas ruas. 

O caso foi descoberto após uma denúncia anônima de trabalho infantil. Ao repórter Caio Dias, da TV Gazeta Sul, o secretário Municipal de Segurança de Marataízes, Anderson Gouveia, disse que além de vender doces, as crianças pediam dinheiro em bares pelas ruas do município. 

ADVOGADO DIZ QUE MÃES FUGIRAM COM AS CRIANÇAS

Os pais dos meninos – de 12, 14 e 8 anos – haviam conquistado na Justiça a guarda dos filhos, mas as mães fugiram de Cachoeiro, segundo o advogado que representa os pais, Caio Zampirolli de Souza, com os filhos para o litoral. “Eles moravam em uma quitinete, apertados. As mães, que são irmãs, fabricavam os doces e os dois maiores vendiam. O menor ajudava a embalar”, contou o advogado.

Uma terceira pessoa também ajudava na produção, segundo informações da Guarda Municipal. Doces vendidos pelas crianças foram apreendidos no momento do resgate das crianças pela Guarda Civil de Marataízes.

Em conversa com a reportagem de A Gazeta, uma agente da Guarda Civil de Marataízes — que participou da ação e pediu para não ter o nome divulgado — contou que as mães das crianças estão envolvidas em uma série de golpes aplicados em Cachoeiro de Itapemirim. Procurada pela reportagem, a Polícia Civil não informou o que aconteceu com as mães das vítimas. Para não identificar as crianças e o adolescente, os nomes dos pais não estão sendo divulgados na matéria.

O CASO

O caso foi descoberto após uma denúncia de que uma criança estava sendo explorada na venda de doces. Na última sexta-feira (20), uma mulher, localizada pela Guarda com um dos meninos que vendia o produto, foi levada para a delegacia de plantão em Itapemirim, onde a criança também foi apresentada.

Na delegacia, o menino relatou que outros dois meninos estavam em uma residência no município de Piúma. Foi realizado contato com o pai da criança, que compareceu ao local. Ele identificou o menor de idade como o filho dele desaparecido há cerca de um ano.

De acordo com o registro da ocorrência, o pai contou que o outro filho dele, também menor de idade, estaria na mesma situação. Além disso, teria uma outra criança desaparecida.

Após todos os fatos terem sido esclarecidos pela Polícia Civil, as crianças foram localizadas e entregues aos responsáveis legais, segundo a Guarda Municipal. 

O QUE DIZ A POLÍCIA CIVIL 

Procurada pela reportagem, a Polícia Civil enviou informações disponibilizadas pelo titular da Delegacia Regional de Itapemirim, delegado Djalma Pereira Lemos. De acordo com o delegado, na sexta-feira (20), foram apresentados na delegacia uma mulher de 23 anos e um menino de 12 anos, identificado como sobrinho da apresentada.

“Após a autoridade policial ouvir as partes, adotou a decisão de convidar o pai do adolescente, o qual já estava de posse do Termo Judicial de modificação liminar de guarda do filho, e este foi reintegrado à posse do pai”, diz a nota.

Segundo a Polícia Civil, não houve autuação da mulher, pois o adolescente, supostamente vítima de sequestro, se encontrava com a mãe e em companhia da tia.

Sobre a denúncia de trabalho infantil, a polícia disse que o fato estará sendo objeto de investigação, pois devido ao horário da apresentação das partes e não havendo o crime de sequestro ou cárcere privado, se entendeu que será necessário uma investigação.

O caso segue sob investigação da Delegacia de Marataízes, onde caberá ao delegado titular tomar as medidas que entender mais adequada para apuração dos fatos.

Quanto aos fatos de sequestro e cárcere privado, não existe qualquer medida judicial em desfavor da conduzida, sendo esta ouvida e liberada.

Atualização

24 de Maio de 2022 às 13:30

A Polícia Civil enviou nota sobre o caso. O texto foi atualizado. 

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