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Esquema criminoso

Como o PCV comprava armas legalizadas pagando até R$ 70 mil por fuzil

Apreensão do armamento foi pontapé inicial para descoberta de grupo que fornecia material para a maior facção criminosa do Estado; quatro pessoas foram presas

Publicado em 14 de Março de 2023 às 19:12

Júlia Afonso

Publicado em 

14 mar 2023 às 19:12
Armamento e munições apreendidas pela Polícia Civil durante operação em Guarapari
Armamemento e munições apreendidas pela Polícia Civil durante operação em Guarapari Crédito: Polícia Civil
Maior organização criminosa do Espírito Santo, o Primeiro Comando de Vitória (PCV) tem muito dinheiro em caixa, utilizado para "investimentos" na própria facção. Exemplo disso foi a compra de um fuzil por R$ 70 mil, direto de um "fornecedor" legalizado. Assim, a arma de alto poder destrutivo entrou para o arsenal do tráfico sem nenhuma restrição.
O esquema foi descoberto e quatro pessoas foram presas, na última sexta-feira (10). O resultado da operação, encabeçada pela Delegacia Especializada de Armas e Munições (Desarme), foi divulgado nesta terça-feira (14).

Como tudo começou

O fuzil foi comprado por um homem que possui Certificado de Registro de Atirador (CAC), integrante de um grupo criminoso de Guarapari com ligação direta com o PCV. Com a arma legal em mãos, foi hora de fazer a negociação com o tráfico.
De acordo com a polícia, outro integrante do grupo que era responsável por fazer esse "meio de campo" com os traficantes. Eles fecharam no valor de R$ 70 mil e entregaram a arma para criminosos do PCV localizados em Vitória.
Como o PCV comprava armas legalizadas pagando até R$ 70 mil por fuzil
Depois disso, as investigações mostraram que o fuzil foi parar nas mãos de traficantes de Vila Velha.

Confronto e descoberta

Há cerca de sete meses, traficantes rivais entraram em confronto. A Polícia Militar foi acionada e o fuzil 5,56 acabou apreendido. As características da arma chamaram atenção dos policiais da Desarme, que começaram a procurar a origem dela.
Após puxarem a numeração do fuzil, eles descobriram que pertencia a alguém com CAC. Junto ao Exército, os policiais conseguiram descobrir quem era o "dono" da arma.

Simulação de furto

Quando acharam o dono, os policiais descobriram também um registro feito pelo proprietário, dizendo que a arma havia sido furtada.
Após investigações, os agentes viram que, na verdade, o furto era uma simulação. Isso porque, vira e mexe, órgãos de fiscalização dão "incertas" em quem tem CAC, e a pessoa precisa justificar a ausência de qualquer arma. Com o registro, o dono poderia explicar a razão da arma não estar mais com ele. Foi a partir daí que a Desarme começou a rastrear e chegou no grupo de Guarapari.
"Ele viu que deu certo (a venda por R$ 70 mil) e passou a querer vender munições de 5,56, vendeu acessórios e estava fazendo tratativas para vender um fuzil 7,62. Ele conseguiu mais armas para o acervo e estava negociando para comprar mais. No momento, não temos como garantir que ele chegou a vender outras armas", ressaltou o delegado Daniel Belchior, titular da Desarme.

Até pedras preciosas

Na operação da sexta, além dos presos, a polícia apreendeu armas e munições. Outro item chamou mais atenção: pedras preciosas. Elas vão passar por perícia para identificar de qual tipo são e qual o valor delas.

Acesso facilitado, mais armas na rua

Segundo o delegado, nos últimos meses mais armas estão chegando nas mãos de criminosos.
"A gente teve a facilitação do acesso às armas e isso acaba influenciando também na quantidade de armas que acaba indo parar na mão do tráfico. A gente tem hoje duas formas de conseguir arma: oficinas caseiras ou desvio de arma de fogo. Com a facilitação do acesso às armas de forma legal, a gente identifica a atuação do tráfico em aliciar pessoas que adquirem essa permissão para comprar arma legalmente e repassar essa arma para o tráfico", ponderou Belchior.

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