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Contradições, investigação e prisão

Como a polícia descobriu que desaparecimento de cuidadora foi um feminicídio em Castelo

Inicialmente desaparecida em 4 de janeiro, Luciene Galdino foi, na verdade, morta, e teve o corpo encontrado em uma lagoa 20 dias depois. Namorado dela está preso, sendo o principal suspeito pelo crime; entenda a história

Publicado em 19 de Maio de 2026 às 18:14

Nayra Loureiro

Publicado em 

19 mai 2026 às 18:14

Vestígios de sangue revelados com o uso de substância fluorescente, análises de DNA, imagens de câmeras e até registros de acesso ao Facebook foram fundamentais para que a Polícia Civil chegasse ao produtor rural de 58 anos preso por suspeita de matar a cuidadora de idosos Luciene Galdino, de 34 anos, em Castelo, na Região Serrana do Espírito Santo. O nome dele não foi divulgado. 


O caso começou a ser investigado em janeiro deste ano como desaparecimento, após Luciene sumir depois de passar a virada do ano na casa do namorado, em Castelo. O corpo dela foi encontrado cerca de 20 dias depois em um lago de uma pedreira abandonada em Itaoca Pedra, em Cachoeiro de Itapemirim, dentro de um saco agrícola com duas pedras de aproximadamente 20 quilos.


Segundo a Polícia Civil, a investigação passou a tratar o caso como feminicídio após os investigadores concluírem que o suspeito mentiu ao afirmar que havia levado a vítima para casa no dia do desaparecimento.

Sangue no quarto do suspeito

Residência do suspeito onde foram feitas buscas após o desaparecimento de Luciene Galdino, em Castelo PCES/Divulgação

De acordo com o delegado Estêvão Oggione, titular da Delegacia de Castelo, uma das principais provas surgiu durante a perícia realizada na casa do investigado com uso do bluestar, substância utilizada para identificar vestígios de sangue, mesmo após tentativas de limpeza. “O bluestar foi utilizado na casa inteira, principalmente no quarto do casal, e foi detectado vestígio de sangue latente”, afirmou.


Segundo o delegado, o material foi recolhido e encaminhado para exames de DNA. "No sangue encontrado na casa, em uma das amostras que estava no rejunte do quarto, deu positivo para DNA da vítima, dentro do quarto da casa dele, onde o crime ocorreu", disse.


Vestígios também apareceram na porta e no chão do mesmo cômodo. Além do sangue encontrado na residência, objetos deixados na casa da vítima também ajudaram a reforçar a investigação. “No dia em que ele alegou ter levado ela em casa, ele deixou algumas coisas dela lá. Deixou uma mochila, um cordão e uma blusa. Quando entramos na casa e verificamos os acessórios, estavam todos com sangue”, contou Estêvão Oggione.

O que é o bluestar

O perito Regis Farani, do Departamento de Perícias Externas da Polícia Científica, explicou que o bluestar reage na presença de componentes metálicos encontrados no sangue. “Na presença de sangue, por conta do excesso de hemoglobina, ela gera uma luz azulada, uma luminescência bem característica, que foi encontrada no quarto do acusado”, explicou.


Segundo ele, o produto provoca uma reação química que permite identificar vestígios invisíveis a olho nu. “É uma reação química. Ela vai acontecer naturalmente quando você aplica a solução. Na presença de um metal, ou de componentes como a hemoglobina do sangue, essa reação acontece tão rápido que o produto passa a ter uma energia maior do que deveria. Então ele libera essa energia em forma de quimioluminescência”, detalhou.

Versão desmentida

Outro ponto considerado decisivo pela investigação foi a análise de imagens de videomonitoramento. Segundo a Polícia Civil, o suspeito alegou que levou Luciene para casa no dia 4 de janeiro, após os dois passarem a noite juntos. Ele afirmou ainda que os dois teriam terminado o relacionamento naquela data.


No entanto, as imagens e os depoimentos reunidos pela polícia apontaram outra versão. “O principal elemento que deu início a tudo foi o fato de ele ter ido sozinho até a casa dela”, afirmou o delegado.


As gravações mostram o carro do suspeito chegando à residência da vítima e deixando o local cerca de 40 minutos depois. “A câmera não mostra exatamente quem estava dentro do veículo, mas temos também prova testemunhal”, disse Estêvão Oggione.


Segundo o delegado, uma vizinha esteve no imóvel na manhã seguinte e relatou que a casa estava intacta, sem sinais de que Luciene tivesse retornado. “Conseguimos provar de forma objetiva que ele foi sozinho até a residência para forjar um álibi”, afirmou.

Investigação em redes sociais

As provas telemáticas também foram importantes para a polícia concluir que Luciene não saiu da casa do suspeito.“Descobrimos que o último registro de conexão do celular dela ocorreu na estação rádio-base da região da casa dele”, explicou o delegado.


A análise dos acessos da conta da vítima em redes sociais apontou o mesmo caminho. “Através também do número de IP do Facebook dela, verificamos que o último acesso foi realizado pelo Wi-Fi da casa dele”, afirmou.


Segundo a polícia, os elementos reunidos permitiram concluir que a cuidadora foi morta na residência do investigado.

Corpo encontrado em lagoa

Luciene Galdino, usando o cordão em que polícia encontrou vestígios de sangue após desaparecimento PCES/Divulgação

O corpo de Luciene foi encontrado dentro de um saco agrícola submerso em um lago de pedreira abandonado em Itaoca Pedra, distrito de Cachoeiro. “Ela foi encontrada com duas pedras de cerca de 20 quilos cada uma, o que nos levou a concluir que realmente havia ocultação de cadáver”, afirmou Estêvão Oggione.


Por causa do avançado estado de decomposição, a identificação precisou ser feita por exame odontológico. “A arcada dentária dela estava preservada. A família forneceu radiografias antigas e foi feita a comparação”, explicou o delegado.

Preso após depor 

O delegado também explicou que o suspeito foi preso dentro da própria Delegacia de Castelo após comparecer para prestar depoimento em outro procedimento no qual figurava como testemunha.


Segundo o delegado, os policiais chegaram a ir até a residência do investigado, mas ele conseguiu fugir ao perceber a presença das equipes. “Quando chegamos, a namorada dele informou que ele não estava em casa. Como não queríamos gerar alarde, porque também tínhamos um mandado de busca para cumprir, nos afastamos”, disse.


A Polícia Civil descobriu depois que o suspeito realmente estava na residência naquele momento.  No dia seguinte, o homem compareceu espontaneamente à delegacia para prestar depoimento sobre o outro caso e acabou preso. “Assim que colhemos o depoimento dele, demos voz de prisão e cumprimos a determinação judicial”, afirmou Estêvão Oggione.


Segundo o delegado, os policiais chegaram a ir até a residência do investigado, mas ele conseguiu fugir ao perceber a presença das equipes.“Quando chegamos, a namorada dele informou que ele não estava em casa. Como não queríamos gerar alarde, porque também tínhamos um mandado de busca para cumprir, nos afastamos”, disse.


A Polícia Civil descobriu depois que o suspeito realmente estava na residência naquele momento. No dia seguinte, o homem compareceu espontaneamente à delegacia para prestar depoimento sobre o outro caso e acabou preso. “Assim que colhemos o depoimento dele, demos voz de prisão e cumprimos a determinação judicial”, afirmou Estêvão Oggione.

Investigação aponta feminicídio

A principal linha de investigação é de que o crime tenha sido motivado por ciúmes e suspeita de traição. Segundo a polícia, o investigado possui extensa ficha criminal por crimes patrimoniais e já havia registros anteriores de violência doméstica.


“Concluímos também que já havia histórico de violência doméstica praticada por ele, tanto contra a Luciene quanto contra uma ex-companheira. Existe boletim de ocorrência relatando perseguição armada contra uma ex em uma cidade vizinha”, disse Estêvão Oggione.


O suspeito foi preso temporariamente no último dia 14 e deve responder por feminicídio, ocultação de cadáver e fraude processual. A Polícia Civil informou que ainda apura se outras pessoas participaram da ocultação do corpo. “Muito provavelmente ele não fez isso sozinho”, finalizou o delegado.

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