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Feminicídio

Corpo de cuidadora foi jogado em lagoa de Cachoeiro em sacos com pedras de 20 kg

Saco contendo o cadáver de Luciene Galdino foi avistado por pescador cerca de 20 dias após desaparecimento ser registrado no dia 4 de janeiro deste ano

Publicado em 19 de Maio de 2026 às 17:25

Caroline Freitas

Publicado em 

19 mai 2026 às 17:25

Após ser assassinada, a cuidadora de idosos Luciene Galdino, de 34 anos, teve seu corpo colocado em um saco agrícola, junto a duas pedras com aproximadamente 20 quilos, e foi atirada no lago de uma pedreira abandonada, em Itaoca Pedra, distrito de Cachoeiro de Itapemirim.


O corpo foi localizado cerca de 20 dias após o desaparecimento da vítima, em janeiro deste ano, quando o saco foi visto por um pescador, que acionou a polícia. O cadáver já se encontrava em estado avançado de decomposição, e a identificação da vítima só foi possível devido à arcada dentária preservada.


Luciene havia desaparecido em 4 de janeiro deste ano, após seguir para a casa do namorado, um produtor agrícola de 58 anos, agora preso como principal suspeito. Foi a irmã da vítima quem procurou a polícia após o sumiço da cuidadora. Ela chegou a procurar o namorado de Luciene, que disse desconhecer seu paradeiro.

Luciene Galdino usando o cordão em que polícia encontrou vestígios de sangue dela após o desaparecimento PCES/Divulgação

Enquanto o caso ainda era investigado como desaparecimento, ele alegou, em depoimento à Polícia Civil, que havia deixado Luciene em casa e que havia terminado o relacionamento em virtude de um desentendimento, conforme explicou o titular da Delegacia de Polícia (DP) de Castelo, delegado Estêvão Oggione, em entrevista coletiva nesta terça-feira (19).


“Ele alegou que estava tudo bem, que eles estavam bebendo, festejando e que nada teria acontecido (na casa dele). Relatou ainda que teria ocorrido um episódio em que ela teria puxado uma faca para ele, talvez por suspeita de traição, e que teria dito que, se ele a traísse, ela cortaria o saco dele. Ele alegou que dormiu em quarto separado naquela noite, que a madrugada passou normalmente, e que teria levado ela em casa e terminado o relacionamento. Alegou também que não sabia do paradeiro do celular dela", detalhou.


Imagens registradas por câmeras de segurança de fato mostram o produtor rural indo até a casa da vítima em um carro no dia 4 de janeiro e, cerca de 40 minutos depois, mostram o mesmo veículo deixando o local, com as janelas fechadas. Mas, ao contrário do que foi dito pelo suspeito, investigações apontaram que ele estava sozinho no momento em que se dirigiu à residência de Luciene.


“A investigação começou, foram tomados depoimentos dele e de alguns familiares para entender como era a relação entre eles. Foi feita uma busca na casa dele, em que foi utilizado o bluestar pela Polícia Científica, principalmente no quarto do casal, e foi detectado vestígio de sangue latente".

Residência do suspeito onde foram feitas buscas após o desaparecimento de Luciene Galdino, em Castelo PCES/Divulgação

Outras testemunhas foram ouvidas, e a polícia retornou à casa da vítima, onde encontrou acessórios deixados no imóvel pelo suspeito, como uma mochila e um cordão. Após perícia, também foram encontrados vestígios de sangue nos objetos.


Devido ao estado de decomposição do corpo no momento em que foi encontrado, ainda não foi possível esclarecer como Luciane foi morta; entretanto, a polícia investiga a possibilidade de o suspeito ter sido ajudado por outra pessoa.


“Apesar de já termos muitos elementos sobre a autoria, representamos pela prisão temporária dele, válida por 30 dias, porque ainda temos diligências imprescindíveis para concluir o inquérito. Precisamos aguardar alguns laudos, desenvolver outras linhas investigativas e apurar quem ajudou na ocultação do cadáver. Muito provavelmente ele não fez isso sozinho".

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