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Chacina da Ilha: adolescente de 17 anos é apreendido pela Polícia Civil

Em setembro de 2020 quatro jovens foram mortos na  Ilha Doutor Américo Bernardes, em Vitória. Eles foram confundidos com integrantes de um grupo criminoso

Publicado em 13/02/2021 às 13h15
Atualizado em 13/02/2021 às 13h15
Perícia da Polícia Civil volta à Ilha do Américo, em Santo Antônio, em Vitória, local onde ocorreu a chacina que resultou na morte de quatro homens
Ilha do Américo, em Vitória, foi cenário de um crime bárbaro. Crédito: Fernando Madeira

Um adolescente, de 17 anos, foi apreendido na noite desta sexta-feira (12) em uma ação da equipe da Superintendência de Polícia Interestadual e de Capturas (Supic). Contra ele havia um mandado de busca e apreensão, por envolvimento no crime que ficou conhecido como Chacina da Ilha, ocorrido em 28 de setembro de 2020, em Vitória.

Nesta sexta, o serviço de inteligência da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vitória, que investigou o caso, obteve informações sobre o paradeiro do adolescente. Imediatamente, estas informações foram compartilhadas com a equipe da Supic que estava em campo e realizou a apreensão do menor. Ele estava no bairro Presidente Medice, em Cariacica.

O adolescente foi encaminhado ao Centro Integrado de Atendimento Socioeducativo (Ciase).

O inquérito que investigou o crime foi concluído em novembro de 2020 e seis pessoas foram identificadas como autoras, sendo quatro maiores e dois adolescentes. 

Quatro jovens foram mortos na Ilha Doutor Américo Bernardes, em Vitória, em setembro. Todos eram amigos e foram, inicialmente, confundidos com integrantes de um grupo criminoso. Mas mesmo após avisados de que não se tratava de membros do grupo rival, os assassinos cometeram o crime.

Um outro adolescente de 17 anos também já foi apreendido por participação na execução, no início de fevereiro.

UM SUSPEITO ESTÁ FORAGIDO

Agora, apenas um suspeito se encontra foragido. Ele é identificado como Victor Bertholini Fernandes, de 19 anos. Há um mandado de prisão em aberto contra ele. Informações sobre seu paradeiro podem ser passadas à polícia de forma anônima, por meio do Disque Denúncia 181, ou pelo site disquedenuncia181.es.gov.br.

Victor Bertholini Fernandes, vulgo Vitinho, apontado pela polícia como um dos autores da chacina em Santo Antônio
Victor Bertholini Fernandes, vulgo Vitinho. Crédito: Divulgação/Polícia Civil

A CHACINA

Uma conversa mal-entendida foi a causa da ligação que terminou com a chacina na Ilha Doutor Américo Bernardes. 

A Polícia Civil investigou e, na conclusão do inquérito apontou que jovens de Santo Antônio se encontraram com outros dois de Cariacica na ilha. Eles estariam no local buscando lazer com consumo de cerveja e maconha. Em um determinado momento, as vítimas até conversaram com os dois jovens, pedindo seda para uso de maconha, material que foi compartilhado por eles.

Depois disso, os grupos se separaram no local. Foi aí que tiveram início os fatos que causaram a chacina. Os jovens de Santo Antônio começaram a conversar e um dos jovens de Cariacica, ouvindo o assunto, deduziu que eles seriam de uma facção criminosa de Vitória, rival do tráfico de Porto de Santana.

“Neste momento, ele ligou para Felipe Domingos Lopes, o Boizão, liderança do tráfico em Porto de Santana, que se juntou com mais quatro indivíduos que pegaram um barco e saíram em direção à ilha. Quando chegaram lá, desembarcaram e já tinham a informação de que as vítimas estavam desarmadas, o local onde estavam e que poderiam pertencer a essa facção de Vitória”, disse o delegado Marcelo Cavalcanti.

No local, apenas três das seis vítimas foram rendidas. Isso porque os outros três tinham ido a Santo Antônio buscar cerveja e drogas para consumo. No entanto, ao voltarem, os jovens também foram rendidos. Segundo o delegado, eles foram ameaçados e subjugados por pelo menos 30 minutos.

Durante a ação, um dos autores ligou para uma pessoa do celular de uma das vítimas, para perguntar quem seriam e se teriam envolvimento com a facção criminosa. De acordo com as investigações, a pessoa que atendeu o telefone negou que os jovens tivessem ligação com alguma organização. E mesmo de posse dessa informação, os jovens foram executados.

“Mesmo assim, tendo essa negativa, foram feitos os vídeos que foram divulgados, e o Felipe Boizão resolveu executar as vítimas, sendo seguido pelos outros quatro, com exceção do Adriano, que não atirou, pois tinha certeza que as vítimas não eram envolvidas”, disse o delegado. “Esse fato é comprovado pela perícia, pois ele estava com uma arma de calibre 9mm e nenhuma cápsula desse tipo foi encontrada no local”, completou.

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