Os casos de violência em distribuidoras de bebidas acendem alerta no Espírito Santo. Em uma semana, a reportagem de A Gazeta registrou ao menos três casos de crimes nesses estabelecimentos, que resultaram na morte de três homens e deixaram duas mulheres feridas.
O caso mais recente ocorreu na quarta-feira (21), em Santa Mônica, Vila Velha, Thiago El Khory Rocha de 28 anos foi morto a facadas após uma discussão em uma distribuidora de bebidas. Gabriel Silva Paiva, de 38 anos, apontado como autor do crime, foi preso.
Segundo testemunhas, os dois passaram o dia consumindo bebidas alcoólicas no estabelecimento. Em determinado momento, Gabriel teria assediado uma atendente, e Thiago interveio para defender a mulher.
Os dois começaram a discutir e, ainda conforme os relatos, Gabriel teria ido até a própria casa, buscado uma faca e retornado ao estabelecimento, onde esfaqueou Thiago.
Na terça-feira (20), Victor Willians Martins Rangel e Igor dos Santos foram mortos a tiros em frente a uma distribuidora de bebidas no bairro em Carapina Grande, na Serra. Testemunhas relataram à Polícia Militar que os suspeitos passaram pelo local em um carro verde e efetuaram mais de 50 disparos.
A perícia identificou múltiplas perfurações nos corpos das vítimas e indícios de que pelo menos três armas diferentes foram utilizadas no ataque, incluindo um fuzil.
O veículo utilizado pelos criminosos foi encontrado em Central Carapina, no bairro vizinho. À Polícia Militar, o motorista contou que havia acabado de realizar uma corrida na região quando foi abordado por cerca de sete homens encapuzados.
Segundo o relato, grupo o levou até uma residência e informou que utilizaria o carro. O motorista afirmou que permaneceu no imóvel por um período de 30 minutos a uma hora, antes de ser levado até um terreno baldio e liberado.
Já no sábado (17), uma briga em uma distribuidora de bebidas no bairro Vila Palestina, em Cariacica, terminou em um ataque a tiros. Duas funcionárias ficaram feridas, uma durante a confusão e outra atingida por um disparo.
Segundo uma testemunha, a discussão ocorreu entre uma funcionária, de 24 anos, e um grupo de amigos, formado por cinco clientes. Durante a confusão, uma adolescente de 15 anos e o namorado terial agredido a trabalhadora com socos na cabeça. A Polícia Militar constatou um inchado na região.
Após a intervenção de outra pessoa, o casal deixou o estabelecimento com os amigos. Cerca de dez minutos depois, segundo a testemunha, o namorado da adolescente retornou em uma motocicleta, acompanhado de outro integrante do grupo. A placa do veículo estaria encoberta por uma sacola.
Cinco disparos foram efetuados contra o estabelecimento. Uma segunda funcionária foi atingida na região da cintura e sofreu um ferimento superficial.
Para o especialista em segurança pública Rusley Medeiros, as características das regiões onde funcionam as distribuidoras podem influenciar a ocorrência de crimes. Em entrevista ao repórter Diony Silva, da TV Gazeta, ele explicou que esses estabelecimentos podem se tornar pontos de encontro de grupos envolvidos em conflitos locais.
"Quando nós falamos de distribuidoras, por exemplo, são cenários de tráfico de drogas e homicídios porque existem conflitos que ocorrem naquelas regiões, e esses espaços são locais que reunem grupos rivais e por conta disso há geração do crime", disse.
O especialista ressaltou que o contexto de cada localidade também interfere na dinâmica da violência.
"O ambiente vai interferir na forma com que o crime acontece, na dinâmica que um crime acontece e quem são as vítimas desses crimes", finalizou
Municípios da Grande Vitória estabelecem regras para o funcionamento de distribuidoras de bebidas, com restrições de horário e de utilização de mesas e cadeiras nas calçadas. As exigências variam conforme a legislação de cada cidade.
Em Viana, a legislação municipal entrou em vigor em 2025. Desde então, 30 estabelecimentos foram notificados por irregularidades, segundo o secretário municipal de Defesa Social e Trânsito, Enoni Erlacher.
"Nós emitimos, em 2025, quatro autos de infração, com multas que passam de quatro mil reais. Se for reincidente, dobra essa multa. Nós fechamos um estabelecimento, isso tudo em 2025. Já em 2026, nas novas fiscalizações, a gente emitiu dois autos de infração", disse.
Em outra fiscalização no município, realizada em um estabelecimento que também funcionava como mercearia, foram identificados indícios de tráfico de drogas. A Polícia Civil foi acionada e realizou uma investigação.
"A Polícia Civil fez investigação, cumpriu um mandado de busca e apreensão junto aqui com a Guarda Municipal, e a gente detectou ali drogas, dinheiro. Então, esse proprietário também foi fechado e também foi indiciado por associação ao tráfico de drogas", relatou o secretário.
*Com informações da TV Gazeta