Uma discussão de trânsito ocorrida em 2025 teria motivado o assassinato de Marcelo Souza Cavalcante, de 44 anos, morto a tiros enquanto dirigia uma picape no bairro Riviera da Barra, em Vila Velha, em maio deste ano. Segundo a Polícia Civil, Aliph Santos da Silva, de 20 anos, que havia sido agredido pela vítima durante a confusão, decidiu se vingar e contou com a participação do próprio pai, Jailton Santos da Silva, de 41 anos, para cometer o crime. Os dois foram indiciados por homicídio e estão presos preventivamente.
As investigações foram concluídas pela Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, e o resultado foi divulgado à imprensa nesta terça-feira (1º).
Segundo o delegado adjunto da unidade, Adriano Fernandes, a desavença começou em julho do ano passado, após uma discussão de trânsito. De acordo com a investigação, Marcelo atravessava uma faixa de pedestres quando Aliph, que estava em uma bicicleta elétrica, quase o atingiu. Os dois discutiram, e a situação evoluiu para agressões. Na ocasião, Aliph ficou ferido, precisou ser hospitalizado e passou por uma cirurgia.
Um termo circunstanciado foi registrado contra Marcelo por causa do episódio. Segundo a investigação, Aliph considerou insuficiente a consequência jurídica da agressão e decidiu se vingar. “Ele achou pouco a sanção que o Estado poderia dar para a vítima e resolveu fazer justiça com as próprias mãos. Não é nem justiça com as próprias mãos, porque isso não é justiça. Ele quis se vingar daquilo que teria sofrido”, afirmou Adriano Fernandes.
Marcelo foi assassinado no dia 29 de maio deste ano. Segundo a Polícia Civil, ele morava no bairro Alvorada e havia ido à casa de um primo, na região de Riviera da Barra, para soltar pipa. Quando retornava para casa pela Estrada Ayrton Senna da Silva, foi surpreendido pelos ocupantes de duas motocicletas e atingido por vários disparos.
O crime aconteceu por volta das 18h45. Marcelo dirigia uma Fiat Strada e morreu no local. Outro homem que estava nas proximidades e se aproximou após ouvir os tiros acabou baleado no pé e precisou ser socorrido.
As primeiras apurações permitiram identificar, por meio de imagens e do cerco eletrônico, uma das motocicletas utilizadas no ataque. Segundo o delegado, o veículo pertencia a Aliph, mas estava em posse de Jailton no dia do crime.
Jailton foi conduzido à DHPP e autuado em flagrante. Aliph também foi ouvido, mas acabou liberado naquele primeiro momento porque, conforme a Polícia Civil, ainda não havia elementos suficientes para atribuir a ele participação no homicídio.
A investigação avançou com a identificação de uma segunda motocicleta que aparecia nas imagens. A placa estava parcialmente coberta com fita adesiva, o que dificultou inicialmente a identificação do veículo.
Após rastrear a moto, os investigadores descobriram que ela também havia sido adquirida por Aliph. Conforme a apuração, cerca de uma semana depois do assassinato, ele repassou o veículo a outra pessoa, que ficaria responsável apenas pelo pagamento das prestações restantes.
Segundo a Polícia Civil, ao descobrir que o novo proprietário seria chamado para depor, Aliph foi até a casa dele e o ameaçou para que não revelasse que havia recebido a motocicleta do investigado. “Quando tomou conhecimento de que esse cara que estava com a posse da moto iria à delegacia prestar depoimento, ele foi até a casa dessa testemunha e o ameaçou, dizendo para ele não contar que teria repassado essa moto”, relatou o delegado.
Para a investigação, a ameaça foi uma tentativa de esconder a ligação de Aliph com a motocicleta utilizada no assassinato. Imagens analisadas pela polícia também mostraram as duas motos juntas no dia anterior ao crime.
Segundo a DHPP, Jailton pilotava uma das motocicletas utilizadas no crime. Na segunda moto estava um condutor que ainda não foi identificado e, na garupa, conforme a investigação, estava Aliph. Testemunhas disseram à polícia que o autor dos disparos estava sem capacete e apresentava características físicas semelhantes às de Aliph.
A DHPP reuniu esses relatos a outros elementos obtidos durante a investigação, entre eles as imagens das motocicletas, a relação dos veículos com Aliph, a motivação apontada para o assassinato e a ameaça feita à testemunha. “Todos esses elementos juntos, a equipe de investigação conseguiu trazer elementos suficientes para imputar a eles dois a participação nesse crime”, afirmou Adriano Fernandes.
Pai e filho negaram participação no assassinato. Segundo a Polícia Civil, os elementos reunidos durante a investigação foram suficientes para indiciar Aliph Santos da Silva e Jailton Santos da Silva por homicídio. Os dois estão presos preventivamente.
A investigação continua para identificar o homem que, segundo a polícia, conduzia a segunda motocicleta utilizada no ataque.