Uma aposentada de 57 anos disse ter sido atingida na cabeça com uma bala de borracha durante uma confusão entre policiais militares e moradores no bairro Santana, Cariacica, na noite de domingo (25). As imagens (veja acima) mostram a mulher com a cabeça machucada e sangrando, além de muita confusão. Ela precisou levar sete pontos na cabeça.
Segundo o relato da aposentada, ela estava na praça do bairro ajudando as sobrinhas que vendem cachorro-quente na região e tem um pula-pula. Por volta das 17h, chegaram ao local vários carros com som alto.
De acordo com testemunhas, a Polícia Militar foi acionada por conta do barulho e pediu aos donos dos veículos que desligassem. Inicialmente, eles acataram as ordens dos militares, mas, logo depois, voltaram a ligar o carro com som alto, dando início a confusão com os policiais.
A aposentada contou à repórter Priciele Venturini, da TV Gazeta, que na hora do tumulto, foi, junto com as sobrinhas, tentar desmontar o pula-pula, momento que a bala de borracha a atingiu.
"Pelo que senti, foi tiro de borracha. Na hora do zumbido que deu no meu ouvido, não tinha nada de garrafa, até porque não tinha estiraço de vidro nenhum. Pedi socorro aos policiais, disse que era irmão de militar e eles não fizeram nada. Minha indignação é essa. Me senti um nada. Não quiseram nem saber."
Procurada, a Polícia Militar informou que foi ao bairro averiguar um evento clandestino que estava acontecendo na praça. Ao chegar no local, as equipes visualizaram diversas pessoas aglomeradas em torno de veículos com som ligado.
“No primeiro momento, foi feito contato com os proprietários dos carros para que desligassem o som e desobstruíssem a praça. Quando os policiais saíram do local, foram disparados na praça, foguetes e rojões, com o intuito de intimidar as equipes da Força Tática. Foi realizado o patrulhamento ao entorno da praça e os militares desembarcaram das viaturas para tentar abordar os indivíduos que soltavam os rojões”, disse a PM por meio de nota.
Ainda segundo a PM, a partir desse momento, estes suspeitos arremessaram garrafas e pedras da direção dos militares e das viaturas, atingindo moradores e os próprios militares da ocorrência. Foi necessário a utilização de equipamento não letal para cessar a agressão, pois alguns dos indivíduos envolvidos no fato, foram em direção aos policiais que conduziam as viaturas, jogando garrafas quebradas com o intuito de lesioná-los.
“Após o fato a desta clandestina foi encerrada. Posteriormente, os policiais foram informados que duas pessoas deram entrada no Pronto Atendimento de Alto Lage com lesões que relataram terem sofrido durante o evento clandestino na praça”, esclareceu.
No entanto, a aposentada informou que os policiais souberam no local que ela havia ficado ferida, mas não ajudaram.
"Ainda mais uma entidade que admiro, até porque minha família é praticamente toda militar. Então, fiquei muito decepcionada pelo fato da minha família ser militar e eu ser atingida por uma colega de farda deles e no momento nem me socorreram. A dor é mais forte porque achei que estava morrendo, era muito sangue. Foi uma coisa horrorosa. No momento não penso nem em voltar, mas a gente precisa trabalhar"
Questionada novamente sobre a afirmação da aposentada, a Polícia Militar não respondeu.
A Prefeitura de Cariacica, por meio da Secretaria de Cultura, disse que não recebeu nenhum pedido relacionado ao desfile de bloco no bairro Santana. No domingo (25), a prefeitura autorizou apenas os blocos do bairro Bela Vista e Jardim Campo Grande, que contaram com o apoio da Guarda Municipal, Polícia Militar e equipes de trânsito.
Já a Polícia Civil disse que não localizou acionamento para o Departamento Especializado de Homicídios e Proteção à Pessoa (DEHPP) no local informado ou conduzidos à Delegacia referente ao fato.
Com informações de Priciele Venturini, da TV Gazeta.