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Mutirão

Vila Velha: prefeitura apaga recados de traficantes em muros e postes

A ação aconteceu nos bairros Morada da Barra, Ulisses Guimarães, Jabaeté, Barramares, Balneário de Ponta da Fruta

Publicado em 21 de Agosto de 2018 às 23:27

Redação de A Gazeta

Publicado em 

21 ago 2018 às 23:27
Agentes da Prefeitura de Vila Velha apagam pichações na Rua Dom Pedro, na Av. D. Pedro l, em Barramares Crédito: Divulgação / PMVV
Um mutirão da prefeitura de Vila Velha apagou mensagens e ordens de traficantes que estavam escritas em 30 muros e 15 postes durante esta terça-feira (21). A ação aconteceu nos bairros Morada da Barra, Ulisses Guimarães, Jabaeté, Barramares, Balneário de Ponta da Fruta. 
Prefeitura de Vila Velha apaga recados de traficantes em muros e postes
O trabalho, que foi feito sob escolta da Polícia Militar, ocorreu após a morte de Thaís de Oliveira de 22 anos, no bairro Morada da Barra, em Vila Velha. A principal suspeita é de que a jovem foi assassinada por não acender a luz interna do carro, como ordenam traficantes da região.
A tinta branca cobriu apenas as partes em que hoje estão as mensagens com identificação de grupos criminosos e avisos para quem entra no bairro, como “tire o capacete e abaixe o vidro e o farol”, “bem vindo ao inferno” e “meter bala na suas cara (sic)”.
Agentes da Prefeitura de Vila Velha apagam pichações na Rua Dom Pedro, em Ulisses Guimarães Crédito: Divulgação / PMVV
A equipe chegou a parar o trabalho durante o final da manhã por falta de tinta, mas foi retomada de tarde após reposição de material. 
Para o capitão e comandante da 13ª Companhia Independente da PM, Walter Araújo, as mensagens foram escritas por vândalos."São pichações dispersas, algumas com bravatas, outras com ameaça. É mais um ato de rebeldia do que um ato de controle da comunidade", disse Araújo.
O comandante afirma que, apesar do assassinato de Thaís no último sábado, o bairro não passa por um momento violento. A jovem foi morta a tiros por não ter ligado a luz interna do veículo. "Apesar de todo esse temor instalado, esse medo que essas pichações tentam implantar não é essa a realidade que a gente vive. A polícia sempre esteve presente e sempre estará. Eu acho que tapando essas pichações a gente mostra que o poder público está retomando o controle do local", reforça.
Moradores, no entanto, não concordam com a declaração do comandante e não acreditam que haverá mudanças com as pinturas realizadas. Mesmo com medo de se identificar, eles declaram que as pichações são sim avisos de criminosos que querem controlar quem entra e quem sai para evitar ataques de criminosos rivais.
Por conta dessas regras, outra família também foi atacada na mesma avenida onde Thaís foi morta. No dia 15 de julho deste ano, um casal teve o carro atingido por balas quando estava com duas crianças, de 7 anos e 1 ano, dentro do veículo. Segundo a polícia, três criminosos ordenaram que o carro parasse. Como o motorista não obedeceu, eles atiraram. Por sorte, ninguém se feriu.
REFORÇO
O reforço do policiamento no bairro acontece desde o último final de semana, após a morte de Thaís, por meio da Operação Saturação.
PMs de toda a 13ª Companhia Independente de Jabaeté - que atende a região - estão espalhados por várias ruas e avenidas. “Não vamos sair do bairro até encontrarmos os autores desse grave homicídio, contra a jovem. A Polícia Civil está priorizando essa investigação, assim como da jovem morta em Gurigica (Vitória), para que possamos dar uma resposta para a sociedade”, declarou o secretário de segurança do Estado, Nylton Rodrigues. ao Bom Dia Espírito Santo, da TV Gazeta.
Prefeitura de Vila Velha pinta muro com recado de criminosos em Morada da Barra Crédito: Kaique Dias
SIMBOLISMO
Para o professor de segurança pública da UVV, Pablo Lira, a ação da prefeitura é simbólica e mostra que o poder público age nesses locais. “Eu acredito que é importante o Estado intervir nessas situações. Quando o poder público pinta o muro e apaga as pichações é uma intervenção simbólica e visual”, explica.
Ele ressalta que, na questão da paisagem urbana, é importante manter a ordem para evitar mais estragos. “Se uma janela de um prédio é quebrada e ninguém conserta, é muito maior a chance de outras erem quebradas e o prédio ser saqueado”, exemplifica. 
 
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