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VITÓRIA

Mortes na região de São Pedro crescem e ligam alerta na Segurança Pública

De janeiro até o último domingo, a região registrou quase o dobro de assassinatos do que o mesmo período do ano passado

Publicado em 24 de Setembro de 2019 às 16:24

Raquel Lopes

Publicado em 

24 set 2019 às 16:24
Grande São Pedro: aumento no número de mortes colocou a região no topo do ranking de homicídios em 2019 Crédito: Vitor Jubini
A região da Grande São Pedro, em Vitória, registrou de janeiro até o último domingo (22) quase o dobro de assassinatos em comparação ao mesmo período do ano passado: foram 13 em 2019 contra 7, em 2018. O crescimento fez com que a região, que reúne 10 bairros, passasse a ocupar o primeiro lugar no ranking de mais homicídios neste ano. 
Os dados são do painel de Homicídios da Secretaria Estadual de Segurança Pública (Sesp) que monitora as regiões inseridas no programa Estado Presente. São elas: Bairro Da Penha, Ilha do Príncipe, Santo Antônio e São Pedro.
Contemplada pelo programa Estado Presente e com um batalhão de polícia que atende a região, o aumento de assassinatos em São Pedro vai de encontro à redução dos indicadores em Vitória. No mesmo período, compreendido de janeiro a 22 de setembro, a Capital teve redução de 16% no número de homicídios, passando de 58 casos, em 2018, para 49, neste ano.
TRÁFICO DE DROGAS 
Moradores, que não quiseram ser identificados, atribuem o aumento de violência em São Pedro a atividade do tráfico de drogas da região e conflito de grupos rivais na disputa por territórios de venda de entorpecentes.
Apesar da Sesp não confirmar, um morador afirma que houve a exigência do toque de recolher no bairros São José, São Pedro I e III e Ilha das Caieiras, em represália pelo assassinato de Rafael Gonçalves, que morreu após ser baleado em um baile funk no bairro Ilha das Caieiras, na madrugada de domingo (22).
Mas, ainda que a região tenha registrado o maior número absoluto de mortes, o bairro com maior aumento percentual de assassinatos foi a Ilha do Príncipe: 133%, ao passar de três homicídios, em 2018, para sete, neste ano. Na Grande São Pedro, esse aumento foi de 85,7%. 
INVESTIGAÇÃO FOCADA NA GRANDE SÃO PEDRO
Segundo o titular da Delegacia de Homicídios e Proteção à Pessoa de Vitória, delegado Janderson Lube, devido ao crescimento, a unidade policial passou a concentrar seus esforços na região da Grande São Pedro.
As investigações apontam que as mortes têm ligação com tráfico de drogas, a maioria por domínio territorial. A região abrange 10 bairros, e os homicídios estão espalhados por seis: um em Nova Palestina, três no bairro Conquista, dois na Ilha das Caieiras, um em São Pedro, um em Redenção, dois em São José e três no bairro Resistência.
Os homicídios, de acordo com o delegado, estão sendo realizadas por pequenos grupos por domínio de espaço. Somente no bairro Conquista é que as mortes foram realizadas ou auxiliadas por pessoas do Bairro da Penha.
A região que teve o aumento mais significativo e que puxou esse número foi o bairro Conquista por conta de ataques promovidos no início do ano. Esses ataques tiveram participação de pessoas do Bairro da Penha
Janderson Lube, titular da Delegacia de Crimes contra Vida de Vitória
PRISÕES
Janderson esclareceu que, para reduzir as mortes, o foco do trabalho policial é na conclusão dos inquéritos e responsabilização dos envolvidos pelos crimes. Neste ano foram presas duas pessoas envolvidas com as mortes na Grande São Pedro.
O primeiro foi Breno Xavier de Oliveira, conhecido como Marreta, em 27 de fevereiro. Ele é suspeito de envolvimento em um dos homicídios no bairro Resistência. A outra prisão foi de Rodrigo Braga de Jesus, conhecido como Jambão, em 17 de setembro. Ele teria ligação com três mortes no bairro Conquista e São José.
“Este ano conseguimos concluir mais inquéritos em Vitória do que no ano passado. Em 2019, foram 51, enquanto que no ano passado foram 34”, disse o delegado, que não soube informar quantos inquéritos foram concluídos especificamente sobre a região.
Ele também associa o crescimento no número de mortes na Ilha do Príncipe ao tráfico de drogas. Ele reforçou que, apesar de São Pedro e Ilha do Príncipe apresentarem crescimento, o número de homicídios e tentativas de homicídio tem reduzido na Capital. 
POLÍCIA MILITAR 
O comandante do 1°Batalhão da Polícia Militar, tenente-coronel Márcio Borges, responsável pela região da Grande São Pedro, diz que a corporação atua, principalmente, na prevenção dos crimes. Um dos maiores problemas na região é o tráfico de drogas e os bailes do Mandela.
Para tentar evitar os crimes, são elaboradas diversas estratégias. Algumas, inclusive, são feitas em reuniões do Gabinete de Gestão Integrada Municipal (GGIM), em parceria com a Polícia Civil, Guarda Municipal e a sociedade. 
Entre as ações estão blitze e cerco tático. As operações na região já superaram o número do ano passado.
tenente-coronel Márcio Borges, comandante do 1º Batalhão da PM
Borges ressaltou ainda que, quando o crime ocorre, a Polícia Militar intensifica o policiamento no local e faz um trabalho junto à Polícia Civil e a área de inteligência da corporação para identificar os autores e prendê-los.
O tenente-coronel negou a informação de que houve toque de recolher na região nesta terça-feira (24). “O tráfico pode ter tentado, mas não ocorreu porque o policiamento esteve presente no local o dia inteiro. Eu conversei com a liderança comunitária e com pessoas do comércio”, assegurou.
Ele pontuou que a população tem um papel importante para ajudar a reduzir a criminalidade através da denúncia anônima pelo número 181. Isso ajuda a polícia a chegar aos autores dos crimes e a traçar estratégias de prevenção para a região.
 

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