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Mais uma aluna denuncia professor por assédio sexual em escola na Serra

O profissional já havia sido acusado por duas outras alunas na última semana

Publicado em 01/07/2019 às 17h49
Desde o mês passado denúncias de alunas sobre assédio sexual de professor têm sido feitas à unidade escolar e à polícia. Crédito: Arquivo pessoal
Desde o mês passado denúncias de alunas sobre assédio sexual de professor têm sido feitas à unidade escolar e à polícia. Crédito: Arquivo pessoal

Uma jovem de 26 anos, ex-estudante da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel, na Serra, relatou que também foi vítima de assédio sexual por um professor de matemática, no período em que frequentou a instituição, entre 2009 e 2011. O homem já havia sido acusado por duas outras alunas na última semana.

A nova denunciante relatou à Comissão de Proteção à Criança e ao Adolescente da Assembleia Legislativa do Espírito Santo que tinha dificuldades na matéria lecionada pelo acusado e que, sabendo disso, ele teria se prontificado a ajudá-la, mesmo fora do horário escolar, por conversas em redes sociais da época. Nos diálogos, o professor tecia elogios à aparência da aluna, comentando, por exemplo, que ela tinha uma "boca sedutora". Além disso, a convidava para sair.

As investidas não eram apenas virtuais, mas, além delas, o professor fazia piadas pessoalmente, seja na sala de aula ou mesmo nos corredores. A jovem contou ainda que uma colega enfrentava a mesma situação e que a direção da escola foi acionada, porém, sem resultado. De acordo com a ex-estudante, havia casos de meninas que ficavam com o homem para não serem reprovadas na matéria.

POLÍCIA INVESTIGA DENÚNCIAS

A Polícia Civil informa que a investigação está em andamento na Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente (DPCA). O caso é tratado de forma sigilosa, de forma que detalhes não serão divulgados antes da conclusão do inquérito. A Polícia Civil orienta que as vítimas desse tipo de caso registrem a ocorrência em qualquer delegacia, preferencialmente a Delegacia de Proteção à Criança e ao Adolescente.

O QUE DIZ A SEDU SOBRE NOVA DENÚNCIA

A Secretaria de Estado da Educação (Sedu) lamenta a denúncia e ratifica que não compactua com a suposta conduta do servidor. "O caso relatado não foi foi oficialmente comunicado à Sedu à época, para que pudesse ser apurado e, de acordo com a legislação penal, crimes de assédio podem prescrever após 8 anos. O outro professor continua afastado".

ENTENDA

No final do mês de junho, um grupo de alunas da Escola Estadual Clóvis Borges Miguel, em Serra Sede, na Serra, denunciou um dos professores por assédio sexual. As denúncias foram feitas por meio de cartas distribuídas na escola, mas ganharam repercussão nesta segunda-feira (24) quando foram compartilhadas no Twitter. As alunas relataram piadas de cunho sexual e comentários sobre o corpo delas feitos pelo professor.

Incomodadas com os comentários do professor, três adolescentes resolveram escrever cartas anônimas e depositar em urnas de um projeto na escola destinado a outros professores, alunas e funcionários do local.

De acordo com uma das estudantes, de 16 anos, a ideia surgiu como forma de pedir socorro e fazer com que todos soubessem do assédio que acontecia na escola. 

"Um dia ele começou a falar da minha bunda. Eu fiquei desconfortável, mas achei que era brincadeira e não falei nada. Aí os comentários passaram a ser diários, até que eu comecei a ignorar. Um dia ele falou para mim: "Você cansou das piadinhas? Logo agora que você é minha!". Comecei a ficar com medo, pensando o que ele poderia fazer comigo. Então resolvi, junto com outras duas amigas, escrever as cartas, para que todo mundo soubesse o que estava acontecendo", declarou.

Carta de apoio enviada às alunas da escola. Crédito: Arquivo pessoal
Carta de apoio enviada às alunas da escola. Crédito: Arquivo pessoal

O grupo também encaminhou uma carta para o professor acusado de cometer os assédios. Nela, as estudantes expressavam o desconforto que sentiam quando ele falava sobre o corpo das meninas e de conversas duvidosas da intimidade das alunas. Elas chegaram a se referir ao professor como "babaca e nojento". 

NAS REDES SOCIAIS

As cartas foram distribuídas na escola no dia 19 de junho. De acordo com as estudantes, mesmo após a divulgação das cartas, a coordenação da escola não se mostrou preocupada em apurar o caso. Com medo que o caso fosse esquecido, as alunas usaram as redes sociais para relatar as histórias de assédio, nesta segunda-feira (24).

RELATOS VIRALIZARAM

Os relatos viralizaram e um movimento de denúncias foi criado no Twitter com a hashtag #SuaAlunaNãoÉUmaNovinha, sendo compartilhado pelo ex-deputado Jean Wyllys. Para a surpresa das adolescentes, inúmeras histórias de assédios começaram a ser relatadas na rede, muitas delas feitas por ex-alunas da escola Clóvis Borges Miguel.

Aluna de 17 anos

Cargo do Autor

"Várias pessoas vieram relatar casos antigos de assédio, mandaram mensagem de apoio pra gente. Todo mundo que estuda ou estudou lá sabe que esse professor faz isso, mas nunca denunciou por medo"

A Gazeta integra o

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