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Violência contra mulher

Interno do Iases ganha prêmio estadual por redação inspirada na mãe

O adolescente venceu concurso do Estado contando a violência que viu auxiliar de serviços gerais sofrer dentro de casa

Publicado em 07 de Agosto de 2018 às 20:40

Redação de A Gazeta

Publicado em 

07 ago 2018 às 20:40
Interno do Iases foi vencedor de um concurso de redação contando a história de violência sofrida pela mãe Crédito: Marcelo Prest
Foi lembrando da violência sofrida pela mãe que um adolescente interno do Instituto de Atendimento Socioeducativo do Espírito Santo (Iases), de 17 anos, encontrou inspiração para escrever uma redação sobre a “violência contra a mulher”. As imagens presenciadas por ele se transformaram em palavras que o fizeram ganhar o Concurso de Redação do Conselho Estadual de Direitos Humanos, no mês de junho.
No texto, a violência foi caracterizada como física e emocional, do mesmo jeito que ele via acontecer com a auxiliar de serviços gerais, de 40 anos, durante o relacionamento de 14 anos com seu pai.
Ele relatou que, muitas vezes, a mulher sofre de forma silenciosa devido a dependência financeira de seus parceiros e o receio de ver os filhos passando necessidade. No entanto, no caso de sua mãe, foi pelo medo dos filhos crescerem sem a presença do pai.
“Nunca gostei de agressão, minhas palavras foram sinceras na redação. Minha mãe é um exemplo de vida”, relata o estudante, que disputou pela primeira vez com cerca de 300 internos do Iases.
O interno ressaltou que a sociedade ainda é marcada por comportamentos machistas e a punição chega de forma lenta para os homens, fazendo com que muitas vezes percam o medo de cometer certos atos. “Alguns processos levam anos para serem julgados”, disse.
HISTÓRICO
O que foi descrito pelo adolescente em sua redação sobre sua mãe na verdade é apenas uma parte da história dela. A auxiliar de serviços gerais têm um histórico violento na família. Ela cresceu vendo sua mãe apanhar do padrasto e foi vítima de maus-tratos na época.
A mulher se casou com 19 anos, e o primeiro tapa do companheiro recebeu quando teve seu terceiro filho; o socioeducando do Iases é o quarto de cinco irmãos. Em 2008, o filho que hoje é interno presenciou um episódio de agressão física, e no mesmo ano ela decidiu dar um basta na relação. Atualmente, a auxiliar de serviços gerais é moradora da Serra.
De toda a história vivida por mãe e filho, o que fica nítido na relação é o carinho e respeito. Para mãe do interno,  mais importante do que vencer o concurso de redação é saber do comportamento do filho perante a mulher.
“A sociedade brasileira é marcada por comportamento machista, o que pode levar à agressão e até à morte de mulheres. Saber que homens estão mudando o modo de pensar é importante, principalmente quando essa pessoa é meu filho”, destacou.
No Iases, o adolescente está detido há cerca de um ano e meio, e quer sair em busca um futuro melhor. 
Apesar de descobrir que tenho familiaridade com a escrita, vou prestar vestibular para Matemática, trabalhar e construir uma família para poder adquirir meus bens pessoais
 
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