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ES perde mais de 9 mil vagas de ensino de jovens e adultos

Repasses de R$ 10 milhões devem ser cortados pelo governo federal

Publicado em 11/05/2019 às 20h21
 . Crédito: Shutterstock
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Com cerca de 490 mil pessoas no Estado que mal concluíram o primeiro ciclo do ensino fundamental, a Educação de Jovens e Adultos (EJA) é a alternativa para que tenham a possibilidade de retomar os estudos e avançar, não apenas em conhecimento, mas também no mercado de trabalho. No Espírito Santo, porém, a oferta diminuiu ao longo da última década, com redução mais acentuada entre 2014 e 2018, período em que 22% das matrículas nesse segmento caíram, atingindo mais de 9 mil.

Nos últimos cinco anos, o número de alunos de EJA no fundamental passou de 41.513 para 32.351, conforme dados do Ministério da Educação (MEC) das redes estadual, federal e municipais. Somados aos de ensino médio, o índice é menor (12,3%), mas também representa prejuízo para aqueles que ainda não conseguiram concluir os estudos. Outro agravante: houve redução no número de escolas com a modalidade de ensino que, em 2009, chegava a 478 e, ano passado, eram apenas 311, uma retração de 34,93%.

O cenário pode piorar com os cortes anunciados pelo MEC há duas semanas, que afetam também essa modalidade de ensino. Dados da Secretaria de Orçamento Federal indicam que R$ 14 milhões deixarão de ser repassados pelo governo federal para a EJA no país.

Ainda não se sabe o impacto da medida em todo o Espírito Santo, mas a Secretaria de Estado da Educação (Sedu) estima um corte de R$ 2 milhões nos repasses federais para a rede. E a professora Edna Castro de Oliveira, coordenadora do Núcleo de Educação de Jovens e Adultos (Neja) da Ufes, acredita em um agravamento do quadro. “Uma medida como essa vai atingir quem já é o mais atingido, aquele que tem mais dificuldades de acesso”, pontua.

DEMANDA

A queda no número de matrículas não significa que a demanda não existe, segundo avaliação das professoras Edna Castro e Karla Ribeiro de Assis Cezarino, do Neja. Elas apontam que, ao contrário, é a oferta que não tem contemplado as necessidades da população que não conseguiu concluir os estudos na idade certa.

Ao comentar sobre a nucleação, estratégia do Estado de criar núcleos em determinadas escolas para atender a uma região, o que muitas vezes obriga os alunos a percorrer maiores distâncias para estudar, Karla analisa que melhor seria se a escola fosse até o estudante.

“Vitória, por exemplo, tem uma unidade em que os polos são colocados na comunidade, salas de aula onde existe a demanda. É uma experiência, uma forma de chegar, mas não é a única.”

A professora Edna ressalta que é fundamental pensar a oferta de diferentes formas, já que o público é muito heterogêneo – jovens, idosos, pessoas com necessidades especiais – e a diversidade exige atenção.

“É preciso dar mais opções. Para quem trabalha de escala, por exemplo, o que é melhor? Também é preciso pensar em uma estrutura que funcione. Ainda hoje, tanto Estado quanto municípios tem laboratório que não abre, biblioteca que não funciona, estrutura que no diurno está disponível e, à noite, não. E a EJA tem oferta forte no noturno”, observa.

FORMAÇÃO

Melhorar a formação para a EJA, uma vez que a grade das licenciaturas dedica carga horária reduzida para a modalidade, também é necessário. “A EJA exige conhecimento cada vez mais entrelaçado com as questões do dia a dia, da diversidade dos sujeitos e da desigualdade que caracteriza esse segmento”, sustenta Edna.

Se a EJA nem sempre é reconhecida pelo poder público, o gerente de restaurante e universitário Antonio Luiz Soares Amorim, 57, faz questão de demonstrar o contrário. De família simples, com pais analfabetos, interrompeu os estudos faltando dois meses para terminar o ensino médio. “Precisava trabalhar, não achava que a escola tinha algo mais a me oferecer porque estudar em uma universidade, naquela época, não era para pessoas pobres”, lembra.

O pensamento começou a mudar quando teve seus filhos. Sabia que investir em educação faria a diferença na vida deles. Depois que já estavam encaminhados, decidiu voltar a estudar. Concluiu o ensino médio com a EJA, fez o Enem e foi aprovado para Pedagogia, na Ufes. “Quem está na EJA tem pressa, é o resgate da autoestima. Fui atrás do que tinha perdido e estou feliz!”

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