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Capixaba bebendo além da conta

ES é o terceiro Estado do país com mais mortes relacionadas ao álcool

As principais causas são acidente de trânsito, violência entre as pessoas e cirrose hepática, decorrentes do uso abusivo da substância

Publicado em 04 de Março de 2020 às 06:00

Redação de A Gazeta

Publicado em 

04 mar 2020 às 06:00
Uso abusivo de bebidas alcoólicas: mortes no Espírito Santo estão acima da média nacional Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil
O Espírito Santo é o terceiro Estado do país com mais mortes relacionadas ao consumo de bebida alcoólica. São 41,5 óbitos a cada 100 mil habitantes, taxa superior à média nacional (34). Os capixabas ficaram atrás apenas dos moradores de Sergipe (44,2 mortes) e de Pernambuco (41,7).
Os casos relacionados ao consumo de álcool representaram 6,7% do total de mortes no Estado, e as principais causas foram: acidente de trânsito (19,7%), violência interpessoal (16,1%), cirrose hepática (15,5%) e transtornos mentais e comportamentais (10,2%). Os dados são referentes ao ano de 2017, e foram coletados pelo Centro de Informações sobre Saúde e Álcool (Cisa), disponíveis numa publicação que acaba de ser lançada e traça o panorama de 2020 na área.
Apesar de o Cisa ter mudado a metodologia da pesquisa, que só vai permitir a comparação de dados daqui para frente, o fato é que o Espírito Santo já esteve nas primeiras posições pelo uso abusivo de álcool. No ano passado, o Estado ocupou a liderança do ranking de mortes na faixa etária a partir dos 55 anos.
O presidente executivo da entidade,  o psiquiatra Arthur Guerra, ressalta que os dados servem para oferecer mais elementos ao poder público na elaboração de políticas que visem à prevenção do uso abusivo de álcool. "Essas fotografias que fazemos de cada Estado trazem dados que precisam ser estudados de maneira profunda por aqueles que propõem leis e pelos gestores. É um problema de saúde pública que precisa de ações preventivas", defende.
Diretor-geral do Departamento Estadual de Trânsito (Detran), Givaldo Vieira fala que os números da pesquisa o preocupam, mas já eram perceptíveis. "Em função disso, no segundo semestre do ano passado, posicionamos nossas ações com foco na Lei Seca, quando lançamos o Força pela Vida, com atuação integrada de mais de 20 instituições. O que vivemos aqui, e no país, é cultural. As pessoas subestimam o risco de beber e dirigir", avalia. 
Givaldo lembra que o álcool afeta diretamente a capacidade motora e de raciocínio já na primeira dose e, por essa razão, nas operações que têm sido realizadas a tolerância é zero para bebida. O diretor do Detran conta que apenas as ações educativas não estavam surtindo o efeito desejado, mas, desde que a fiscalização foi reforçada, houve redução nos indicadores de violência no trânsito. "Se a pessoa não se sensibiliza pela consciência, está deixando de ingerir bebida  pela sensação de que pode ser flagrada numa blitz. Em janeiro, tivemos o menor número de mortes - 38 - em 20 anos."
O consumo de bebida alcoólica é socialmente aceito no país e, mesmo para quem não dirige após beber,  é importante estar atento para não exceder os limites que possam comprometer a saúde de outras maneiras. Para saber se está fazendo uso moderado ou abusivo do álcool, confira alguns conceitos apresentados pelo Cisa:

PRINCIPAIS DEFINIÇÕES

Alcoolismo ou dependência

Unidade que define a quantidade de etanol puro contida nas bebidas alcoólicas. No Brasil, uma  dose de bebida equivale a 14 g de álcool puro, o que corresponde a 350 mL de cerveja (5% de álcool), 150 mL de vinho (12%) ou 45 mL de destilado (vodca, uísque, cachaça, gin, tequila, com 40% ).
Beber Pesado Episódico (BPE) ou consumo abusivo é definido pela Organização Mundial de Saúde (OMS) como a ingestão de 60 g ou mais de álcool puro (cerca de 4 doses ou mais) em pelo menos uma ocasião no último mês. Também conhecido como binge drinking, é um padrão relacionado a maior risco de prejuízos.
Quando há consequências sociais e de saúde – tanto para o consumidor quanto para as pessoas próximas a ele e para a sociedade em geral – ou quando o padrão de uso está associado a maior risco de danos à saúde
Situações em que nenhuma quantidade de álcool deve ser consumida. Por exemplo: menores de 18 anos, grávidas, pessoas com condições de saúde que podem ser prejudicadas pelo álcool ou que não consigam controlar seu consumo, ao usar determinados medicamentos e ao dirigir veículos.
Doença crônica e multifatorial, é um dos transtornos mentais mais comuns relacionados ao consumo de álcool. É definida pela CID-10, da OMS, como um conjunto de fenômenos comportamentais, cognitivos e fisiológicos que se desenvolvem após o uso repetido de álcool. 

MAIS MULHERES ESTÃO MORRENDO

Embora a taxa de internações por 100 mil habitantes no país tenha diminuído, entre 2010 e 2018, especialistas se preocupam com o uso nocivo do álcool pelas mulheres. No mesmo período, o público feminino esteve mais vezes em unidades de saúde para cuidados relacionados ao consumo de bebida alcoólica. O aumento das internações foi de 19,5% e de mortes, no intervalo até 2017, foi 15% maior. 
O índice de morte de mulheres relacionado ao álcool tem aumentado ao longo dos anos Crédito: Pixabay
Arthur Guerra afirma que, entre todos os dados apurados, este é o mais angustiante. "A constatação é que o consumo de álcool no Brasil tem aumentado entre as mulheres, e o pior, começando cada vez mais cedo. Nas capitais, é por volta dos 12 anos e meio."
O psiquiatra observa que o uso nessa faixa etária muitas vezes começa dentro das próprias residências, quando a família avalia que é melhor estar por perto do que consumindo na rua com amigos. O presidente do Cisa destaca que, de um jeito ou de outro, é prejudicial porque o cérebro ainda está em desenvolvimento e não está preparado para o consumo de álcool.
Quanto às mulheres, Arthur Guerra diz que, embora ainda não bebam de maneira equivalente aos homens, o crescimento do consumo entre elas é superior ao do público masculino. As consequências para a saúde, que têm levado muitas à morte, acabam sendo mais rápidas também.
O médico explica que a constituição biológica das mulheres as tornam menos resistentes ao álcool. No fígado, há menos enzimas que metabolizam a substância; em geral, a área corporal - peso e altura - é menor que a dos homens; e também há menos água no organismo para ajudar na eliminação do álcool. 
"A principal consequência é o quadro de dependência do álcool, que vem com outros problemas de saúde, como cirrose e pancreatite. Sem contar a fragmentação dos elos familiares e perda de emprego quando a intoxicação atinge os níveis do alcoolismo", finaliza Arthur Guerra.

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