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Cenário de abandono no Centro de Vitória

Com revitalização a passos lentos, lojistas deixam a região

Publicado em 15/06/2018 às 21h36
"Já cheguei a ter 20 pessoas trabalhando comigo. Hoje, somos em dois. Eu e mais um". Crédito: Vitor Jubini
"Já cheguei a ter 20 pessoas trabalhando comigo. Hoje, somos em dois. Eu e mais um". Crédito: Vitor Jubini

Prédios abandonados, comércios fechados e paredes pichadas. Esse é o cenário de abandono encontrado por quem passa pelo Centro de Vitória, lugar que já foi o bairro mais valorizado da cidade. Com as portas baixadas, muitas lojas se desfizeram dos pontos e agora a região sofre com a falta de movimento, de segurança e de investimento. O local, que já vive um êxodo de lojistas, ainda viu uma grande loja de eletrodomésticos passar por um incêndio destruidor na noite de quinta-feira.

“Claro que tem a questão da crise que é muito forte, mas está tudo quebrado e arrombado. Minha loja foi assaltada há dois anos. Os bandidos levaram várias mercadorias, que são originais”, desabafa um comerciante, que preferiu não se identificar, acrescentando que se mantém no Centro por uma questão de necessidade.

Ele, assim como outros lojistas, fecham as portas antes das 18 horas. A iniciativa é uma medida de segurança. “Se tivesse policiamento dava para ficar até mais tarde. Mas sem polícia e sem movimento fica difícil.”

O vazio no Centro contribui para a sensação de medo, sobretudo à noite, segundo o presidente da Associação de Moradores, Everton Brito Martins. “Isso acaba atrapalhando os moradores e os comerciantes que resistem. A prefeitura não apresentou um projeto de desenvolvimento econômico que atenderia o processo de revitalização. O que tem acontecido são as iniciativas dos próprios moradores e comerciantes como eventos comunitários e promoções em datas comemorativas.”

Sobre a revitalização do Centro, o secretário de Desenvolvimento da Cidade, Henrique Valentim, disse que o projeto se constitui por ações que estão em andamento. “Vamos entregar a obra da Fafi (Escola Técnica Municipal de Teatro, Dança e Música) restaurada. Temos ações como a Rua de Lazer e Viradão Cultural. Também temos questões de ordem tributária. No caso do Centro, quando uma empresa decide se instalar no bairro ela paga 2% no Imposto Sobre Serviço, enquanto em outro lugar pagaria 5%.”

Em relação aos prédios abandonados, Henrique explica que a responsabilidade é dos proprietários. “A prefeitura só intervém quando há algum risco na estrutura que pode causar algum problema ou risco de saúde pública ou, então, risco social.”

Ainda segundo ele, a Guarda Municipal monitora o bairro e se coloca à disposição dos cidadãos quando houver alguma atitude suspeita nos prédios abandonados, inclusive quando houver a necessidade de uma abordagem social.

PAISAGEM 

O emaranhado de fiações que ficam expostos no Centro de Vitória é outro ponto que incomoda moradores. “A mudança para cabos subterrâneos ainda está na promessa”, disse Everton.

Segundo Henrique, a EDP Escelsa é a responsável em fazer a mudança que está prevista no Plano Diretor Urbano de Vitória. Procurada, a concessionária apenas disse que segue as normas da Agência Nacional de Energia Elétrica (Aneel), órgão regulador do setor elétrico.

 

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