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Escola pública

Alunos reciclam uma tonelada de lixo em escola pública de Vila Velha

Objetos serão vendidos e dinheiro vai ser gasto com materiais para os estudantes
Pedro Permuy

Publicado em 

26 jun 2019 às 22:11

Publicado em 26 de Junho de 2019 às 22:11

Alunos, professores e moradores do entorno da Umef Coronel Joaquim de Freitas, em Jaburuna, bairro de Vila Velha, participaram de projeto de universitárias da Ufes e recolheram uma tonelada de lixo para reciclagem Crédito: Marcelo Prest
O que a Maria Júlia Moreira e Silva, de 8 anos, mais gosta de fazer é reciclar plástico. Ela também junta latinhas, papel e outros materiais, mas é enfática em dizer: “Gosto mais de livrar o meio ambiente do plástico”. Ela aprendeu sobre o quanto materiais jogados no lixo de forma errada podem prejudicar a natureza e, já nessa idade, é uma das mais de 350 crianças que fazem parte de um projeto de reciclagem na Umef Coronel Joaquim de Freitas, em Jaburuna, bairro de Vila Velha.
Lá, os pequenos que têm entre 6 e 10 anos de idade conseguiram recolher cerca de uma tonelada de lixo reciclável depois de três alunas da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) experimentarem com os estudantes um plano de sustentabilidade. Tereza Rosa, Amanda Almeida e Eduarda Fernandes são as universitárias do quinto período de Letras que, em um trabalho de uma disciplina, desenvolveram um plano de ensino voltado para o reuso de materiais.
Na escola pública de Vila Velha, ensinaram sobre Augusto Ruschi – importante biólogo do Espírito Santo –, falaram sobre reciclagem e mostraram para os alunos tudo o que eles podiam fazer para ajudar o meio ambiente. “Em pouco tempo vários deles estavam participando e a adesão foi muito alta”, comemora Tereza.
Tereza fala que os alunos envolveram as famílias, também, e os comerciantes do entorno da escola. Com a quase uma tonelada acumulada, o lixo será vendido no fim do mês. O dinheiro arrecadado com a venda será convertido em investimento para a escola. “E mesmo depois do nosso projeto, a escola vai continuar com a coleta”, diz a universitária, confirmando o que a pequena Maria Júlia também quer: “Se a gente continuar, vamos sempre conseguir dinheiro para comprar alguma coisa nova para a escola”.
EXPANSÃO
A diretora da unidade, Ottília Coelho, também comemora o fato de mais alunos terem aderido ao plano. De início, apenas duas turmas seriam abordadas pelas universitárias, mas a expansão foi inevitável.
“O projeto tomou uma proporção muito grande e queremos que os alunos continuem com a reciclagem, porque isso é uma demanda da nossa grade de ensino”. De acordo com ela, com o dinheiro arrecadado serão comprados jogos pedagógicos. “Queremos alguma coisa que sirva para ensinar as crianças e, ao mesmo tempo, as divirta em um momento de lazer”, conta.
Crédito: Marcelo Prest
PONTO VICIADO EM LIXO
Segundo a diretora, esse foi o primeiro projeto de reciclagem que foi feito no local, mas ele serviu até para acabar com ponto viciado de lixo que ficava em frente à escola. “Nós tínhamos tentado de tudo, até surgir a ideia de fazer um jardim com pneus reciclados. Fizemos, depois do projeto, e praticamente mais ninguém joga lixo lá”, afirma.
Ottília enxerga que a ação, para ser efetiva, precisa atingir as famílias dos estudantes e a comunidade da região. No entanto, a diretora avalia que esse objetivo está sendo atingido. “Por isso, até, que vamos continuar”, conclui.
VÃO CONCORRER A PRÊMIO DO GOVERNO FEDERAL
Segundo Tereza, agora as alunas vão inscrever o projeto que elas mesmas desenvolveram em um prêmio que é promovido pelo Governo Federal. "É um projeto deles em que são premiadas ideias inovadoras que tenham impacto direto na sociedade. Nós estamos confiantes e também com a expectativa nas alturas para a disciplina na Ufes (risos)", brinca.
Segundo ela, conta muito o fato de o projeto ter envolvido a comunidade do entorno na reciclagem - o que é bastante difícil de ter adesão, de acordo com a universitária. "Todo mundo comprou a ideia e, efetivamente, ajudou para juntarmos todos os materiais recicláveis", finaliza.
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