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Publicado em 18 de março de 2022 às 15:16
O preço do gás encanado pode acumular alta de 60% no país até agosto caso o valor do barril de petróleo se mantenha na casa dos US$ 100. Entretanto, no Espírito Santo, a situação pode ser ainda mais grave. Por conta de questões específicas envolvendo o contrato para fornecimento do insumo pela Petrobras, esse aumento pode ser maior que 100%. Isto é, o preço do produto pode chegar a dobrar em território capixaba. >
Os contratos de reajustes são trimestrais, sendo que o próximo ocorre em maio. Há possibilidade de que o aumento chegue a 20%, em meio às altas do barril de óleo, que é cotado pelo mercado internacional e teve o preço afetado pelo conflito entre Rússia e Ucrânia. A informação é do jornal O Globo.>
Mas além dos reajustes trimestrais, havia um outro previsto. Trata-se da alta barrada pela Justiça do Espírito Santo no final de dezembro de 2021, sob risco de uma elevação de mais 40% no preço do insumo distribuído pela Companhia de Gás do Espírito Santo (ES Gás).>
Isso decorre de mudanças na metodologia de cálculo do preço da molécula de gás natural pela Petrobras, que adotou uma majoração para novos contratos negociados com as concessionárias estaduais. >
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No total, quase 70 mil consumidores do Espírito Santo são afetados, entre clientes residenciais, que são a maioria, e também CNPJs, como indústrias, comércios, entre outros. Também entra nessa conta o gás natural veicular (GNV).>
A ES Gás informou que prefere “não fazer projeções de preços, assim como não comenta a ação contra a Petrobras, que foi feita pelo Ministério Público”. >
O MPES e a Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP) foram questionados a respeito do andamento das negociações, tendo em vista que a liminar deferida no final de dezembro a fim de impedir o reajuste tem caráter temporário. Entretanto, até a conclusão deste texto, os órgãos não haviam se manifestado. A Petrobras também foi procurada, mas não deu retorno até então.>
O economista Ricardo Paixão, porém, considera a situação delicada porque qualquer aumento substancial pressionará ainda mais a inflação, que há vários meses penaliza a população.>
“É uma questão extremamente complicada, e é preciso ter todo o cuidado porque estamos vindo de uma pandemia que reduziu a renda média da população e também criou um cenário de elevados índices de desemprego. O trabalhador já está vindo de uma situação muito difícil. O orçamento já está apertado. São muitas demandas. Vive-se uma uma asfixia financeira, as pessoas não conseguem consumir mais. E o gás é uma coisa fundamental.”>
Mas, além do consumidor comum, as empresas, em especial as indústrias, são afetadas, uma vez que utilizam o insumo como fonte de energia. Seu encarecimento acaba refletindo no preço final do produto, que implica novos custos para o consumidor.>
“É uma penalização extremamente elevada porque é um produto estratégico. Para o trabalhador, é um desastre. Para o empresário, que também está passando por uma situação difícil, embora consiga algum alento, também é um problema. Para a economia é muito ruim que um insumo básico como esse tenha essas elevações. Dobrar o valor seria uma catástrofe para nossa economia. Isso requer medidas urgentes das lideranças.”>
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