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Quando desconfiar que cartão de crédito enviado sem pedir é golpe

Em vídeo que circula nas redes sociais, uma senhora afirma ter recebido pelos Correios um cartão feito com material que não gera qualquer desconfiança. Mas a história é boato. Entenda

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 12/06/2021 às 13h16
Pagamento com cartão de crédito
Cartão de crédito recebido pelos Correios levanta suspeita de golpe. Crédito: Freepik

Um vídeo que circula nas redes sociais mostrando um possível golpe, por meio do qual um casal recebe por correspondência um cartão de crédito "Itaú Personalité" nunca solicitado, não passa, até o momento, de um boato. Apesar disso, com a frequência de golpes que têm acontecido, o alerta para cuidados é válido.

No vídeo, uma senhora afirma ter recebido pelos Correios um cartão com aparência de veracidade, dentro de um envelope feito com material que não causa qualquer desconfiança.

"Papel de excelente qualidade, mostrando tudo que o cartão dá direito, envelope em papel duro, a carta explicando e o cartão desses novos, de aproximação, mandando desbloquear pelo aplicativo e a primeira vez que usar, usar com chip e senha, para depois usar aproximação. Acreditamos, ligamos para o banco para saber que cartão era esse. A moça disse que era fraude e que está acontecendo muito em São Paulo e no Rio de Janeiro. Atenção aí gente, liga para a gerente quando acontecer alguma coisa", diz o vídeo.

De acordo com informação veiculada pelo programa Fantástico, da TV Globo, exibido no dia 31 de maio, e com dados das Secretarias de Segurança Pública e Polícias Civis, a cada hora quase 100 brasileiros são vítimas de estelionato (98,7), sendo que em 2020 mais de 865 mil boletins de ocorrência foram registrados no país em virtude deste crime. O aumento com relação ao ano anterior é de 66%, quando foram registrados mais de 520 mil boletins, o que serve para ilustrar a alarmante explosão de golpes durante a pandemia.

O banco Itaú foi procurado para se manifestar sobre o assunto e negou que o vídeo possa apresentar algum tipo de golpe. Em nota, a instituição informou que as informações expostas no vídeo estão desencontradas e não retratam uma situação de fraude.

"O banco mantém rígidos padrões de segurança para proteção dos clientes e de suas transações. O procedimento de desbloqueio do cartão exposto no vídeo está correto e, por questão de segurança, exige que a primeira transação seja realizada com o uso de chip e senha, prática adotado pelo mercado como padrão para evitar que alguém que não seja o verdadeiro cliente utilize o cartão. Também como medida de segurança, alguns dos novos cartões do Itaú não são emitidos com os dados estampados na frente do plástico, justamente para que não sejam capturados ou visualizados por fraudadores. Desta forma, os nossos clientes podem continuar a utilizar os seus cartões tranquilamente, sempre seguindo as orientações de segurança".

Também procurada, a A Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito (Abecs), informou que não recebeu apontamentos sobre esse tipo de situação em seus canais de comunicação e das empresas associadas. 

Em nota, a associação acrescentou que tem no código de ética e autorregulação, desde 2010, uma norma que veda o envio de cartões novos pelas associadas sem a prévia solicitação e autorização do cliente (com exceção de substituição ou reposição do plástico do cartão já usado pelo cliente).

"Para efeito de segurança e prevenção, caso não tenha solicitado ou autorizado, o consumidor deve inutilizar o cartão recebido, podendo ainda entrar em contato com a central de atendimento do seu banco para esclarecer quaisquer dúvidas. A Abecs reforça ainda que os bancos e as empresas de cartão nunca enviam mensagens por e-mail ou aplicativo solicitando que o cliente digite o número do seu cartão. Também nunca ligam para solicitar a devolução do cartão", disse a nota.

ESPECIALISTAS ALERTAM PARA CUIDADOS

De acordo com o delegado Douglas Vieira, titular da Delegacia Especializada de Crimes de Defraudações e Falsificações (Defa), a orientação, existindo este golpe do cartão feito por criminosos ou não, é, ao receber um material que não solicitado, entrar em contato com o banco.

Douglas Vieira

Delegado titular da Defa

"O próprio Código de Defesa do Consumidor veda esta prática. Se não foi solicitado um cartão e mesmo assim chegou, deve-se conversar com o banco primeiro para entender o que houve"

Também segundo a advogada civilista Fernanda Meôky Barbosa Cosme, há cada vez mais acionamentos por consumidores que estão se sentido lesados por golpes praticados em diversas modalidades com cartões. "O envio de cartão de crédito não solicitado pelo consumidor, por si só, já é uma prática ilegal, haja vista que as instituições financeiras não podem enviar cartões e faturas de cobranças de anuidade sem que o serviço tenha sido contratado pelo consumidor. No entanto, no caso do vídeo em questão, o que parece é que o cartão de fato foi enviado pela instituição financeira e não por fraudadores", disse.

A especialista acrescenta que caso o consumidor receba um cartão que não solicitou ou mesmo tenha dúvidas sobre a legitimidade do produto ou serviço, deve imediatamente entrar em contato com a instituição financeira e abrir uma reclamação para que a questão seja apurada.

"Não sendo resolvida a questão administrativamente, é possível o acionamento da via judicial. Quanto aos golpes e crimes cibernéticos, quem os pratica está sujeito às sanções penais previstas no Código Penal, cuja pena pode chegar a 08 (oito) anos de prisão", explicou.

No mesmo sentido, o advogado Sebastião Viganô Neto, especialista em Direito do Consumidor e Empresarial, alerta que caso haja golpe semelhante, de envio de cartão falso, o grande problema seria identificar quem é o estelionatário.

"Quem cometeu o crime foi quem mandou o documento para as vítimas, consumidores dos bancos. A pessoa se beneficiaria quando a vítima fosse tentar usar o cartão e ele fosse clonado. Mas é muito difícil identificar esse tipo de pessoa. O consumidor, sempre que receber um 'presente' desses, deve entrar em contato com o seu gerente. Não basta entrar em contato com o número que vem na carta, porque ele seria falso também", alertou.

O mais comum, segundo o jurista é a demanda de clonagem de cartão de crédito, em que o dono do cartão se depara com compras que não reconhece. "Neste caso existe também responsabilidade da instituição financeira em reparar os danos suportados pelo consumidor. Neste caso, deve procurar o Procon ou o juizado de pequenas causas, ou mesmo procurar o advogado para orientar o melhor caminho. Em regra, os bancos têm responsabilidade solidária por este tipo de fraude, já que é obrigação do banco trabalhar e criar medidas para evitar esse tipo de crime, cabendo até dano moral", explicou.

"RECEBER CARTÃO SEM PEDIR GERA SUSPEITA DE FRAUDE", DIZ ECONOMISTA

Para o economista Jorge Eloy, devido à proibição de que qualquer instituição financeira encaminhe um cartão sem ter sido pedido, ao receber o item em casa, já é possível desconfiar de fraude. 

"O primeiro sinal é esse. Mesmo na embalagem do banco, com plástico perfeito, acaba não tendo credibilidade. O certo é aceitar apenas quando pedir. Quem recebeu deve ligar para o banco, caso o cartão seja de uma instituição que o consumidor tenha conta. Não se deve, em hipótese alguma, usar o cartão sem saber de onde veio. Isso é caso de polícia", frisou.

Para ele, se um criminoso consegue criar uma estrutura para clonar cartão, ele também conseguiria direcionar o chip para onde a pessoa que age de má-fé se quiser. 

"A pessoa vai a uma loja e pensa que está comprando, mas na verdade está fornecendo os dados para alguém, como a senha. É bom prestar atenção, já que o banco costuma separar o ato de envio e recebimento de cartão do ato de criar uma senha. Não se deve aceitar cartão que já venha com senha definida", finalizou.

O QUE DIZ O PROCON

O diretor-presidente do Procon-ES, Rogério Athayde, informou, por meio de nota, que nesse período de pandemia os golpes aplicados aumentaram, entre eles, boletos e sites de e-commerce falsos, clonagem de cartões de crédito, mensagens via aplicativo de texto são as fraudes mais comuns.

“Para não cair em golpes, o Procon recomenda que o consumidor não clique em links suspeitos de suposta instituição financeira, operadoras de telefonia, lojas, plataformas de viagens, dentre outras, que solicitam atualização de cadastro ou de e-mail ou, ainda, que ofereçam promoções muito vantajosas, ofertas de brindes ou prêmios. Essas mensagens geralmente são enviadas por e-mail, aplicativo de mensagens e SMS. Certifique-se de nunca fornecer os seus dados pessoais e bancários para outras pessoas. Outro golpe muito comum está relacionado à clonagem de sites, perfis na rede social e aplicativos que se passam por instituições oficiais e credenciadas. Fique atento ao acessar um site ou baixar algum aplicativo para ter a certeza de que se trata de um site oficial ou aplicativo da instituição financeira a qual é correntista”, orientou Athayde.

Caso tenha sido vítima de golpe, o Procon recomenda que o consumidor deve registrar imediatamente um boletim de ocorrência e comunicar a empresa. Se suspeitar sobre a veracidade de alguma comunicação de uma instituição oficial, recomenda-se que faça contato por meio dos canais de atendimento ao consumidor da empresa para maiores informações. 

O Procon-ES também poderá orientar o consumidor por meio do WhatsApp tira-dúvidas, no número (27) 3323-6237.

AS PRINCIPAIS FRAUDES

FALSO MOTOBOY

O que é?

O golpe começa com uma ligação ao cliente, de uma pessoa se passando por funcionário do banco, dizendo que o cartão foi clonado e que é preciso bloqueá-lo. Para isso, bastaria cortá-lo ao meio e pedir um novo pelo atendimento eletrônico. O falso funcionário pede a senha, e fala que, por segurança, um motoboy irá buscar o cartão. O que o cliente não sabe é que, com o cartão cortado ao meio, o chip permanece intacto, e é possível realizar diversas transações.

Como evitar?

Fique atento: nenhum banco pede o cartão de volta ou se oferece para retirá-lo. Então, desligue o telefone e consulte seu gerente sobre alguma irregularidade.

TROCA DE CARTÃO

O que é?

Ao entregar a maquininha para digitar a senha, o bandido se aproveita de alguma distração ou usa algum truque para desviar a atenção do comprador, que, sem perceber, digita a senha no campo de valor, em que aparecem os números digitados e não asteriscos.

O golpista consegue, assim, roubar a senha. Ainda aproveitando a falta de atenção, ele troca o cartão e devolve um similar e até do mesmo banco. E o consumidor só vai perceber a troca ao tentar usar o cartão novamente.

Como evitar?

Fique sempre atento ao seu cartão e confira-o na devolução. Veja se a senha está sendo digitada na tela certa. Lembre-se que o campo de senha mostra apenas asteriscos, nunca os números digitados.

DUPLA OPERAÇÃO OU VALOR ERRADO

O que é?

O bandido finge que o cartão não passou na maquininha e alega um problema qualquer do aparelho. Em seguida, ele pega outra maquininha e cobra novamente o valor (o mesmo, ou maior). O truque só é percebido ao se conferir o extrato, que revela o prejuízo.

Como evitar?

Sempre peça e confira o recibo, para ver se a operação foi realizada corretamente. E, se algo der errado, você sempre pode pedir para cancelar a operação imediatamente.

CENTRAIS FALSAS

O que é?

Os bandidos ligam, dizem ser da central antifraude do banco e pedem dados confidenciais. Eles podem usar até recursos tecnológicos, como gravações e menus, iguais aos dos bancos para aumentar a confiança da vítima.

Com essas informações e a senha fornecida, os criminosos conseguem alterar os bloqueios de segurança utilizados pelo banco, e conseguem, inclusive, limpar a conta bancária alvo do golpe.

Como evitar?

O banco nunca liga pedindo dados pessoais. Na dúvida, desligue o telefone e avise seu gerente.

TROCA DE CARTÃO NO CAIXA AUTOMÁTICO

O que é?

Enquanto o cliente usa o caixa eletrônico, o bandido se aproxima e oferece ajuda. Após ver a vítima digitar a senha, ele troca o cartão sem ser notado, e, com isso, realiza saques e compras. Até o golpe ser notado, o prejuízo será bem grande.

Como evitar?

Aceite ajuda apenas de funcionários identificados e nunca forneça sua senha. Na dúvida, chame o gerente do banco.

PÁGINAS, EMAILS E SMS FALSOS

O que é?

A pessoa recebe um e-mail ou mensagem com ofertas tentadoras e atrativas, com links que, na verdade, direcionam para um site falso. Acreditando se tratar de uma página confiável, o consumidor fornece dados sigilosos, como número de cartão e senhas. Com essas informações, o bandido realiza transações, burla bloqueios de segurança, desbloqueia cartões e confirma dados.

Como evitar?

Sempre verifique se o endereço da página é o correto. Além disso, nunca acesse links ou anexos de e-mails suspeitos. Mantenha seu sistema operacional e antivírus sempre atualizados.

APPS MALICIOSOS

O que é?

Um e-mail é enviado com um link que, ao ser clicado, instala um vírus no aparelho ou equipamento e dá aos bandidos acesso ao dispositivo. Com isso, eles conseguem acessar dados bancários no computador e realizar transações.

Como evitar?

Mantenha seu sistema operacional e antivírus sempre atualizados e não clique em links suspeitos.

TROCA DE CHIP DO CELULAR

O que é?

Após o bandido obter dados pessoais de um usuário, ele liga na companhia telefônica passando-se pelo cliente e solicita o bloqueio da linha.

Com documentos falsos, ele se dirige a uma loja da operadora de celular e habilita um novo chip de celular com o mesmo número daquele bloqueado, mesmo sem ter roubado o aparelho.

Depois de ter conseguido o número da conta corrente ou do cartão de crédito, utilizando algum outro método fraudulento, o golpista passa a usar o banco, passando-se pelo cliente verdadeiro.

Como o criminoso cancelou a linha telefônica da vítima, o correntista fica sem receber alertas de compras ou códigos de segurança (ex. Token SMS), enviados pela instituição financeira.

Um indício deste golpe é quando o celular para de funcionar repentinamente.

Como evitar?

Proteja seus dados pessoais, inclusive nas redes sociais, e não revele nenhuma informação a desconhecidos. Quando perceber qualquer movimentação estranha em sua conta corrente ou poupança, ou notar que seu celular parou de funcionar repentinamente, avise o gerente da sua conta ou contate a operadora do seu celular.

Fonte: Febraban

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