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Pagamento pelo WhatsApp vai atrair novos golpes; saiba se proteger

WhatsApp Pay está sendo liberado gradualmente aos usuários e permite transferências de dinheiro por meio do aplicativo sem o pagamento de taxas. Veja como funciona e os cuidados necessários

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 09/05/2021 às 16h30
O grupo de elite da Polícia Civil no WhatsApp ficou com apenas 12 dos 40 integrantes originais
WhatsApp agora aceita pagamentos. Crédito: Reprodução

WhatsApp liberou, nesta semana, a possibilidade de realizar transferências de dinheiro por meio do aplicativo sem o pagamento de taxas. O serviço, batizado de WhatsApp Pay, ainda não está habilitado em todas as contas e será disponibilizado gradualmente. Entretanto, especialistas já consideram que a nova função vai aumentar o número de tentativas de golpe envolvendo a plataforma.

O aplicativo, que conta com mais de 120 milhões de usuários no país, é famoso não apenas por permitir a rápida troca de mensagens de texto, imagens, vídeo, de arquivos, além de permitir ligações, mas também pela atração de estelionatários, que usam desde táticas sofisticadas de clonagem de contas até ações para se aproveitar da própria ingenuidade dos usuários para praticar fraudes.

Agora o risco é, além de ter seus contatos nas mãos de bandidos  — que se aproveitam disso para pedir dinheiro — o usuário pode ficar com seus dados financeiros expostos, embora os analistas digam que o Facebook criou mecanismos para proteger essas informações sensíveis.

Ao ter a função de pagamentos autorizada, o usuário precisará cadastrar um cartão de débito para utilizar. Apesar de o cadastro ocorrer por meio do WhatsApp, os dados do cartão ficam armazenados no Facebook Pay, que é uma plataforma externa do Facebook, que exige uma senha de acesso. 

"O WhatsApp é a ferramenta que conecta tudo, mas os dados não ficam armazenados ali. Então, mesmo que alguém invada a conta do aplicativo, não vai ter acesso aos dados do cartão. Para ter acesso, precisaria invadir o Facebook Pay, e poderia fazê-lo até mesmo sem precisar roubar a conta de WhatsApp de alguém, bastaria descobrir a senha", explicou o especialista em segurança da informação Gilberto Sudré.

Ele reforça que, neste caso, o WhatsApp deixaria de ser o alvo do ataque. Mas, se por algum motivo, a pessoa deixou a senha do Facebook Pay armazenada no WhatsApp, seja por meio de imagens ou mensagens, por exemplo, caso a conta fosse invadida, o criminoso conseguiria fazer transferências pelo aplicativo, e então roubar dinheiro da vítima. 

Além disso, como as operações realizadas ocorrem a partir de débito na conta — diferentemente do que ocorre em os outros aplicativos, como PicPay, Mercado Pago, Ame, entre outros, que permitem pagamento do cartão de crédito —, o usuário pode ter mais dificuldades para cancelar a operação, alegando fraude, e pode, muitas vezes, nem saber que seu saldo no banco diminuiu. Geralmente, qualquer movimento no crédito é informado pelas operadoras. Isso nem sempre ocorre com débito. 

Sudré observa que assim como ocorre no Pix, cada transação realizada pelo WhatsApp vai requerer um código de autenticação e confirmação, o que diminui as brechas de segurança. Além disso, o Facebook criou alguns bloqueios com limites diários de valores para transferências como forma de precaução, e, segundo a empresa, os dados do cartão, por exemplo, são protegidos com criptografia e por diversas camadas de segurança. Assim, o maior ponto de atenção deverá ser com a senha do Facebook Pay.

“Ainda será necessário tomar cuidado e utilizar a autenticação de dois fatores no app é uma das precauções possíveis, assim como evitar instalar qualquer aplicativo e não clicar em todo link recebido. Mas o maior risco por trás dessa nova ferramenta é a ingenuidade do usuário, e não um ataque externo.”

Essa mesma visão é compartilhada pelo professor da UCL e especialista em Segurança da Informação João Paulo Machado Chamon, que destaca que a maioria dos golpistas que buscam extorquir usuários por meio de redes sociais não têm grandes conhecimentos em tecnologia, e simplesmente utilizam-se da persuasão para convencer a vítima a lhe enviar dinheiro espontaneamente.

"Os ataques mais comuns não são de hackers, e sim de pessoas que vivem de aplicar golpe, por meio da chamada tecnologia social. Elas vendem um produto que não têm, prometem um serviço que não fazem, ou se passam por um conhecido e convencem o usuário a emprestar dinheiro por um ou outro motivo."

João Paulo Machado Chamon

Professor da UCL e especialista em Segurança da Informação

"A maioria das vítimas acredita em uma história contada por um golpista. Esses roubos que acontecem podem ser aplicados até sem essa nova função do WhatsApp, mas o fato de ter essa opção disponível torna mais fácil enviar dinheiro e, portanto, torna o golpe mais atrativo"

Ele alerta que pode se tornar comum, por exemplo, alguém comprar um chip de celular simples, criar uma conta do WhatsApp com esse novo número e, a partir de contatos que ele já tem - obtidos facilmente na internet - copia a foto e o nome da vítima, e até mesmo a descrição do perfil, e se finge que esse novo número é daquela pessoa. 

Depois, verifica as redes sociais da vítima, busca alguma informação pública e puxa conversa com um dos amigos cujo contato ele também obteve pela internet. A partir daí, conta uma história e convence a vítima a emprestar dinheiro.

"Lembrando que não são hackers, são estelionatários, e costumam ter um poder de convencimento muito grande. E alguém vai emprestar dinheiro porque como aquela conta tem a sua foto, e está conversando sobre um assunto que a verdadeira pessoa saberia, vai acreditar que é aquela pessoa. Então, não saia compartilhando qualquer coisa nas redes sociais. Nome, telefone, CPF, todo mundo consegue hoje em dia na internet, se pagar. São as informações que não estão nos bancos de dados que mais importam atualmente."

Uma dica de proteção nesse sentido, ele explica, é se manter atento e, se for abordado por alguém dizendo ser determinado conhecido, sempre plantar um questionamento que só a verdadeira pessoa saberia responder. Como comentar sobre uma briga entre parentes (que não existem) no grupo da família, falar sobre a morte do cachorro (que você não tem), entre outras possibilidades. 

"Não acho que o Facebook tenha lançado essa ferramenta sem se preocupar com o básico de segurança. A principal atenção que se deve ter é, realmente, com a própria ingenuidade. Os golpes são populares porque são simples."

COMO REALIZAR TRANSFERÊNCIAS PELO WHATSAPP

As transferências pelo WhatsApp são realizadas diretamente nas conversas com outros usuários. Basta tocar no ícone do clipe (Anexar) e depois pagamento, da mesma forma que faria para compartilhar fotos, contatos, entre outros arquivos.

WhatsApp vai permitir pagamento e transferência de recursos pelo app
WhatsApp permite pagamento e transferência de recursos pelo app. Crédito: Facebook/Divulgação

Mas para adicionar um pagamento pela primeira vez, é preciso cadastrar uma forma de pagamento, que pode ser um cartão de débito, um cartão múltiplo com função débito (isto é, um cartão que possui função crédito e débito), ou um cartão pré-pago emitido por um dos bancos participantes.

Bancos participantes e bandeiras disponíveis

  • Banco do Brasil: Visa
  • Banco Inter: Mastercard 
  • Bradesco: Visa 
  • Itaú: Mastercard 
  • Mercado Pago: Visa 
  • Next: Visa 
  • Nubank: Mastercard 
  • Sicredi: Mastercard e Visa 
  • Woop, a conta digital da Sicredi: Visa

Como cadastrar uma forma de pagamento

  • Abra a conversa com o contato para o qual você deseja enviar o dinheiro, toque em Anexar > Pagamento. 
  • Toque em CONTINUAR na tela do Facebook Pay. 
  • Toque em CONTINUAR para aceitar os Termos de Serviço e a Política de Privacidade do Pagamentos do WhatsApp, do Facebook Pagamentos e da Cielo.
  • Crie um PIN de 6 dígitos para o Facebook Pay.
  • Insira seu PIN do Facebook Pay novamente para confirmá-lo e toque em AVANÇAR. 
  • Para usar sua impressão digital ao invés de inserir seu PIN manualmente, toque em USAR IMPRESSÃO DIGITAL. Caso contrário, toque em Pular para inserir seu PIN manualmente. 
  • Insira seu nome, sobrenome e CPF. Em seguida, toque em Avançar. 
  • Adicione os dados do seu cartão, incluindo o número do seu cartão de débito, a data de validade e o código CVV. Toque em SALVAR. 
  • Após adicionar os dados do seu cartão, você poderá verificá-lo.

Veja como fazer:

Depois disso, basta realizar pagamentos.

TIRA-DÚVIDAS

Há cobrança de taxa para efetuar a transferência?

Não. O WhatsApp anunciou que os usuários do app poderão transferir dinheiro entre si por meio do aplicativo sem o pagamento de quaisquer taxas.

Quantas transações posso realizar? Há limite de valor para transferência?

O WhatsApp estabeleceu limites de valores e número de transações. Um usuário poderá enviar até R$ 1 mil por transação e receber até 20 pagamentos por dia, com um limite de R$ 5 mil no mês. Os bancos parceiros da empresa poderão estabelecer um limite menor, se for o caso.

É possível utilizar o serviço pelo computador?

Não. Não é possível usar o serviço de pagamentos no WhatsApp Web, nem no WhatsApp para computador.

Como saber se o aplicativo está atualizado para utilizar a nova função?

Verifique se a atualização automática dos apps do celular já está habilitada. No Android, basta abrir o Google Play, clicar no ícone de seu perfil, ir até Configurações e verificar se a opção "atualizar apps automaticamente" está ativada. Assim, o WhatsApp será atualizado regularmente.  No iPhone ou iPad, entre em "ajustes", veja a App Store, e aí é só verificar se está ativada a opção "atualizações de apps", que prevê a atualização automática.

Se a opção de atualização automática não estiver habilitada, também é possível verificar, manualmente, se o aplicativo está atualizado. Para isso, basta procurar pelo WhatsApp na loja de aplicativos, e verificar se há alguma recomendação de atualização.

Ainda assim, é preciso lembrar os pagamentos no WhatsApp estão sendo habilitados aos poucos, de modo que podem não aparecer imediatamente após uma atualização. Eles podem ser ativados também quando você receber a primeira transferência de outra pessoa para a qual essa opção já está disponível.

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