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Quem sofre

O que o setor empresarial fala dos impactos do novo tarifaço

Segmento de rochas do ES consegue evitar inclusão dos quartzitos entre os produtos taxados

Publicado em 16 de Julho de 2026 às 15:40

Maurílio Mendonça

Publicado em 

16 jul 2026 às 15:40

O tarifaço saiu, e entre os produtos capixabas exportados para os Estados Unidos (EUA), o setor de rochas acabou como um dos mais atingidos. A nova tarifa adicional de 25% vai atingir as exportações de mármores, granitos, ardósias e outros materiais.


Um impacto relevante para as pequenas e médias empresas do segmento, principalmente do Espírito Santo, na visão da Associação Brasileira de Rocha Naturais (Centrorochas). Mas os quartzitos brasileiros, que é o principal produto exportado pelo setor para o Estados Unidos, seguem isentos.

Vitória Stone Fair 2020: placas de mármore e granito expostas
Mármores e granitos entraram na lista do novo tarifaço dos EUA Siumara Gonçalves

As novas tarifas passam a vigorar em 22 de julho de 2026. Isso significa que a taxa adicional será inserida nos produtos vendidos a partir dessa data. Entre os produtos mais afetados com a sobretaxa estão o etanol, máquinas agrícolas e de construção, calçados e vestuários, maquinário elétrico, papel, açúcar orgânico, manufaturados em geral e diversos itens industriais processados.

Isenções

O documento publicado pelo Escritório do Representante de Comércio dos Estados Unidos (USTR), no âmbito das investigações da seção 301, traz mais de 2 mil produtos brasileiros que seguem isentos dessa nova tarifa. Ao lado dos quartzitos estão café, laranja (fruta e suco), petróleo bruto, gás natural, castanhas, celulose, carne bovina, entre outras mercadorias.


O setor de produção de café, por sinal, conseguiu ampliar os produtos isentos: além do do grão verde e dos industrializados do Brasil, a opção solúvel e seus subprodutos também ficaram livres do tarifaço. Isso é uma importante conquista, já que o país exporta mais de US$ 2 bilhões, por ano, aos Estados Unidos – que é o maior consumidor e importador mundial de café, com o Brasil sendo seu maior exportador.


Esse resultado foi celebrado pelas Associações Brasileiras das Indústrias de Café (Abic) e de Café Solúvel (Abics) e pelo Conselho dos Exportadores de Café do Brasil (Cecafé). Porém, às instituições ponderam sobre uma segunda investigação do USTR na seção 301 da Lei de Comércio dos Estados Unidos que está em andamento. A apuração envolve trabalho forçado. Há possibilidade de trazer novas tarifas para o café brasileiro, na ordem de 12,5%.

Café solúvel ficou entre os produtos isentos da nova taxa de 25% Divulgação/Abic

Resíduos de ferro e aço, assim como o ferro-gusa, também estão isentos da nova tarifa norte-americana sobre os produtos exportados pelo Brasil, assim como o hidróxido de alumínio. O mel brasileiro também está livre da taxa; e até alguns pescados, a exemplo de atum e tilápia, e crustáceos, incluindo a lagosta.


Entre as frutas, junto com a laranja foram isentadas banana, abacaxi, goiaba, manga, mamão, limão, kiwi, abacate, coco e açaí. 

CNI

A Confederação Nacional da Indústria (CNI) acompanha com preocupação essa nova rodada de tarifas sobre exportações brasileiras. Essa sobretaxa, por sinal, agrava o cenário e amplia a insegurança para empresas dos dois países, alega a instituição. 


"Os efeitos do aumento de tarifas dos Estados Unidos estão sendo cada vez mais sentidos pela indústria brasileira: 20 dos 27 Estados reduziram suas exportações ao mercado norte-americano no primeiro semestre. E o cenário tende a piorar, corroendo ainda mais a competitividade da indústria brasileira. Não podemos poupar esforços para reverter essa lógica e retomar a relação que Brasil e Estados Unidos construíram", afirma o presidente da CNI, Ricardo Alban.


E essa preocupação tende a ser ainda maior para os exportadores capixabas. Afinal, o Espírito Santo é o terceiro entre os quatro estados que mais exportam para os EUA: Sergipe (52,3%), Ceará (33,4%), Espírito Santo (27,5%) e São Paulo (17,1%). E somente neste primeiro semestre, os quatro estados somaram US$ 7,8 bilhões de produtos exportados aos Estados Unidos.

FIESP

A nova sobretaxa também foi lamentada pela Fiesp, considerando-a especialmente prejudicial por se limitar de forma unilateral ao Brasil. “O mercado norte-americano é o principal destino de produtos brasileiros de alto valor agregado. Esse novo ‘pedágio’ imposto às exportações se soma à crônica realidade enfrentada pelas nossas empresas, que convivem com alta carga tributária e com as taxas de juros reais mais elevadas do mundo, entre outros desafios”, diz Paulo Skaf, presidente da Fiesp.


Com informações de agências

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