A tireoide é uma glândula produtora de hormônios que regula o metabolismo e influencia funções como ritmo cardíaco e temperatura corporal. Ela também está ligada ao desenvolvimento durante a infância e a adolescência, à regulação dos ciclos menstruais, à fertilidade, ao peso, à memória, à concentração, ao humor e ao controle emocional.
Quando há alterações nessa glândula, podem surgir diferentes problemas de saúde, entre eles, o câncer de tireoide, um dos principais tumores do sistema endócrino e o quinto tipo de câncer mais frequente entre as mulheres.
A incidência da doença vem crescendo no Brasil e no mundo. Em 2026, segundo o Instituto Nacional de Câncer (INCA), estima-se o surgimento de 16.450 novos casos, bem acima dos 9.200 registrados em 2014. O aumento é atribuído às melhorias do processo diagnóstico, como o uso dos exames de ultrassom e de novas técnicas de biópsia. Apesar do crescimento, as taxas de mortalidade permanecem baixas: foram 988 óbitos no país em 2023, ainda conforme o órgão auxiliar do Ministério da Saúde.
A seguir, o médico especializado em câncer de cabeça e pescoço Vinícius Freire, da Oncologia D’Or, esclarece os principais pontos sobre o câncer de tireoide. Confira!
Sintomas do câncer de tireoide
Na maioria das vezes, os pacientes não apresentam sintomas porque possuem tumores pequenos. À medida que o quadro evolui, podem aparecer nódulos, caroços ou inchaço no pescoço, dificuldade para engolir, rouquidão ou outras alterações na voz. O diagnóstico é feito a partir do histórico clínico, do exame físico e da realização de ultrassonografia no pescoço para a identificação de um nódulo com características suspeitas.
Fatores de risco
Os grupos de risco da doença incluem adultos com 50 anos ou mais, mulheres, obesos ou com sobrepeso, pessoas com dietas pobres em iodo, com histórico familiar de câncer de tireoide ou com histórico de irradiação no pescoço ou radioterapia, mesmo em baixas doses (principalmente na infância).
O câncer de tireoide é mais comum nas mulheres por razões ainda não totalmente esclarecidas. Esta neoplasia acomete cinco vezes mais as mulheres do que os homens. Há hipóteses que associam a doença a fatores hormonais e às disparidades no acesso à realização de exames.
Tratamento para o câncer de tireoide
Mais de 90% dos tumores na tireoide são carcinomas papilares e foliculares, que apresentam altas chances de cura, principalmente quando diagnosticados de forma precoce. Eles também são conhecidos como carcinomas bem diferenciados devido à semelhança estrutural e funcional com o tecido tireoidiano normal.
A principal forma de tratamento para esse tipo de câncer é a cirurgia, que pode ser realizada para a remoção total ou parcial da tireoide, a depender do grau em que a doença é diagnosticada. Quando há risco elevado de a doença voltar, recomenda-se a complementação com terapia com iodo radioativo, que consiste na ingestão de uma pequena quantidade dessa substância para destruir o tecido tumoral remanescente.
Nos últimos anos, o tratamento do câncer diferenciado da tireoide metastático e que não responde (refratária) ao iodo radioativo evoluiu muito com a incorporação de terapias-alvo moleculares. A imunoterapia também pode ser recomendada caso o paciente apresente a doença avançada, refratária ao iodo radioativo e com alta carga mutacional tumoral.
Prevenindo a doença
Alguns cuidados podem ajudar na prevenção do câncer de tireoide, como o controle do peso, uma dieta saudável e a prática de atividade física. O mapeamento genético é indicado para pessoas com dois parentes de primeiro grau que tiveram carcinoma bem diferenciado de tireoide ou qualquer caso de carcinoma medular de tireoide. No caso de carcinoma medular de tireoide, o objetivo é identificar a existência de uma mutação no gene RET — o principal marcador deste subtipo de tumor, que, apesar de raro, é mais agressivo.
Por Nora Ferreira