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Data: 05/03/2020 - Atividade portuária, transporte de contêineres, exportação e importação
Crise pode reduzir a importação e exportação de produtos em todo o mundo Pixabay
Nova ordem mundial

Coronavírus: globalização dará passo atrás, mas ES pode se beneficiar

Países  têm repensando a organização das indústrias para substituir as importações – o que pode acabar favorecer as empresas brasileiras e capixabas, segundo especialistas

Giordany Bozzato

Publicado em

03 mai 2020 às 07:53
Data: 05/03/2020 - Atividade portuária, transporte de contêineres, exportação e importação
Crise pode reduzir a importação e exportação de produtos em todo o mundo Crédito: Pixabay
A crise provocada pelo coronavírus não deve mudar apenas a realidade que é mais próxima de nós – como empregos, empresas e formas de consumo. Existe a possibilidade de que até mesmo acordos multilaterais entre países sejam afetados pelos impactos da Covid-19. Para o economista e professor da Universidade de Brasília José Luís Oreiro, por exemplo, a própria globalização deverá caminhar para trás depois de passada a pandemia.
“Para se ter ideia, 92% dos respiradores são produzidos na China. Isso é uma dependência muito grande em um único local. Antes da doença chegar ao Brasil, muitas indústrias que não tinham relação com o vírus foram afetadas porque a cadeia produtiva depende de materiais que passam pela Ásia”, ressalta.
O coronavírus trouxe transformações e muitas devem permanecer após a pandemia, como mostra a série de reportagem sobre essa "nova ordem mundial" instalada no combate ao novo inimigo da humanidade. As políticas econômicas, as relações de trabalho, o formato de gerenciar as nações são alterações vistas como o "novo normal" e devem permanecer.
Existe até a possibilidade de que blocos continentais como a União Europeia e o Mercosul sejam reduzidos, após a saída de países dos grupos – assim como aconteceu com o Reino Unido recentemente. Outra prova disso é que a Argentina decidiu sair das negociações comerciais do Mercosul com outros países.
As únicas exceções são os acordos o Mercosul firmados com a União Europeia e com o Efta (bloco europeu formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechstenstein). O presidente argentino, Alberto Fernández, tem sido pressionado para proteger as empresas nacionais do aumento de importações e outros acordos do Mercosul poderiam enfraquecer a já em crise indústria argentina.
O economista também lembra que havendo retrocesso na globalização e, consequentemente, a redução do comércio entre os países, as nações deverão pensar em organizar as indústrias para substituir importações.
"O mundo inteiro está caminhando neste sentido. O Japão, por exemplo, está subsidiando o retorno de empresas que estão em outros países. A Alemanha está restringindo a venda de empresas para gigantes chinesas, então é grande a possibilidade das indústrias nacionais ganharem força"
José Luís Oreiro - Economista e professor da Universidade de Brasília
“Fazer isso é possível, mas vai na contramão daquilo que o Brasil tem pregado nos últimos anos. Há autores que defendem que o afastamento do país das questões econômicas e a redução dos investimentos públicos estejam diretamente ligados à estagnação da economia. Vejo como sendo o fim do discurso neoliberal”, aponta Oreiro.
Até por conta dessa revalorização do Estado é que se torna importante que os governantes mantenham as contas públicas equilibradas. “O equilíbrio das contas públicas é uma das primeiras lições que tiramos dessa crise. Como o governo pode ajudar quem mais precisa se não tem equilíbrio fiscal? Alguma ajuda ele até consegue dar, mas poderia fazer ainda mais se estivesse mais organizado”, destaca o economista e pesquisador do FGV Ibre Rodolpho Tobler. l

ESTADO PODE SER OPÇÃO À CHINA

Com a possibilidade de redução da globalização e do comércio entre os países, o Espírito Santo pode se mostrar como uma opção para a instalação de indústrias e fabricação de produtos que podem deixar de ser importados.
O gerente de Petróleo e Gás da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Durval Vieira de Freitas, também avalia que o mundo está muito dependente da China, que se tornou a fábrica do mundo.
Uma retirada das indústrias do país asiático pode ajudar a desenvolver a indústria no Estado. “Estamos passando por uma crise fortíssima. Talvez só voltemos à normalidade lá para o final do ano. Mas se tem algo que podemos pensar que pode ser bom é essa retomada das indústrias locais”, pondera.
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Crédito: pixabay/MiroslavaChrienova
O outro lado desta mesma moeda de enfraquecimento da globalização aponta para o setor de importação e exportação. A saída para ele, segundo avalia o presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), Marcílio Machado, é a busca de novos mercados.
“Se tem algo que essa crise tem mostrado é que nem todos os segmentos do mercado caem ao mesmo tempo. Nós vimos que a venda de celulose cresceu, do minério para a China também cresceu, que as vendas para a Malásia cresceram. Então, existe mercado consumidor, só que as empresas têm que procurar por esses mercados”, avalia.

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