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Crise pode reduzir a importação e exportação de produtos em todo o mundo
Crise pode reduzir a importação e exportação de produtos em todo o mundo. Crédito: Pixabay

Coronavírus: globalização dará passo atrás, mas ES pode se beneficiar

Países  têm repensando a organização das indústrias para substituir as importações – o que pode acabar favorecer as empresas brasileiras e capixabas, segundo especialistas

Publicado em 03/05/2020 às 07h53
Atualizado em 06/05/2020 às 15h25

A crise provocada pelo coronavírus não deve mudar apenas a realidade que é mais próxima de nós – como empregos, empresas e formas de consumo. Existe a possibilidade de que até mesmo acordos multilaterais entre países sejam afetados pelos impactos da Covid-19. Para o economista e professor da Universidade de Brasília José Luís Oreiro, por exemplo, a própria globalização deverá caminhar para trás depois de passada a pandemia.

“Para se ter ideia, 92% dos respiradores são produzidos na China. Isso é uma dependência muito grande em um único local. Antes da doença chegar ao Brasil, muitas indústrias que não tinham relação com o vírus foram afetadas porque a cadeia produtiva depende de materiais que passam pela Ásia”, ressalta.

O coronavírus trouxe transformações e muitas devem permanecer após a pandemia, como mostra a série de reportagem sobre essa "nova ordem mundial" instalada no combate ao novo inimigo da humanidade. As políticas econômicas, as relações de trabalho, o formato de gerenciar as nações são alterações vistas como o "novo normal" e devem permanecer.

Existe até a possibilidade de que blocos continentais como a União Europeia e o Mercosul sejam reduzidos, após a saída de países dos grupos – assim como aconteceu com o Reino Unido recentemente. Outra prova disso é que a Argentina decidiu sair das negociações comerciais do Mercosul com outros países.

Coronavírus ao redor do mundo

Trabalhadores municipais vestindo   roupas de proteção pulverizam produtos   químicos e desinfetam ruas em área da   capital Bucareste, na Romênia.  - Foto: VADIM GHIRDA/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Fotos mostram que a pandemia esvazia as ruas e governos travam batalhas no combate ao coronavírus. VADIM GHIRDA
Equipe médica remove paciente infectado com o coronavírus em um trem na  estação de Gare d'Austerlitz, em Paris.  01/04/2020 - Foto: THOMAS SAMSON/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Equipe médica remove paciente infectado com o coronavírus em um trem na estação de Gare d'Austerlitz, em Paris. . THOMAS SAMSON
Vista da Praça de São Pedro, no Vaticano, nesta quarta-feira, 01, dia da   tradicional  audiência geral semanal celebrada por Papa Francisco.    01/04/2020 - Foto: ANDREW MEDICHINI/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Vista da Praça de São Pedro, no Vaticano, nesta quarta-feira, 01, dia da tradicional audiência geral semanal celebrada por Papa Francisco. . ANDREW MEDICHINI
Vista do Templo Kotoku-in, sem movimento nesta quarta-feira, 01, em   Kamakura, perto de Tóquio, no Japão. - Foto: KOJI SASAHARA/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Vista do Templo Kotoku-in, sem movimento nesta quarta-feira, 01, em Kamakura, perto de Tóquio, no Japão. . KOJI SASAHARA
Equipes trabalham na preparação para   abrir um hospital de emergência com 68   leitos especialmente equipado com uma   unidade respiratória no Central Park,   em Nova York. 31/03/2020 - Foto: MARY ALTAFFER/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Equipes trabalham na preparação para abrir um hospital de emergência com 68 leitos especialmente equipado com uma unidade respiratória no Central Park, em Nova York. . MARY ALTAFFER
Toldo branco se estende pela Plaza de  Toros de Acho, em Lima, no Peru, para abrigar infectados pelo no coronavírus..   31/03/2020 - Foto: RODRIGO ABD/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Toldo branco se estende pela Plaza de Toros de Acho, em Lima, no Peru, para abrigar infectados pelo no coronavírus. RODRIGO ABD
A Guarda Nacional do Exército do Texas montou um hospital de campanha em resposta à   nova crise da covid-19,- Foto: SMILEY N. POOL/The Dallas Morning News /ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
A Guarda Nacional do Exército do Texas montou um hospital de campanha em resposta à nova crise da covid-19. SMILEY N. POOL
Trabalhadores municipais vestindo   roupas de proteção pulverizam produtos   químicos e desinfetam ruas em área da   capital Bucareste, na Romênia.  - Foto: VADIM GHIRDA/ASSOCIATED PRESS/ESTADÃO CONTEÚDO
Trabalhadores municipais vestindo roupas de proteção pulverizam produtos químicos e desinfetam ruas em área da capital Bucareste, na Romênia. . VADIM GHIRDA
Trabalhadores municipais vestindo   roupas de proteção pulverizam produtos   químicos e desinfetam ruas em área da   capital Bucareste, na Romênia. 
Trabalhadores municipais vestindo   roupas de proteção pulverizam produtos   químicos e desinfetam ruas em área da   capital Bucareste, na Romênia. 
Trabalhadores municipais vestindo   roupas de proteção pulverizam produtos   químicos e desinfetam ruas em área da   capital Bucareste, na Romênia. 
Trabalhadores municipais vestindo   roupas de proteção pulverizam produtos   químicos e desinfetam ruas em área da   capital Bucareste, na Romênia. 
Trabalhadores municipais vestindo   roupas de proteção pulverizam produtos   químicos e desinfetam ruas em área da   capital Bucareste, na Romênia. 
Trabalhadores municipais vestindo   roupas de proteção pulverizam produtos   químicos e desinfetam ruas em área da   capital Bucareste, na Romênia. 
Trabalhadores municipais vestindo   roupas de proteção pulverizam produtos   químicos e desinfetam ruas em área da   capital Bucareste, na Romênia. 
Trabalhadores municipais vestindo   roupas de proteção pulverizam produtos   químicos e desinfetam ruas em área da   capital Bucareste, na Romênia. 

As únicas exceções são os acordos o Mercosul firmados com a União Europeia e com o Efta (bloco europeu formado por Suíça, Noruega, Islândia e Liechstenstein). O presidente argentino, Alberto Fernández, tem sido pressionado para proteger as empresas nacionais do aumento de importações e outros acordos do Mercosul poderiam enfraquecer a já em crise indústria argentina.

O economista também lembra que havendo retrocesso na globalização e, consequentemente, a redução do comércio entre os países, as nações deverão pensar em organizar as indústrias para substituir importações.

José Luís Oreiro

Economista e professor da Universidade de Brasília

"O mundo inteiro está caminhando neste sentido. O Japão, por exemplo, está subsidiando o retorno de empresas que estão em outros países. A Alemanha está restringindo a venda de empresas para gigantes chinesas, então é grande a possibilidade das indústrias nacionais ganharem força"

“Fazer isso é possível, mas vai na contramão daquilo que o Brasil tem pregado nos últimos anos. Há autores que defendem que o afastamento do país das questões econômicas e a redução dos investimentos públicos estejam diretamente ligados à estagnação da economia. Vejo como sendo o fim do discurso neoliberal”, aponta Oreiro.

Até por conta dessa revalorização do Estado é que se torna importante que os governantes mantenham as contas públicas equilibradas. “O equilíbrio das contas públicas é uma das primeiras lições que tiramos dessa crise. Como o governo pode ajudar quem mais precisa se não tem equilíbrio fiscal? Alguma ajuda ele até consegue dar, mas poderia fazer ainda mais se estivesse mais organizado”, destaca o economista e pesquisador do FGV Ibre Rodolpho Tobler. l

ESTADO PODE SER OPÇÃO À CHINA

Com a possibilidade de redução da globalização e do comércio entre os países, o Espírito Santo pode se mostrar como uma opção para a instalação de indústrias e fabricação de produtos que podem deixar de ser importados.

O gerente de Petróleo e Gás da Federação das Indústrias do Espírito Santo (Findes), Durval Vieira de Freitas, também avalia que o mundo está muito dependente da China, que se tornou a fábrica do mundo.

Uma retirada das indústrias do país asiático pode ajudar a desenvolver a indústria no Estado. “Estamos passando por uma crise fortíssima. Talvez só voltemos à normalidade lá para o final do ano. Mas se tem algo que podemos pensar que pode ser bom é essa retomada das indústrias locais”, pondera.

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Crédito: pixabay/MiroslavaChrienova

O outro lado desta mesma moeda de enfraquecimento da globalização aponta para o setor de importação e exportação. A saída para ele, segundo avalia o presidente do Sindicato do Comércio de Exportação e Importação do Espírito Santo (Sindiex), Marcílio Machado, é a busca de novos mercados.

“Se tem algo que essa crise tem mostrado é que nem todos os segmentos do mercado caem ao mesmo tempo. Nós vimos que a venda de celulose cresceu, do minério para a China também cresceu, que as vendas para a Malásia cresceram. Então, existe mercado consumidor, só que as empresas têm que procurar por esses mercados”, avalia.

Coronavírus deixa mundo em alerta

Trabalhadores vestindo roupas de proteção pulverizam desinfetante como precaução contra o coronavírus em uma garagem de ônibus em Seul, na Coreia   do Sul
Trabalhadores vestindo roupas de proteção pulverizam desinfetante como precaução contra o coronavírus em uma garagem de ônibus em Seul, na Coreia do Sul. AHN YOUNG-JOON / AP
Um oficial mede a temperatura dos passageiros estrangeiros desembarcados do navio de cruzeiro Diamond Princess antes do embarque em um ônibus no  Porto de Yokohama, perto de Tóquio.
Um oficial mede a temperatura dos passageiros estrangeiros desembarcados do navio de cruzeiro Diamond Princess antes do embarque em um ônibus no Porto de Yokohama, perto de Tóquio. EUGENE HOSHIKO / AP / ESTADÃO CONTEÚDO
Turistas usam máscaras de proteção na cidade de Veneza, na Itália, onde o tradicional evento de carnaval foi cancelado devido ao surto do novo coronavírus
Turistas usam máscaras de proteção na cidade de Veneza, na Itália, onde o tradicional evento de carnaval foi cancelado devido ao surto do novo coronavírus. RENATA BRITO / AP / ESTADÃO CONTEÚDO
Vista do H10 Adeje Palace, hotel localizado nas Ilhas Canárias, na Espanha, que foi colocado em quarentena após um médico italiano hospedado no local ter sido testado positivamente para o coronavírus
Vista do H10 Adeje Palace, hotel localizado nas Ilhas Canárias, na Espanha, que foi colocado em quarentena após um médico italiano hospedado no local ter sido testado positivamente para o coronavírus. ASSOCIATED PRESS / ESTADÃO CONTEÚDO
Pedestres usam máscaras de proteção nas ruas da cidade de Hong Kong, território chinês semiautônomo, nesta quarta-feira, 26. A China informou que foram registrados novos 406 casos e 52 mortes decorrentes de infecção pelo coronavírus
Pedestres usam máscaras de proteção nas ruas da cidade de Hong Kong, território chinês semiautônomo, nesta quarta-feira, 26. A China informou que foram registrados novos 406 casos e 52 mortes decorrentes de infecção pelo coronavírus. VINCENT YU / AP / ESTADÃO CONTEÚDO
Trabalhadores desinfetam trens do metrô como parte de uma ação de combate   ao surto do coronavírus em Teerã, no Irã
Trabalhadores desinfetam trens do metrô como parte de uma ação de combate ao surto do coronavírus em Teerã, no Irã. Sajjad Safai/Agência Estado
Tripulantes de voos usam roupa especial de proteção contra o coronavírus
Tripulantes de voos usam roupa especial de proteção contra o coronavírus. Divulgação
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa para falar sobre as medidas tomadas pelo governo em relação ao coronavírus
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa para falar sobre as medidas tomadas pelo governo em relação ao coronavírus . Pedro Ladeira/Folhapress
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa para falar sobre as medidas tomadas pelo governo em relação ao coronavírus
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa para falar sobre as medidas tomadas pelo governo em relação ao coronavírus
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa para falar sobre as medidas tomadas pelo governo em relação ao coronavírus
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa para falar sobre as medidas tomadas pelo governo em relação ao coronavírus
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa para falar sobre as medidas tomadas pelo governo em relação ao coronavírus
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa para falar sobre as medidas tomadas pelo governo em relação ao coronavírus
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa para falar sobre as medidas tomadas pelo governo em relação ao coronavírus
O ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, durante coletiva de imprensa para falar sobre as medidas tomadas pelo governo em relação ao coronavírus

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