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"BR Ratobrás"

Empresários do ES são suspeitos de financiar esquema de roubo de combustível

Dois homens apontados como líderes do esquema têm empresas registradas no Estado. Grupo criminoso organizava esquema de furar dutos da Petrobras através aplicativo de mensagem

Publicado em 23 de Fevereiro de 2022 às 20:27

Natalia Bourguignon

Publicado em 

23 fev 2022 às 20:27
Dois empresários do Espírito Santo são apontados pelo Ministério Público do Rio de Janeiro como líderes da organização criminosa suspeita de furtar petróleo e combustível da Petrobras no Estado carioca. O esquema foi revelado pela Operação Ratoeira, deflagrada nesta quarta-feira (23) nos dois estados e também em Minas Gerais e Pernambuco.
Segundo denúncia do MPRJ, Robson Teixeira Alves Gusmão e Magnojai Rizzari Recla, conhecido como “Magno”, receptavam o produto roubado dos oleodutos, destinando-o às empresas das quais são sócios, além de negociar com outros receptadores.
As investigações apontaram que eles também financiavam as demais etapas do esquema.
Tanques de armazenagem de combustíveis foram vistoriados
Tanques de armazenagem de combustíveis foram vistoriados Crédito: Reprodução
“Os diálogos travados entre os integrantes da organização criminosa, bem como os comprovantes de transferências bancárias acostados aos autos, deixam claro que os denunciados financiavam a estrutura da malta, sendo os responsáveis pelos pagamentos dos gastos com as viagens dos motoristas que faziam o transporte da carga subtraída e demais despesas necessárias para o desempenho da atividade criminosa”, diz o documento.
Além disso, a denúncia do MPRJ aponta que cabia a eles providenciar os “batedores”, ou seja, os veículos que iam à frente dos caminhões com o combustível furtado. Eles serviam para verificar a existência de fiscalização e de policiamento no trajeto percorrido e, assim, assegurar que o produto do crime chegasse ao destino.
Segundo informações da Receita Federal, tanto Robson quanto Magno têm empresas sediadas no Espírito Santo. Entre elas está um posto de combustíveis e uma distribuidora de produtos petroquímicos.
Empresários do ES são suspeitos de financiar esquema de roubo de combustível
A Gazeta tentou contato com os empresários nos telefones das empresas, mas não houve resposta.
Segundo as investigações, a organização criminosa se comunicava por WhatsApp em conversas privadas mas também através de um grupo que teria sido criado por Magno no aplicativo de mensagens.
“A organização criminosa contava com nome e logotipo próprios, intitulando-se 'BR RATOBRÁS'", diz a denúncia.
Logo do grupo BR Ratobras, de furto de petróleo e combustíveis
Logo do grupo BR Ratobras, de furto de petróleo e combustíveis Crédito: Reprodução/TV Globo

EMPRESÁRIO DO ES FOI PRESO EM SP

No Espírito Santo, três envolvidos no esquema foram procurados, segundo apurou a reportagem de A Gazeta. Em Ibiraçu, um homem de 51 anos foi preso, levado para a delegacia da cidade e posteriormente conduzido ao Centro de Detenção Provisória de Aracruz.
“A investigação aponta que ele tinha caminhões que eram usados pelo grupo no transporte do combustível furtado”, contou o titular da Delegacia de Polícia de Ibiraçu, delegado Leandro Sperandio.
Já em Vitória, a operação procurou por Robson e, em João Neiva, por Magnojai, mas nenhum dos dois foi encontrado.  Este último foi localizado em São Paulo e preso com auxílio da Polícia Civil local.
Magnojai já esteve detido em 2016 por adulteração de combustíveis quando a polícia estourou um laboratório clandestino. Ele é suspeito de ter envolvimento em fraudes, ocasião em que o posto de combustível dele foi interditado e permanece desativado.
Na casa dele, os policiais apreenderam HDs, e dois veículos, sendo um Kia Optima e uma moto esportiva da Yamaha de alta cilindrada. 
Ao todo, foram cumpridos 10 mandados de prisão e 26 de busca e apreensão nos quatro estados.

A INVESTIGAÇÃO

As investigações tiveram início com a prisão de dois homens em 2017, em Magé, no Rio de Janeiro. Eles dirigiam caminhões com 30 mil litros de petróleo cada um, produto que teria sido furtado de dutos da Transpetro.
Os celulares dos suspeitos foram apreendidos e, após autorização judicial, foram periciados, revelando as conversas entre os integrantes da organização criminosa.
“A análise do conteúdo do celular demonstra a existência de organização criminosa, estruturalmente ordenada, com dimensões consideráveis e composta pelos ora denunciados”, ressalta a denúncia.
De acordo com a Polícia Civil carioca, a estrutura do bando é formada por três núcleos. Um é o responsável por perfurar os dutos da subsidiária da Petrobras com uso de equipamentos próprios; o outro pela extração e transporte do petróleo e combustível furtado em caminhões; e o terceiro é composto por empresários receptores do produto.
Ainda de acordo com as investigações, através dos aplicativos de mensagens eles planejavam estratégias de atuação, principalmente em áreas remotas e em horários noturnos.
De acordo com a Polícia Civil, o furto de petróleo e derivados, a partir da perfuração de dutos da Transpetro/Petrobras, é classificado como um crime de alta periculosidade social.
Além de causar prejuízos econômicos à empresa e, por via indireta, ao consumidor, cria um risco concreto de vazamentos, incêndios, explosões e danos ambientais, colocando em perigo as comunidades vizinhas às faixas de dutos e o meio ambiente.

Atualização

23/02/2022 - 9:44
Na noite desta quarta-feira (23), após a publicação da reportagem, o delegado de Ibiraçu, Leandro Sperandio, afirmou que um dos empresários capixabas que havia sido procurado no Espírito Santo foi encontrado em São Paulo e preso com auxílio da Polícia Civil paulista. O texto foi atualizado. 

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