ASSINE

Desemprego atinge 269 mil no ES; taxa de desocupação fica em 12,9%

O dado  do primeiro trimestre deste ano é o pior para o período desde 2017, segundo a PNAD-C, divulgada nesta quinta pelo IBGE

Publicado em 27/05/2021 às 09h53
 Filas gigantes nos bancos de Campo Grande, marcaram a quarta-feira de comércio aberto na Grande Vitória
Pesquisa do IBGE só pegou um pequeno pedaço da quarentena. Crédito: Fernando Madeira

A taxa de desemprego no Espírito Santo no primeiro trimestre deste ano foi de 12,9%, sendo a mais alta para o período desde 2017, mesmo após ter apresentado recuo em comparação com os últimos três meses de 2020, quando o resultado foi de 13,4%. Ao todo, 269 mil pessoas estavam desempregadas nos primeiros três meses do ano.

Em relação a janeiro a março do ano passado (11,1%), houve um avanço no índice de desocupação, segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílios Contínua (Pnad-C) Trimestral, divulgada nesta quinta-feira (27) pelo Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE).

O levantamento, porém, só pegou o início da quarentena, que levou ao fechamento do comércio e de diversas atividades econômicas para impedir o avanço de variantes do novo coronavírus no Estado.

No total de 3.392 pessoas com idade a partir de 14 anos, 2,087 milhões estavam na força de trabalho, sendo 1,818 milhão ocupadas e 269 mil consideradas desempregadas.

De acordo com o IBGE, entre os 1,818 milhão trabalhadores que têm alguma atividade econômica, 124 mil estão subocupadas, ou seja, atuam poucas horas, não consigo ter renda suficiente para sobreviver.

Dos 1,304 milhão fora da força de trabalho, 140 mil têm vontade de trabalhar e outros 60 mil são considerados desalentados, ou seja, desistiram de procurar trabalho porque não encontravam oportunidades.

A Pnad ainda mostra que houve uma evolução na contratação de trabalhadores com carteira assinada no período, indo no mesmo movimento dos dados do mercado formal divulgados pelo Cadastro de Empregados e Desempregados do Ministério da Economia até março.

Nos outros setores, como trabalhador por conta própria com CNPJ e empregada doméstica com carteira assinada houve certa estabilidade. Ocorreu crescimento, no entanto, no número de trabalhadores autônomos informais ( de 356 mil para 385 mil) e no de faxineiras (de 54 mil para 74 mil).

DADOS DO BRASIL

No país, a taxa de desocupação subiu para 14,7% no primeiro trimestre deste ano, uma alta de 0,8 ponto percentual na comparação com o último trimestre de 2020 (13,9%), na contramão do que ocorreu no Espírito Santo.

Isso corresponde a mais 880 mil pessoas desocupadas, totalizando 14,8 milhões na fila em busca de um trabalho no país. É a maior taxa e o maior contingente de desocupados de todos os trimestres da série histórica, iniciada em 2012.

“Esse aumento da população desocupada é um efeito sazonal esperado. As taxas de desocupação costumam aumentar no início de cada ano, tendo em vista o processo de dispensa de pessoas que foram contratadas no fim do ano anterior. Com a dispensa nos primeiros meses do ano, elas tendem a voltar a pressionar o mercado de trabalho”, explica a analista da pesquisa, Adriana Beringuy.

A analista observa que o contingente de ocupados (85,7 milhões) ficou estatisticamente estável na comparação com o último trimestre do ano passado. Mas o nível de ocupação (48,4%) reduziu 0,5 ponto percentual. Desde o trimestre encerrado em maio do ano passado, o nível de ocupação está abaixo de 50%, o que indica que menos da metade da população em idade para trabalhar está ocupada no país.

“Essa redução do nível de ocupação está sendo influenciada pela retração da ocupação ao longo do ano passado, quando muitas pessoas perderam trabalho. Em um ano, na comparação com o primeiro trimestre de 2020, a população ocupada reduziu em 6,6 milhões de pessoas”, comentou Adriana Beringuy, observando que os impactos da pandemia só ficaram visíveis no mercado de trabalho no final de março daquele ano.

A maioria dos indicadores ficou estável no primeiro trimestre deste ano. Entre as categorias de trabalhadores, houve redução dos empregados do setor privado sem carteira assinada (9,7 milhões), um recuo de 2,9% com menos 294 mil pessoas. Também diminuíram os empregados do setor público sem carteira (1,9 milhão), uma queda de 17,1% ou menos 395 mil.

O único aumento na ocupação ocorreu entre os trabalhadores por conta própria (23,8 milhões), que cresceram 2,4%, um acréscimo de 565 mil postos de trabalho.

Já os trabalhadores do setor privado com carteira assinada ficaram estáveis (29,6 milhões). Na comparação anual, contudo, houve uma redução de 10,7% ou menos 3,5 milhões de pessoas. Os trabalhadores domésticos foram estimados em 4,9 milhões de pessoas no primeiro trimestre deste ano. Frente ao mesmo trimestre do ano anterior, essa categoria reduziu em 1,0 milhão de pessoas.

Embora estatisticamente estável, o número de empregadores com CNPJ (3,0 milhões) foi o menor da série histórica iniciada no quarto trimestre 2015, quando começou a ser pesquisada a diferenciação de profissionais com e sem CNPJ.

A taxa de informalidade foi de 39,6% no primeiro trimestre deste ano, o que equivale a 34,0 milhões de pessoas, ficando estável em relação ao trimestre anterior (39,5%). Os informais são os trabalhadores sem carteira assinada (empregados do setor privado ou trabalhadores domésticos), sem CNPJ (empregadores ou empregados por conta própria) ou trabalhadores sem remuneração.

SUBUTILIZADOS E DESALENTADOS TÊM ALTA RECORDE

Outro destaque da pesquisa foi a alta no total de pessoas subutilizadas, que são aquelas desocupadas, subocupadas por insuficiência de horas trabalhadas ou na força de trabalho potencial. No primeiro trimestre, o contingente chegou a 33,2 milhões, o maior da série comparável, um aumento de 3,7% com mais 1,2 milhão de pessoas.

Os desalentados, que desistiram de procurar trabalho devido às condições estruturais do mercado, somaram 6,0 milhões de pessoas, ficando estáveis em relação ao último trimestre de 2020, mas permanecem como maior patamar da série.

ATIVIDADES NO PAÍS TÊM MENOS OCUPADOS DO QUE HÁ UM ANO

A pesquisadora observa que o contingente de ocupados também não teve variações significativas em todos os grupamentos de atividades no primeiro trimestre deste ano, frente ao último trimestre do ano anterior.

Mas quando comparado ao primeiro trimestre de 2020, houve redução em sete grupos: comércio, reparação de veículos automotores e motocicletas (9,4%, ou menos 1,6 milhão de pessoas), alojamento e alimentação (26,1%, ou menos 1,4 milhão de pessoas), serviços domésticos (17,3%, ou menos 1,0 milhão de pessoas), outros serviços (18,6%, ou menos 917 mil pessoas), indústria geral (7,7%, ou menos 914 mil pessoas), transporte, armazenagem e correio (11,1%, ou menos 542 mil pessoas) e construção (5,7%, ou menos 361 mil pessoas).

A ocupação cresceu somente na agricultura, pecuária, produção florestal, pesca e aquicultura (4,0%, ou mais 329 mil pessoas).

“Essa redução na maioria dos grupamentos de atividades reflete o cenário da pandemia. De modo geral, a maior parte das atividades econômicas tem menos ocupados do que há um ano”, conclui a analista.

A pesquisa mostra ainda que o rendimento médio real dos trabalhadores foi de R$ 2.544 no primeiro trimestre deste ano, ficando estável em relação ao último trimestre de 2020. A massa de rendimento real, que é soma de todos os rendimentos dos trabalhadores, também ficou estável, atingindo R$ 212,5 bilhões.

Com informações da Agência IBGE.

A Gazeta integra o

Saiba mais

Se você notou alguma informação incorreta em nosso conteúdo, clique no botão e nos avise, para que possamos corrigi-la o mais rápido possível

Para melhorar a sua navegação, A Gazeta utiliza cookies e tecnologias semelhantes como explicado em nossa Politica de Privacidade. Ao continuar navegando, você concorda com tais condições.

Bem-vindo

A Gazeta deseja enviar alertas sobre as principais notícias do Espírito Santo.