Uma câmera de videomonitoramento registrou o momento em que o engenheiro Patrick Noé dos Santos Filgueira, de 42 anos, foi abordado pela Guarda Muncipal na Avenida Vitória, na altura do bairro Romão, na Capital capixaba. Ele havia deixado o Fórum Criminal de Vitória antes da leitura da sentença que o condenou a 27 anos, um mês e 15 dias de prisão pela morte da esposa, a professora Danielly Wandermurem Benício, em 2017.
As imagens mostram o carro conduzido por Patrick parando na avenida, com duas viaturas da Guarda Municipal logo atrás. Em seguida, o engenheiro sai do banco do motorista com as mãos levantadas.
A namorada dele também estava no veículo no momento da abordagem. Segundo a corporação, o carro pertence a um dos advogados de Patrick.
De acordo com a comandante da Guarda de Vitória, Fabiana Gonçalves, o veículo foi localizado com a ajuda do cerco eletrônico após a corporação receber informações sobre a placa.
“A Guarda recebeu a placa do veículo, que foi adicionada ao cerco eletrônico. A partir daí, as cameras vão buscando esse veciulo e o encontram na avenida. A equipe mais próxima foi acionada e realizou a abordagem”, explicou a comandante.
Patrick deixou o Fórum Criminal de Vitória pouco antes da leitura da sentença, na tarde desta quinta-feira (5). O Ministério Público do Espírito Santo (MPES) solicitou que as circunstâncias da saída fossem investigadas e que o celular do engenheiro fosse preservado para auxiliar na apuração. O pedido foi acolhido pelo juiz.
Posteriormente, o juiz informou que Patrick havia sido localizado, capturado e estava sob escolta policial. Ele será encaminhado ao Centro de Triagem de Viana.
Patrick foi condenado por homicídio qualificado por motivo fútil e feminicídio, pela morte da esposa, a professora de Geografia Danielly Wandermurem Benício.
O crime aconteceu em dezembro de 2017, no bairro Jardim Camburi, em Vitória. Professora de Geografia de uma escola particular em Vitória, Danielly foi encontrada morta no apartamento onde morava com o marido.
De acordo com os laudos periciais, a causa da morte foi uma “hemorragia intracraniana, devido a traumatismo cranioencefálico, causado por ação contundente”.
Durante o julgamento, o Ministério Público sustentou que Patrick teria batido repetidamente a cabeça da esposa contra o chão. A tese da acusação foi acolhida pelos jurados.
Além da pena de 27 anos, um mês e 15 dias de prisão, inicialmente em regime fechado, Patrick foi condenado ao pagamento de R$ 500 mil em indenização por danos morais aos familiares de Danielly.
A mãe da professora, Genessi Wandermurem, falou à TV Gazeta sobre o alívio após a condenação.
Deus ouviu meu clamor. A decisão não vai trazer a Danielly de volta, mas ele (Patrick) merece. É lá (presídio) que ele precisa ficar. Agora, ela vai descansar em paz
Genessi Wandermurem, mãe da vítima
O advogado Marcos Daniel, que representa Patrick, informou que vai recorrer da condenação. Segundo ele, a defesa pretende pedir um novo julgamento.
O advogado também comentou a saída de Patrick do fórum antes da leitura da sentença. “Se não havia expedição de ordem de prisão, eu entendo que a eventual saída dele do plenário não configura nenhum tipo de crime. Essa decisão foi manifestamente contrária a provas dos autos que provam que ela estava viva depois que ele saiu do apartamento. A defesa vai recorrer buscando um novo júri pra que seja efetivamente feita justiça”, afirmou.