Usar duas máscaras protege mais contra variantes do coronavírus

Estudo do Centro de Controle e Prevenção de Doenças dos Estados Unidos indica que uso de duas proteções aumenta em 90% a filtragem de partículas de saliva

Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 23/02/2021 às 13h10
Atualizado em 23/02/2021 às 14h32
Muitos usuários do Transcol estão usando a máscara de proteção contra o coronavírus. Mas ainda é possível ver alguns em ela ´
Passageiros usam máscara para se proteger contra a Covid-19 em coletivo. Crédito: Carlos Alberto Silva

novo coronavírus já realizou mais de 4 mil mutações desde o início da pandemia, sendo que algumas dessas alterações evoluem para variantes, ou seja, uma nova linhagem do vírus que permite a doença ganhar vantagem sobre o sistema de defesa do corpo humano. Isso torna a doença mais transmissível, como é o caso da variante britânica, ou até mais contagiosa, como aconteceu com a cepa da África do Sul.

Por isso, uma das grandes preocupações das comunidades médica e científica é como se proteger dessas novas cepas para impedir a proliferação do vírus modificado em larga escala. Um estudo publicado Centro de Controle e Prevenção de Doenças (CDC, na sigla em inglês), agência do departamento de Saúde dos Estados Unidos, apontou que a utilização de duas máscaras de proteção simultaneamente é mais eficaz contra as variantes da Covid-19.

O estudo sugere que ao usar a máscara cirúrgica por baixo e a de pano por cima é possível barrar a contaminação pelo coronavírus e também por outros vírus. A pós-doutora em Epidemiologia, Ethel Maciel, explica que o uso de duas máscaras pode aumentar a filtragem das partículas de saliva em 90%, o que significa uma proteção muito maior contra a contaminação pela Covid-19. Ela reiterou também que a utilização de duas proteções não afeta a respiração e que deve-se apenas observar a necessidade de troca da proteção, caso ela fique úmida demais.

"O estudo do CDC, nos Estados Unidos, indicou que, quando você usa duas máscaras, você aumenta a filtragem em torno de 90%, então você se protege muito mais. A orientação agora é a utilização de duas máscaras. Isso não causa nenhum problema, as máscaras são seguras e não tem problema usar duas ao mesmo tempo. Só tem que prestar atenção, principalmente com as máscaras de tecido, que, ao ficarem úmidas, precisam ser trocadas. Com duas máscaras, tem que trocar a de baixo, que fica mais úmida", detalhou.

Ethel também explicou que as máscaras de pano, que são mais comuns, não são tão eficazes contra as variantes da Covid-19. Enquanto que a N-95 é uma máscara com potencial maior de filtragem. Ela contou ainda que em países europeus e nos Estados Unidos, proteções deste tipo já são obrigatórias em locais públicos fechados.

"A gente está agora fazendo a mesma orientação que os países europeus e os Estados Unidos, que é a utilização de duas máscaras ou máscaras filtrantes melhores. Na Europa, você já não pode entrar no supermercado ou no transporte coletivo sem estar usando uma máscara N-95 ou PFF2, que são essas máscaras filtrantes. Se você vai estar em um lugar público fechado, é obrigatório a utilização dessas máscaras. As máscaras de pano são menos eficazes contra as variantes do vírus", alertou.

AS VARIANTES DA COVID-19

Atualmente, no mundo, três variantes do coronavírus são mais preocupantes: a britânica, que possui maior potencial de transmissão; a sul-africana, que desenvolveu a habilidade de "driblar" o sistema imunológico, tornando-se mais infecciosa; e a brasileira, que possui as duas propriedades e foi um dos principais fatores para o colapso do sistema de saúde de Manaus.

"Quando a mutação começa a aparecer muitas vezes, quer dizer, muitas pessoas contaminadas com o vírus com aquela mutação, a gente chama de variante. A variante é como se o vírus tivesse mudado durante a replicação e essa mudança começa a aparecer muitas vezes e se diferencia do vírus original", explicou Ethel Maciel.

A variante brasileira, chamada de P1, já foi identificada no Espírito Santo. Segundo a Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), porém, os registros foram apenas entre pacientes transferidos de Manaus para o tratamento da Covid-19 que ficaram isolados e, portanto, não houve transmissão comunitária da cepa. Outras quatro linhagens do vírus também foram encontradas no Estado, mas, segundo a pasta, não apresentam vantagens ao vírus e, por isso, não são tão preocupantes.

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