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Três dias depois, ES Gás ainda não sabe quem perfurou duto de gás em Vitória

Três dias depois, ES Gás ainda não sabe quem perfurou duto de gás em Vitória

Prefeitura do município autorizou realização da obra que resultou no vazamento, mas não informa o nome da companhia de telefonia responsável pelo incidente

Publicado em 10 de abril de 2024 às 18:18- Atualizado há 2 meses

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Local onde tubulação de gás foi perfurada, na Praia de Camburi, em Vitória
Local onde tubulação de gás foi perfurada, na Praia de Camburi, em Vitória. (TV Gazeta/Reprodução)
Felipe Sena
Repórter / [email protected]
Errata Atualização
10 de abril de 2024 às 21:02

Após a publicação desta reportagem, a Prefeitura de Vitória divulgou uma nota informando o nome da empresa de telefonia responsável pelo serviço que perfurou o duto de gás. O texto foi atualizado. 

Durante uma obra para implantação de fibra ótica na Avenida Dante Michelini, em Vitória, uma empresa de telefonia acabou perfurando um duto de gás no último domingo (7). Essa foi a explicação da ES Gás, responsável pela distribuição do produto, para os transtornos e prejuízos que se seguiram nos bairros Jardim da Penha, Mata da Praia, Goiabeiras e Bairro República e que afetaram cerca de 13 mil consumidores. Mas, três dias depois, a distribuidora ainda não sabia informar o nome da empresa causadora do incidente. 

Apenas após a publicação da reportagem de A Gazeta, a Prefeitura de Vitória informou, na noite desta quarta-feira (10), o nome da empresa de telefonia responsável pela perfuração durante obras. Trata-se da QMC Telecom, autorizada pela administração municipal para realizar de serviços para implantação do sistema 5G de telefonia móvel.

"A Secretaria Municipal de Transportes, Trânsito e Infraestrutura (Setran) informa que a autorização foi para a implantação do sistema 5G subterrâneo por método não destrutivo. A empresa que fez a abertura foi a QMC Telecom e o município orientou os responsáveis para que houvesse os devidos cuidados para as instalações de rede de gás e esgoto no local", diz a nota.

Empurra-empura

Desde segunda-feira (8), a ES Gás vinha sendo questionada sobre a identificação da companhia de telefonia, mas disse que não foi informada nem contatada sobre a obra. A empresa ainda frisou que a responsável por autorizar a intervenção foi a Prefeitura de Vitória, que, no mesmo dia, disse que o caso estava em apuração. 

Nesta quarta-feira (10), a princípio a Secretaria Municipal de Transportes, Trânsito e Infraestrutura de Vitória, a prefeitura apenas confirmou à reportagem de A Gazeta "que foi autorizada a realização de serviço com método não destrutivo no trecho, destacando tratar-se de local com identificação de rede de gás." Ao ser questionada sobre a empresa para a qual foi dada a autorização, a administração municipal se recusou a informar.

"Favor solicitar à empresa ES Gás. A Prefeitura só autoriza serviços. A responsável pela fiscalização da rede de gás é a empresa concessionária". A administração da Capital também foi questionada se uma obra com a perfuração de uma via ainda pode ser considerada "serviço com método não destrutivo", mas não deu retorno.

Com a negativa do Executivo de Vitória, a reportagem voltou a procurar a ES Gás, que reafirmou que está apurando para saber quem é o responsável. "A ES Gás tomou todas as providências no dia da ocorrência e está empenhada na investigação das causas e identificação dos responsáveis pela intervenção que causou danos à rede pública de distribuição de gás e que ocasionou a interrupção do fornecimento."

Órgãos responsáveis

Mesmo que a prefeitura reconheça que autorizou a obra e sabe a autoria do dano, a ES Gás afirma que acionou outros órgãos para identificar a companhia de telefonia. "A empresa já acionou as autoridades de segurança pública e demais órgãos competentes responsáveis pela apuração. Tão logo os responsáveis sejam identificados, a empresa tomará as providências cabíveis. A ES Gás esclarece ainda que não tinha conhecimento da execução da intervenção que causou o dano e que nenhum acompanhamento foi solicitado nos canais oficiais da companhia", diz nota da ES Gás.

A partir dessa resposta, a reportagem perguntou quais seriam essas "autoridades de segurança pública e demais órgãos competentes". A ES Gás disse que o contato foi feito com o Corpo de Bombeiros e o Departamento de Trânsito. A Gazeta procurou o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) que informou que vai investigar a situação.

"O Ministério Público do Estado do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Regional do Consumidor, informa que instaurou procedimento para apurar os fatos. O MPES já oficiou a Agência de Regulação de Serviços Públicos do Espírito Santo (ARSP) e a ES gás, para a adoção das medidas cabíveis. O MPES segue acompanhando o caso, para adoção de todas as medidas necessárias à proteção dos direitos dos consumidores."

Prejuízos

Uma previsão inicial da ES Gás estimava que o serviço seria reestabelecido até as 15 horas da terça-feira (9). Sem conseguir cumprir o prazo, apontou que a religação da rede ainda iria se estender durante toda a quarta-feira (10), alegando que o trabalho é feito individualmente nas unidades consumidoras e que estava tendo dificuldade para acessar algumas delas. Por volta das 17h de quarta, ainda havia unidades sem o serviço restabelecido. 

Comerciantes lamentaram os prejuízos decorrentes para suspensão do abastecimento na segunda-feira (8). “Por ser feriado [Dia de Nossa Senhora da Penha], costumamos ter um bom movimento. Foi um tremendo transtorno, toda a nossa equipe estava pronta, com expectativa de um bom faturamento. Mas, com a falta de gás, eu calculo um prejuízo de pelo menos R$ 15 mil”, relata o proprietário de um restaurante que funciona há 19 anos em Jardim da Penha. Ele pediu para não ser identificado.

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