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Publicado em 25 de outubro de 2025 às 19:39
A Secretaria da Saúde do Espírito Santo (Sesa) investiga dez casos suspeitos entre pacientes e acompanhantes que apresentaram sintomas semelhantes aos funcionários contaminados dentro do Hospital Santa Rita, em Vitória. Dois deles estão internados em Unidade de Terapia Intensiva (UTI) e oito internados em enfermaria.>
Em entrevista ao Boa Noite ES, da TV Gazeta, o secretário titular da pasta, Tyago Hoffmann, aponta que os casos suspeitos são de pacientes e acompanhantes que estavam no Santa Rita. Eles estão sendo monitorados pela Sesa e estão em leitos isolados em outros hospitais do Estado. >
Os casos ainda são considerados suspeitos por não ser possível informar, no momento, se é o mesmo tipo de infecção apresentada pelos funcionários do hospital nem se esses pacientes e acompanhantes estiveram na unidade na mesma ala e período em que foi registrada a contaminação dos profissionais de saúde. O agente da contaminação — vírus, bactéria ou fungo — também não foi ainda identificado. >
“Nós estamos acompanhando. Primeiro coletando amostras de sangue, de urina, de exames pulmonares, para que a gente possa identificar e saber se se trata do mesmo caso do Hospital Santa Rita. Além disso, estamos fazendo uma investigação social, para saber se esses pacientes e acompanhantes estavam na mesma ala onde aconteceu essa infecção e se essas pessoas estiveram no mesmo período onde aconteceram as infecções relatadas pelos funcionários”, afirmou o secretário em entrevista para o repórter Alberto Borem. >
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Hoffman acredita que possam ter acontecido outros casos que a Sesa não teve conhecimento, no caso de as pessoas terem apresentado sintomas mais leves e, assim, não foram internadas. >
Além dos 10 casos suspeitos, três funcionários do hospital também estão em UTI. O estado mais grave é de uma técnica de enfermagem que trabalha na unidade. Apesar da gravidade, os outros quatro internados estão em melhor situação. Cinco funcionários estão internados em enfermaria. >
“O caso da técnica de enfermagem é o mais grave que temos, pois demanda mais atenção e cuidado. Ela está intubada no próprio Hospital Santa Rita. Com as notificações suspeitas, agora, a nossa preocupação aumenta, porque até então tínhamos 26 funcionários contaminados e agora a gente já começa a ter a suspeita de pacientes e acompanhantes. Esse número pode ser ainda maior e acende um alerta ainda maior”, alerta o secretário.>
A Sesa tomou conhecimento dos casos de contaminação na segunda-feira (20) pela manhã, quando emitiu alerta máximo à vigilância sanitária e ao Laboratório Central (Lacen). Desde a última quarta-feira (22), a pasta não recebeu novos registros de casos.>
“As nossas equipes estão reunidas com as equipes do hospital, porque diversas medidas estão sendo tomadas para que a gente possa garantir a segurança dos profissionais, dos dos pacientes e dos acompanhantes, tendo em vista que esse é um hospital de referência no Estado do Espírito Santo para tratamento oncológico. Aparentemente, até o presente momento, a infecção é um processo que está sendo controlado”, relata. >
Hoffman comenta ainda que a ala onde foram registrados os casos passou por um processo de desinfecção. A equipe do Lacen está fazendo todos os testes e a expectativa é de que eles estejam concluídos até o final da próxima semana. A partir desses resultados, a Sesa poderá identificar qual o tipo de infecção, para que alguma outra medida seja tomada. >
Os sintomas apresentados, segundo Hoffman, são muito parecidos com os de uma gripe muito forte, como a pneumonia. Basicamente, são indicações de doenças respiratórias. Os pacientes apresentam, ainda, quadro de febre alta e dor de cabeça.>
“Trata-se de um quadro de dificuldade respiratória, inclusive os pacientes que foram para UTI são aqueles que apresentaram uma saturação mais baixa. Por isso, começamos no laboratório central a fazer uma investigação para vírus relacionados com doenças respiratórias. Todos foram descartados até o presente momento e a gente está muito focado em testar bactérias e fungos também para encontrar a causa dessa infecção”, relata. >
Hoffman comenta que os exames estão sendo feitos em quase 300 patógenos, ou seja, quase 300 possibilidades de bactérias, vírus ou fungos.>
“O nosso objetivo não é causar nenhum tipo de histeria coletiva. O Hospital Santa Rita há muitos anos presta um serviço de muita qualidade, tanto para a iniciativa privada, para os planos de saúde e também para o SUS aqui no Espírito Santo. Toda a unidade continua funcionando normalmente. Não há razão, neste momento, para que a gente tome qualquer medida como fechamento do hospital ou de determinado serviço”, ressalta. >
O secretário afirma que quem esteve no hospital nas últimas duas semanas — paciente ou acompanhante — e tiver sintomas de algum tipo de doença respiratória, febre alta, dificuldade em respirar, dores de cabeça muito fortes, dores pelo corpo, deve usar máscara, higienizar ao máximo suas mãos, procurar um serviço de saúde imediatamente, relatando que esteve no Hospital Santa Rita. >
A Secretaria de Saúde emitiu um ofício circular para todas as unidades de saúde, para todos os municípios e para todos os hospitais do estado (públicos ou privados), informando sobre a situação e ressaltando a necessidade da importância de notificar a vigilância sanitária, em casos suspeitos, para que sejam tomadas medidas de segurança. >
Ele lembra que alguns hospitais estão reforçando os protocolos de segurança e sanitários, como é o caso da Unimed Vitória, em Vitória, do Apart Hospital, na Serra. A Prefeitura de Cariacica também adotou medidas preventivas. >
Todas as unidades hospitalares têm comissões de infecções que estão em alerta máximo, evitando que esse caso possa se propagar para outras unidades de saúde no Estado, como explica Hoffman.>
Dos pacientes confirmados e suspeitos de infecção que estão internados foram retiradas amostras de sangue, de urina, exames pulmonares, além de lavagem pulmonar. >
Segundo o secretário, também foram retiradas amostras hospitalares da água dos bebedouros, dos aparelhos de ar-condicionado e de superfícies, mesas, camas hospitalares, lençóis e travesseiros. Tudo foi recolhido para análise no Lacen. >
O primeiro caso de doença respiratória, segundo Hoffman, foi identificado no dia 17 de outubro, sexta-feira. No sábado e domingo, dias 18 e 19, os casos ampliaram muito. Hoffman acredita que houve uma demora na notificação da situação. >
“Acreditamos que a unidade poderia ter feito contato conosco no fim de semana, mas foi apenas na segunda-feira (20), às 7 horas da manhã, que a nossa equipe de vigilância sanitária fez contato com o hospital e na sequência nossas equipes já foram para o local para colher amostras e acompanhar o caso”, relata.>
Hoffmann diz ainda que a equipe do Lacen vai continuar trabalhando para descobrir as causas dessas infecções e para que o número de casos não aumente. >
“Quando soubemos da situação tomamos todas as medidas cabíveis naquele momento, que era procurar assessorar o hospital”, finaliza. >
Com informação de Roger Santana e Alberto Borém, da TV Gazeta. >
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