O delegado da Polícia Federal Luis Felipe Felipe da Silva, de 43 anos, morreu em decorrência de uma septicemia, infecção generalizada grave, 19 dias após sofrer um acidente na Avenida Cézar Hilal, em Vitória. O delegado, que pilotava uma moto, sofreu fraturas ao bater em um carro que passava no cruzamento. As fraturas, segundo especialista consultado por A Gazeta, podem ter sido "porta de entrada" para a infecção.
O delegado teve a morte confirmada pela Polícia Federal no Espírito Santo no domingo (2), 19 dias depois do acidente, que aconteceu no dia 14 de março. "É com profundo pesar que confirmamos o falecimento do servidor Luis Felipe Felipe da Silva, Delegado de Polícia Federal em exercício na DELEFAZ da Superintendência Regional no ES", diz em informe à imprensa.
Em nota, a PF detalhou que o delegado estava hospitalizado desde o dia do acidente. Às 4h10, morreu em decorrência de uma septicemia. Luis Felipe Felipe da Silva deixa três filhas. O corpo dele foi velado nesta segunda-feira (3), em um cemitério de Vila Velha.
Após a informação de que o delegado morreu em decorrência de uma infecção, a reportagem de A Gazeta procurou um especialista para entender a gravidade do quadro de saúde, além do que pode agravar a infecção.
O médico infectologista Crispim Cerutti Junior explicou que a septicemia é tida como uma infecção grave que acontece, por exemplo, por meio de uma fratura. O quadro de saúde do paciente pode incluir sonolência e até delírio.
O que é uma septicemia?
"O termo septicemia é antigo. Em clínica, usamos o termo sepse. É uma infecção generalizada grave. A sepse não é uma infecção rara, mas não se vê todos os dias em toda parte", afirma o médico.
Como alguém adquire uma septicemia?
"A fratura de alguém internado pode ser a porta de entrada para a infecção. Não é preciso que seja uma grande fratura, mas alguma forma de exposição do tecido (pele). Uma espinha, por exemplo, pode ser uma porta de entrada. A pessoa pode adquirir a infecção tanto dentro quanto fora do hospital", explica o especialista.
Há diferenças entre infecções pela septicemia?
"O grau de risco da infecção depende da integridade do organismo, da defesa do indivíduo. Se ele tem ou não comorbidades pode determinar como ele vai reagir. Mas também depende da agressividade do microrganismo. Pessoas mais debilitadas são mais vulneráveis", diz o médico Crispim Cerutti Junior.
Quais os sintomas?
"Sinais inflamatórios no local onde começou a infecção costumam chamar a atenção. Mas ao longo do tempo, o indivíduo pode ter febre intensa e alguma alteração no sensório, ou seja, perde contato com a realidade, pode delirar, ficar prostrado e sonolento", detalha o infectologista.
Há formas de proteção?
A Organização Mundial da Saúde (OMS) alerta que a maioria dos casos da síndrome pode ser evitada com cuidados simples, como lavar as mãos com água e sabão, manter a carteira de vacinação em dia e evitar o uso indiscriminado de antibióticos.