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Sem tempo de chegar ao hospital, casal tem filho dentro de casa em Vitória

A servidora pública Isabela Couto e o publicitário Caetano Monteiro tinham programado um parto na maternidade, mas Tom resolveu vir ao mundo no quarto do casal

Publicado em 17 de Abril de 2021 às 20:26

José Carlos Schaeffer

Publicado em 

17 abr 2021 às 20:26
A mãe Isabela e o pai Caetano com o pequeno Tom, nascido em casa e com o parto feito pelos pais, em Vitória
A mãe Isabela e o pai Caetano com o pequeno Tom, nascido em casa e com o parto feito pelos pais, em Vitória Crédito: Arquivo pessoal
Depois de 40 semanas e todos os cuidados da gestação sendo seguidos à risca, um casal de Vitória aguardava a chegada do primeiro filho. A servidora pública Isabela Couto, de 30 anos, e o publicitário Caetano Monteiro, 35, estavam preparados para que o pequeno Tom viesse ao mundo de parto normal na maternidade. Mas Tom não quis saber de hospital.
Na noite da última quarta-feira (14), Isabela começou a sentir as contrações, que se prolongaram por toda a noite. O casal já estava preparado para a hora de ir para a maternidade. “Estava tudo normal, as malas do neném estavam prontas. As contrações começaram leves à noite, passamos em claro, mas tudo dentro da normalidade”, contou Caetano.
Já na tarde da quinta-feira (15), a doula - nome dado à assistente de parto que acompanha a mulher ao longo da gravidez com foco no bem-estar da gestante e do bebê - chegou à casa do casal e, em uma primeira observação, viu que Isabela tinha apenas um centímetro de dilatação. A previsão, então, era de que Tom nascesse na madrugada da sexta-feira (16).
“A média é que a cada hora cresça mais 1 cm, e o ideal para o parto é de 8 a 10 cm, e a doula disse que isso duraria a noite toda e ele (Tom) viria na madrugada”, explicou o pai.
O pequeno Tom minutos após o parto, na última quinta-feira (15)
O pequeno Tom minutos após o parto na última quinta-feira (15) Crédito: Arquivo pessoal
Contudo, por volta de 17h30 as contrações aumentaram e a bolsa rompeu. Caetano fez contato com a doula e com a obstetra e todos se preparavam para ir para o hospital, mas não houve tempo nem de sair de casa.
Cerca de dez minutos depois, Tom nasceu com 50 centímetros e pesando três quilos. “Eu já estava colocando as bolsas dentro do carro. Seguindo tudo certo para não ter nenhum contratempo. Mas, quando foi por volta de 17h40, o Tom veio”, contou.
"Estávamos só nós dois no quarto, ela em pé dizendo que estava sentindo que ele estava nascendo, e eu dizendo pra ela ter calma, respirar e ter força. Foi quando ela botou a mão e disse que estava sentindo a cabeça dele. Na hora eu abaixei e ela disse pra eu segurar que já estava vindo. Foi quando ela segurou no meu ombro, fazendo força, e ele veio nas minhas mãos. Segurei, depois dei nas mãos da Isabela e ele começou a chorar, pensei 'graças a Deus está vivo'. Foi incrível"
Caetano Monteiro - Publicitário e pai do Tom
Depois do parto inesperado em casa e feito pelos pais, chegaram a doula a obstetra, ainda sem acreditar no que o casal contava.
“Ninguém queria acreditar. Quando liguei pra doula, ela perguntou 'como assim?', a mesma coisa com a obstetra. Ninguém estava acreditando”, contou.
Com as profissionais já na casa com a mãe e o bebê, todo o procedimento de pós-parto foi feito. Mais tarde, um pediatra também fez os testes no Tom, que nasceu forte e saudável.
"Em momento nenhum fomos para hospital, nem precisamos tomar remédio. Uma coisa incrível. Tirei uma foto dela à noite, jantando, e mandei no grupo da família. A galera não acreditou, disseram que não era possível aquela mulher ter tido um filho agora"
Caetano Monteiro - Publicitário e pai do Tom
Tom, nascido de parto realizado pelos próprios pais, em Vitória
Tom, nascido de parto realizado pelos próprios pais, em Vitória Crédito: Arquivo pessoal
Caetano falou sobre a sensação da incrível experiência de fazer, junto com a esposa, o parto do próprio filho. Segundo ele, a tranquilidade e a confiança do casal foi a chave para que tudo desse certo.
“Por incrível que pareça, em nenhum momento a gente ficou ansioso. Vai chegar, a gente não tem controle nenhum sobre isso. Então é confiar. A gente se manteve muito tranquilo. A única coisa que eu sou nessa história é um assistente. Quem fez o parto foi ela e o meu filho. Eu só fui o assistente, dei um apoio”, contou.
Na tarde deste sábado (17), enquanto o pai conversava com a reportagem, Tom completava o terceiro dia de vida e tomava o primeiro banho, dado pela avó. “Agora ele tá sendo paparicado pela família”, completou o pai, orgulhoso.

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