Não bastassem as preocupações naturais com o retorno às aulas em tempos de pandemia, os pais dos alunos da Escola Professora Nair Dias Barbosa, em Vila Velha, temem aglomerações e mais prejuízo no aprendizado, já que algumas salas de aula e a quadra esportiva estão sem telhados e, portanto, interditadas.
O problema já persiste desde o final de 2019, tumultuou o ensino nos primeiros meses do ano passado e segue sem resolução. "A obra começou nas férias de verão. Quando as crianças puderam voltar, eram só 40% das salas funcionando e não tinha atividades de educação física", conta o corretor de imóveis Joil Carlos Silveira.
"O município não está se preocupando com a situação da escola e das crianças. Agora, ter esses espaços liberados é ainda mais importante por causa da pandemia"
Anteriormente, ele já acionou funcionários da Unidade Municipal de Ensino Fundamental (Umef) Professor Nair Dias Barbosa e outros membros do antigo Poder Executivo de Vila Velha. Das poucas vezes em que conseguiu ter algum retorno, ele afirma que recebia apenas um pedido de espera.
Umef Professora Nair Dias Barbosa: descaso em Vila Velha
Quem também estuda no local é a filha da diarista Aurea Márcia Salles Coutinho, que está igualmente insatisfeita. "Eles tiveram o ano todo de pandemia para fazer a obra e não fizeram. As aulas vão começar agora na segunda quinzena de fevereiro, que ainda é uma época de chuva", reclama a mãe.
"Antes da suspensão, estavam usando espaços bem menores e o ensino ficou totalmente prejudicado. Não sei como vai ser esse retorno"
De acordo com ela, a família não foi comunicada sobre qualquer detalhe a respeito de como será a volta às aulas da filha, que cursará o sexto ano em 2021. Além da pré-adolescente, estudam, pelo menos, mais 200 alunos na escola – número estimado pelos pais e não confirmado pelo município.
O OUTRO LADO
Por meio de nota, a Prefeitura de Vila Velha informa que a atual gestão encontrou unidades em péssimo estado de conservação, inclusive a Umef Professora Nair Dias Barbosa, "onde alunos estão há dez anos em módulos temporários que já foram desativados devido a problemas estruturais".
Consequentemente, o município garante que os alunos serão realocados em outro espaço a ser providenciado pela Secretaria Municipal de Educação para atender o retorno das aulas, "oferecendo condições seguras e salubres aos profissionais da educação, alunos e pais".
O Executivo de Vila Velha também esclarece que "documentos comprovam que a construtura e a empreiteira contratadas para realizar a manutenção da unidade abandonaram a obra" e adianta que o relatório sobre o abandono e o "sumiço da planilha de custos" serão enviados ao Ministério Público Estadual (MPES).