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Crédito: Carlos Alberto/Arte: Geraldo Neto

Por que setembro será um mês decisivo no combate à Covid no ES

Próximo mês será marcado por uma série de decisões que vão nortear o enfrentamento ao coronavírus em todo o Espírito Santo

Publicado em 29/08/2020 às 07h00
Atualizado em 29/08/2020 às 07h00

No cenário da pandemia do novo coronavírus no Espírito Santo, setembro será o mês marcado pela tomada das decisões que vão nortear o próximo semestre de enfrentamento à Covid-19 em solo capixaba e ser o divisor de águas entre a vida na quarentena e aquilo que se convencionou a chamar de novo normal.

De acordo com previsões já apresentadas pelo governo do Estado, o sétimo mês de convívio com a pandemia deve reservar discussões em torno das atividades sociais, esportivas e culturais. 

E uma das principais mudanças no combate à doença foi anunciada pelo governador Renato Casagrande (PSB) na última quarta-feira, 26. Desde abril, o governo estadual trabalha com uma matriz de risco para indicar medidas que evitem a disseminação do vírus. Para isso, eram considerados vetores como letalidade, porcentagem da população idosa, número de casos confirmados de pessoas contaminadas e taxa de ocupação de leitos de Unidades de Tratamento Intensivo (UTIs).

A partir desta segunda-feira, 31, dois eixos serão avaliados para apontar a classificação no grau de risco baixo, moderado, alto e extremo de cada município. Um deles será o eixo vulnerabilidade, que contará a taxa de ocupação de leitos estaduais destinados a pacientes com Covid-19, atualmente em 61% dos leitos em potencial.

O outro, o eixo de ameaça, contará com dados municipais de três indicadores:  número de casos ativos no últimos 28 dias, testagem por mil habitantes e média móvel de mortos nos últimos 14 dias.

“O eixo ameaça nos dará uma proximidade da atual situação de cada município. O objetivo é salvar vidas desde o primeiro momento da pandemia, por isso buscamos reduzir óbitos. Estamos reduzindo, mas ainda lentamente, queremos dar velocidade a essa queda”, explicou Renato Casagrande.

Estudante de Fotografia Beatriz Vellasco Dias
Estudante de Fotografia Beatriz Vellasco Dias. Crédito: Acervo pessoal

RETORNO GRADUAL NA EDUCAÇÃO

As aulas presenciais estão suspensas no Estado desde o dia 17 de março. Em setembro, as atividades em sala de aula voltam para os estudantes de faculdades particulares a partir do dia 14. Na educação básica, que envolve ensino infantil ao médio, ainda não há data definida para retorno.

A universitária Beatriz Vellasco Dias, de 21 anos, cursa o 4º período de Fotografia na UVV. Ela destaca que vários cursos exigem a participação em atividades práticas e está animada com o retorno das aulas presenciais. “Lógico que, diante de uma pandemia, frequentar locais que têm muita gente é perigoso, mas com os cuidados necessários, a gente consegue fazer dar certo”, defendeu.

Vitória - ES - Parques reabrem no Estado. Parque Pedra da Cebola.
Vitória - ES - Parques reabrem no Estado. Parque Pedra da Cebola. Crédito: Vitor Jubini

UM POUCO MAIS DE LAZER

Eventos corporativos, a abertura de museus, acesso a galerias, centros culturais e o uso de teatros e auditórios, sem plateia, também serão liberados a partir de setembro. Os protocolos também vão contemplar a permissão de atividades acadêmicas, técnicas e científicas, como por exemplo, palestras, seminários e congressos.

"Sempre considerando o uso de máscaras e outros protocolos. Também vamos permitir gravações, lives, produção de espetáculos, dança e música, desde que não tenha aglomeração. Espaços de cursos livres e oficiais também estão permitidos", detalhou o governador em pronunciamento realizado no dia 14 de agosto.

Já os grandes shows vão precisar esperar. As secretarias de Estado da Cultura e do Turismo afirmaram que mantém o diálogo com o setor e discutem modelos que garantam segurança para eventos de grande porte.

No esporte, estão autorizados os treinos e jogos de futebol sem torcida de dois clubes capixabas: Vitória e o Real Noroeste. Os clubes representam o Espírito Santo na Série D do Campeonato Brasileiro. O Capixabão pode voltar em outubro. O governo também estuda protocolos que possibilitem outras atividades esportivas já a partir de setembro.

Empresária e cirurgiã-dentista Andressa Hirle e o noivo o empresário Josildo Amorim
Empresária e cirurgiã-dentista Andressa Hirle e o noivo o empresário Josildo Amorim. Crédito: Acervo pessoal

CASAMENTO SIM, MAS COM POUCOS CONVIDADOS

O mês de setembro também é considerado promissor para a empresária e cirurgiã-dentista Andressa Hirle e o empresário Josildo Amorim. O casal decidiu aproveitar o clima de retração dos casos para casar. Os dois farão uma cerimônia intimista para um grupo de familiares no apartamento deles em Vitória,  no próximo dia 5.

“Já está tudo tão triste que resolvemos comemorar mesmo neste período. Vai ter vestido de noiva, terno, bolo grande, cerimonialista, violino e daminha. Tudo como manda o figurino, não abrimos mão de nada, nem dos bem-casados na saída dos convidados. Vamos transmitir alguns momentos em minha rede social”, contou, empolgada, a noiva.

Josildo e Andressa planejavam uma festa para cerca de 300 participantes. Como os eventos dessa magnitude estão proibidos, eles optaram pelo enlace em casa. O noivo, no entanto, garante que a emoção do matrimônio marcado para o próximo sábado é a mesma de um evento tradicional.

Josildo Amorim

Empresário

"Pós-pandemia podemos fazer um outro casamento. A pandemia não pode vencer a gente.O mundo mudou e a gente tem que mudar junto. Mesmo com pouca gente, faremos tudo com segurança, cuidado e prudência"
A diretora-executiva Rafaela Andrade está em home office desde março
A diretora-executiva Rafaela Andrade está em home office desde março. Crédito: Acervo pessoal

VOLTA DOS FUNCIONÁRIOS

Um outro sinal que aponta uma realidade de adequação está relacionada ao ambiente de trabalho. Por causa da pandemia, diversas empresas aderiram ao sistema de home office. Segundo a Associação Brasileira de Recursos Humanos, seccional Espírito Santo (ABRH-ES), o novo momento também está incentivando o retorno dos profissionais da área privada aos postos originais. Um grupo de servidores do Estado volta às funções presenciais a partir de 1º de setembro.

“Muitas empresas já começaram a voltar agora em agosto e, para setembro, a gente já tem previsão de grande parte partes delas retornarem também”, informou a vice-presidente da ABRH-ES, Neidy Christo.

Neidy explicou que muitas empresas reformaram salas, adotaram protocolos de higiene e investiram em comunicação. “As empresas vão voltar tendo estrutura diferente para receber os empregados e um trabalho de comunicação interna no sentido de colocar placas, painéis, lembretes, até em telas de computadores, com mensagens que indiquem a importância do uso do álcool, de lavar as mãos e não usar o material do colega”, pontuou.

Em vitória, Rafaela Andrade e os funcionários da agência de marketing digital Ágora estão em home office desde março. Com o atual cenário da pandemia, a diretora-executiva da empresa decidiu retomar as atividades presenciais a partir de setembro. Dos nove membros da equipe, três vão voltar a atuar da sede.

“Agora em setembro, eu digo que vamos entrar no regime semiaberto, que é uma situação de retomada de algumas coisas de forma parcial. Como acho que vai durar muito tempo esse semiaberto, vamos adaptar algumas atividades no modelo presencial, como reuniões com clientes e com toda a equipe”, explicou Rafaela.

Ciclista com máscara no calçadão de Camburi
Ciclista com máscara no calçadão de Camburi. Crédito: Carlos Alberto Silva

NOVO NORMAL?

O secretário de Estado da Saúde, Nésio Fernandes, entende que o novo normal não pode ser associado ao fim da pandemia. Sem tratamento específico e as complicações que o vírus causa, ele acredita que uma vacina só esteja disponível no Espírito Santo após o 1º trimestre de 2021.

“A tradução de um novo normal é viver reconhecendo que a doença pode ser letal, perceber que a gente tem mais segurança hoje no entendimento de como ela se transmite, como deve ser enfrentada reduzindo riscos, acompanhando a cadeia de transmissão e mantendo a humildade diante dela.”

Segundo ele, setembro pode ser marcado como um período em que a doença deve apresentar consolidação da queda de registros de casos novos e de óbitos provocados pelo Sars-Cov-2. Para isso acontecer, porém, ele reforça que o compromisso das instituições públicas e privadas é que podem ditar o rumo da pandemia no Estado.

“Em setembro, vamos construir grandes pactos em torno do que é ou não razoável decidir para os próximos seis meses. Precisamos sentar com todos os atores sociais para reposicionar e repactuar o convívio com a doença e o enfrentamento a ela.”

O secretário também garante que o governo está comprometido em observar o comportamento da doença. Segundo ele, não é possível que todas as atividades sociais e econômicas, como volta às aulas e o funcionamento de estabelecimentos comerciais, fiquem suspensas até a chegada de uma vacina.

“A gente tem uma segurança maior no enfrentamento à doença, mas isso não significa tranquilidade no convívio com ela. As atividades liberadas podem ser revistas se percebermos que não há respeito aos protocolos e a doença voltar a crescer. Vamos decidir sempre em favor da vida e da proteção às pessoas.”

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