Pesquisa, ensino técnico e um corpo docente altamente qualificado estão entre os fatores apontados pelo Instituto Federal do Espírito Santo (Ifes) para explicar o desempenho da instituição no Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) 2025. Os campi ocuparam as 18 primeiras posições entre as escolas públicas do Estado e tiveram três unidades entre as 20 melhores da classificação geral, que inclui instituições privadas.
O Ifes de Vila Velha, que contou com 70 estudantes inscritos, lidera a classificação da rede com média de 694,31 pontos e ocupa a 7ª posição geral no Estado. Já o Ifes de Vitória destaca-se com nota média de 668,26 pontos entre 321 participantes, um dos maiores contingentes de estudantes entre as instituições com melhor desempenho no ranking (veja lista completa no final da matéria).
As unidades em Cariacica, Aracruz e Colatina também figuram no top 25 de todas as escolas capixabas, conforme levantamento feito por A Gazeta a partir dos resultados divulgados pelo Instituto Nacional de Estudos e Pesquisas Educacionais Anísio Teixeira (Inep) no último dia 23.
Os resultados chamam a atenção principalmente porque o objetivo principal do Ifes não é a preparação para o Enem, mas sim a formação técnica, como explica o diretor-geral do Ifes Vila Velha, professor Alexandre Krüger Zocolotti.
“O nosso fim é a formação técnica. Então, a gente acaba tendo o resultado do Enem como um balizador interessante, que mostra que o trabalho da parte acadêmica, da parte de estudos, de pesquisa e extensão, todo esse somatório de forças que compõe a rede Ifes, também está no caminho certo”.
O “somatório de forças” se revela não apenas no desempenho nas provas, mas também no dia a dia dos estudantes. Para Vinicius Guedes Leopoldo, 19 anos, que estudou no Ifes Vila Velha, fez o Enem 2025 e foi aprovado para o curso de Engenharia Química na mesma instituição, a formação que ele teve no ensino médio o preparou para o mundo profissional, mas também para a realidade de dedicação necessária para a graduação.
Por ser um ambiente acadêmico em que você está inserido com professores que dão aula em faculdades, acaba que se acostuma mais cedo com essa realidade de dedicação e empenho. E, dentro desse ambiente, você também encontra profissionais, doutores e mestres, que estão pesquisando novas coisas
Vinicius Guedes Leopoldo, aluno do Ifes Vila Velha
Vinicius conta que, durante o próprio ensino médio, ele participou de um projeto de iniciação científica que lhe proporcionou “um conhecimento que, dentro da realidade de outros alunos do ensino médio comum, não é muito visto.”
A qualificação do corpo docente, citada pelo aluno, é considerada um dos principais diferenciais do instituto pelo diretor da unidade. Segundo Zocolotti, aproximadamente 90% dos professores da instituição têm mestrado ou doutorado, sendo que a área técnica também apresenta alto nível de especialização.
Outro ponto que, na avaliação do diretor, influencia no desempenho do Ifes no Enem é a variedade de atividades que mantêm os estudantes por um longo período do dia no campus, como atividades de pesquisa e extensão.
Querendo ou não, essas diferentes atividades dão um nível de preparação para quando você pega uma prova em que diferentes habilidades estão envolvidas, que não são apenas habilidades de conteúdo, mas de vivências diferentes. Essa diferença que o Enem traz encontra no Ifes um solo fértil
Alexandre Krüger Zocolotti, diretor-geral do Ifes Vila Velha.
Formação crítica e alunos conscientes
As oportunidades não são restritas aos estudantes em idade escolar. No Ifes Vitória, pessoas com 18 anos ou mais podem concluir o ensino médio integrado ao curso técnico por meio do Programa Nacional de Integração da Educação Profissional com a Educação Básica na Modalidade de Jovens e Adultos (Proeja).
É o caso de Luana Bernardes, de 40 anos, que se formou no Proeja do Ifes e passou para o curso de Licenciatura em Letras - Literatura Brasileira na mesma instituição, utilizando a nota do Enem.
Eu acho que é um curso em que, se a pessoa souber participar, se envolver e se entregar, ela consegue, porque os professores são maravilhosos. Eu não posso reclamar, eles me ajudaram em tudo, me deram dicas, até na hora da inscrição (para o Enem) eles me ajudaram. Me arrependo de não ter feito antes
Luana Bernardes, aluna do Ifes Vitória.
Para Luana, iniciar os estudos já adulta não a impede de sonhar nem de querer mais. Hoje, ela pensa até em fazer um mestrado depois de concluir a graduação, influenciada pela família de professores e também pela equipe do Ifes.
O diretor-geral do Ifes campus Vitória, professor André Galdino, celebra ter alcançado o 13º lugar no ranking estadual do desempenho no Enem 2025 com uma média geral maior do que a de diversas escolas que tiveram menos alunos inscritos na prova. Além disso, ele defende que a formação extrapola o ato de alcançar boas notas.
“O nosso foco é ter alunos cidadãos mais conscientes, críticos e preparados para o mundo e para o mercado de trabalho. O que o nosso aluno vai decidir fazer no futuro é um desejo dele, é uma responsabilidade dele. Nós o preparamos para que ele possa contribuir com a sociedade e sair já com um conhecimento técnico”, explica o diretor.
O pensamento é reforçado pela diretora-geral do Ifes Cariacica, Jocelia Barcellos. Destacar-se não só na cidade, mas também no ranking geral (16º lugar) e no comparativo com as instituições públicas de todo o Estado, reflete, para ela, a "abertura de portas" que o instituto proporciona aos estudantes.
Em gestão educacional, sabemos que um dos grandes desafios é garantir um padrão de excelência democrático e inclusivo para uma base ampla, e o desempenho de nossa instituição no Enem consolida o sucesso de um projeto pedagógico focado na excelência e na alta performance. Orgulhamo-nos de ser ponte para os sonhos de nossos estudantes
Jocelia Barcellos, diretora-geral do Ifes Cariacica.