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Devagar é que se vai longe?

Os ditados populares que sofreram mudanças no mundo digital

O especialista Evando Millet diz que a sabedoria contida nos ditados já não são mais um consenso, sobretudo no ambiente das startups. Veja as mudanças nesses pensamentos populares

Publicado em 04 de Outubro de 2021 às 19:12

Redação de A Gazeta

Publicado em 

04 out 2021 às 19:12
Tempo, trabalho, executivo, mercado, finanças
Mundo com transformações digitais muda relações entre pessoas Crédito: Pixabay
"Devagar é que se vai longe" e "quem espera sempre alcança" são alguns ditados populares que marcam gerações e ficaram gravados na memória. Mas, assim como outras situações e ações, os pensamentos repetidos ainda por muita gente sofreram mudanças com o mundo digital. Desde o surgimento da internet, algumas características da sociedade mudaram, entre elas a espera por resultados e as estratégias usadas por empresas no mercado. Com essas modificações, essas frases prontas ganharam "cara nova".
Segundo Evando Millet, comentarista do quadro CBN Inovação, da CBN Vitória, a sabedoria contida nos ditados já não são mais um consenso, sobretudo no ambiente das startups.
"Nesse mundo das startups e com transformações digitais, a velocidade das coisas modifica até os ditados populares. As novas máximas se aplicam principalmente para as grandes empresas, com necessidade de mudanças e de olho nos concorrentes "
Evando Millet - Comentarista da CBN Vitória
Em entrevista a apresentador do programa CBN Cotidiano,Mário Bonella, o especialista aponta que o mundo digital trouxe respostas mais imediatas. As novas percepções mudam os pensamentos sobre trabalho coletivo e resultados positivos, por exemplo. Ouça a entrevista na íntegra:
CBN Inovação - Os ditados populares que mudaram no mundo digital

VEJA ALGUNS EXEMPLOS:

OS ÚLTIMOS SERÃO OS PRIMEIROS

A máxima vem do futebol, o esporte mais popular do mundo. Significa que, caso o time esteja sempre na frente do placar, não há necessidade de qualquer mudança. O mundo digital trouxe outra possibilidade: as jogadas do time podem ficar "manjadas". Portanto, em time que está ganhando também se mexe para poder continuar a ganhar.  Segundo Millet, em  "O Dilema do Inovador", Clayton Christensen mostra a dificuldade das empresas em mudar os seus produtos vencedores e acabam atropelados por novos entrantes no mercado. 
Evando Millet ressalta que, no ambiente das startups, o lançamento de produtos é feito antes que estejam prontos. A validação acontece no contato com os clientes. "Se você não tiver vergonha do seu produto no lançamento, você o lançou tarde demais, é um dos mantras do Vale do Silício. Quem trabalhar devagar nesse ambiente não chegará a lugar nenhum", detalha o comentarista.
Millet afirma que você pode viver do passado, tentar antecipar o futuro ou se preparar para qualquer futuro que vier, mas a melhor maneira de prever o futuro é criá-lo, como disse Alan Kay, cientista do Laboratório PARC da Xerox, criador da interface gráfica como a conhecemos hoje. "Se você quiser esperar para ver o que vai acontecer, alguém chegará no seu lugar. A época é de arriscar, experimentar, ousar. Pode ter certeza que, se você tiver alguma ideia boa, alguém no mundo estará tendo a mesma ideia. Se esperar para levar adiante, já era", comenta sobre a espera.
"Os vencedores levam tudo é o novo ditado. Startups rodam em alta velocidade para adquirir clientes, sem dar lucro por anos a fio para criar uma barreira de entrada intransponível", descreve o comentarista. Antes bastava fazer melhor e mais barato. Depois, o importante era fazer diferente. Agora, o fundamental é fazer primeiro. "Os últimos serão os últimos mesmo", conclui.
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