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Publicado em 17 de fevereiro de 2025 às 19:51
- Atualizado há um ano
As obras do Cais das Artes, em Vitória, estão atrasadas e podem não ter o cronograma cumprido dentro do prazo previsto no acordo de retomada do empreendimento, firmado em junho de 2023, entre o Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) e o Consórcio Andrade Valladares (Topus). >
É o que afirma decisão do Tribunal de Contas do Estado do Espírito Santo (TCE-ES), que determina ao DER-ES a obrigação de, em 15 dias, estabelecer e encaminhar à Corte o cronograma com o efetivo início de atuação da Coordenação Executiva de Obras Estruturantes e Prioritárias (CEOE-III), de forma a adotar os prazos estabelecidos na reprogramação para a execução das etapas da obra.>
Com relatoria do conselheiro Davi Diniz, o acórdão é resultado de uma Tomada de Contas Especial Instaurada e foi revelado nesta segunda-feira (17). A decisão colegiada aponta que o "andamento da obra, prevista para ser entregue em janeiro de 2026, está em descompasso em relação ao cronograma físico" apresentado pelo governo do Estado, além de trazer o seguinte cenário:>
"Das informações retiradas das análises técnicas relatadas nos autos, é possível constatar que, até 30/09/2024, o avanço físico (realizado) ficou em torno de 4,83%, contra a previsão do cronograma, já revisada (reprogramada), de 17,27%." O dado é resultado de análise técnica realizada pelo TCE.>
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O Tribunal de Contas, no voto do relator, ainda afirma que o descompasso no cronograma das obras no Cais das Artes "enseja potencial risco quanto ao alcance da conclusão de todo o empreendimento no prazo originalmente previsto". >
Por meio de nota, o DER-ES informa que a Coordenação Executiva de Obras Estruturantes e Prioritárias (CEOE-III) foi criada em 26 de novembro de 2024 e, desde então, foram tomadas diversas providências para acelerar o andamento das obras do Cais das Artes. Confira a íntegra no fim do texto.>
Na decisão, também é destacado que o consórcio com o qual o Executivo estadual firmou acordo de retomada das obras em 2023 já externava, em documento que integra o processo de acompanhamento das obras do Cais das Artes pelo TCE, "preocupação acerca de possíveis impactos no cronograma inicialmente acordado". A manifestação do consórcio nesse sentido teria ocorrido em junho do ano passado.>
Ao ser questionado sobre os atrasos no cronograma físico de execução das obras do Cais das Artes, em novembro de 2024, o DER respondeu à área técnica do TCE com a justificativa de que havia sido determinada a alteração na estrutura organizacional do órgão visando à criação da Coordenação Executiva de Obras Estruturantes e Prioritárias (CEOE-III). >
A criação desse núcleo, por meio de uma minuta de decreto, conforme o DER em sua resposta ao tribunal, seria "capaz e suficiente para atender a necessidade de aceleração do ritmo da obra sob acompanhamento".>
No entanto, os auditores do tribunal constataram, em despacho da Diretoria Setorial de Obras de Edificações (Dired), ligada ao DER, que a minuta citada pela autarquia "ainda estaria em estágio embrionário".>
Trecho do acórdão do Tribunal de Contas, publicado nesta segunda-feira (17)
Além de descompasso no cronograma visando ao andamento e à conclusão das obras do Cais das Artes, o acórdão do Tribunal de Contas também chama a atenção ao fato de o DER não estar cumprindo acerto feito com a Corte em maio de 2024.>
Na ocasião, ficou acordado que o tribunal passaria a acompanhar a continuidade dos trabalhos no empreendimento em tempo real, sendo auxiliado por relatórios que, a princípio, seriam repassados pelo DER. A troca de informações entre os dois órgãos, entretanto, não tem ocorrido como o esperado, segundo ressaltado no voto de Davi Diniz.>
Trecho do acórdão do Tribunal de Contas, publicado nesta segunda-feira (17)
Ao final de seu voto, acompanhado pelos demais conselheiros do TCE, Davi Diniz pede para que o DER adote os "prazos estabelecidos na reprogramação para a execução das etapas macro da obra (quais sejam recuperação e execução do saldo contratual), de modo que seja atingido, o prazo de conclusão acordado".>
A obra do Cais das Artes começou oficialmente em 2010, no fim do segundo mandato do então governador Paulo Hartung. O investimento total seria de R$ 115 milhões. A previsão inicial de entrega do empreendimento era para 2012, mas uma série de contratempos e judicializações resultou no atraso da obra.
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Em 2013, um novo contrato foi firmado para continuidade das obras. Porém, em 2015, foram constatadas irregularidades na execução do projeto, inclusive com pagamentos indevidos. Já em 2023, oito anos depois da paralisação e dois anos após a morte do arquiteto Paulo Mendes da Rocha (autor do projeto), Casagrande anunciou a retomada diante do acordo judicial com o consórcio Andrade Valladares - Topus, prometendo a entrega do espaço até janeiro de 2026.>
À época, o governo do Estado divulgou que seriam desembolsados R$ 183 milhões para as operações, sendo R$ 20 milhões para recuperação e limpeza do canteiro de obras e R$ 163 milhões para as demais atividades. Até ali, já haviam sido pagos R$ 56 milhões à Santa Bárbara, primeira empresa que executou a obra, e outros R$ 76 milhões destinados para o Consórcio Andrade Valladares - Topus para a parte do projeto que foi executada até a paralisação de 2015.>
O desenho original do complexo cultural prevê um teatro com 600 metros quadrados, que deve comportar 1,3 mil lugares, e um museu com espaço de 2,3 mil metros quadrados. Além disso, o Cais das Artes deve contar com um auditório para 225 pessoas, salas de exposições, biblioteca, cantina, recepção, cafeteria e espaços para espetáculos e exposições ao ar livre.>
Procurado para mais informações sobre os fatos constatados pela área técnica do Tribunal de Contas, bem como a respeito das determinações impostas pelo órgão de fiscalização, o Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) informou, nesta terça-feira (18), que a Coordenação Executiva de Obras Estruturantes e Prioritárias (CEOE-III) foi criada em 26 de novembro de 2024 e, desde então, foram tomadas diversas providências para acelerar o empreendimento, entre elas a consolidação do primeiro aditivo de saldo do contrato, com serviços essências para o andamento da obra, que requer atualizações, bem como imperioso as revisões dos projetos, por meio das consultorias que também foram inseridas, para possível conclusão das obras e instalações previstas. >
O DER-ES ainda acrescenta que foram contratadas as revisões/adequações de projetos cenotécnicos, áudio, vídeo, luminotécnico, caixilhos, acústica, arquitetura e elétrica. >
Íntegra da nota do DER-ES
"O Departamento de Edificações e de Rodovias do Espírito Santo (DER-ES) informa que a Coordenação Executiva de Obras Estruturantes e Prioritárias (CEOE-III) foi criada em 26 de novembro de 2024 e, desde então, foram tomadas diversas providências para acelerar o empreendimento, entre elas a consolidação do primeiro aditivo de saldo do contrato, com serviços essências para o andamento da obra, que requer atualizações, bem como imperioso as revisões dos projetos, por meio das consultorias que também foram inseridas, para possível conclusão das obras e instalações previstas.
Foram contratadas as revisões/adequações de projetos cenotécnicos, áudio, vídeo, luminotécnico, caixilhos, acústica, arquitetura e elétrica. Foram concluídas as revisões dos quadros de energia e circuitos do Museu/Anexo, além disso foi concluída a revisão da subestação do Museu. Atualmente está sendo atualizada a subestação do Teatro. Após esta etapa será revisado os projetos de SPDA e Aterramento, e na sequência dos projetos de cabeamento estruturado e automação.
As revisões dos projetos de cenotécnico, áudio, vídeo, luminotécnico, caixilho e acústica foram iniciadas com previsão de entrega da primeira leva de definições programada para este mês de fevereiro/2025 (definições do Ed. Anexo e Museu). A segunda entrega está programada para março/2025 com as definições do teatro.
Na parte da arquitetura, o escritório de arquitetura tem sido acionado na medida que surgem dúvidas técnicas ou necessidade de detalhamento de serviços. Também foi feita consultoria de impermeabilização, incêndio e estrutural. Essas consultorias foram contratadas e estão sendo realizadas na medida do avanço dos serviços na obra. Já na questão de ar condicionado, foi iniciada a contratação de consultor na área de mecânica para acompanhamento dos serviços de recuperação dos equipamentos de ar condicionado que começaram a ser restaurados. Além disso, o DER-ES informa que o próprio Tribunal de Contas do Espírito Santo (TCES) vem fazendo uma auditoria rotineira à obra".
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