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O que fazer e não fazer quando helicóptero pousar na praia para resgate

Com o aumento de resgates e ações no litoral no verão, as aeronaves, por vezes, precisam descer nas praias. A ação pode colocar banhistas e tripulação em risco, caso normas de segurança sejam desrespeitadas

Tempo de leitura: 3min
Vitória / Rede Gazeta
Publicado em 03/01/2022 às 15h49
Notaer
O Notaer intensifica as ações de fiscalização e salvamento de banhistas durante o verão no litoral do ES. Crédito: @everton.fogografia/Instagram

Efetuar resgates é uma das muitas funções que os militares do Núcleo de Operações e Transporte Aéreo realizam diariamente a bordo dos cinco helicópteros que compõem a frota do Notaer-ES. E, no verão, com o aumento de frequentadores, banhistas e turistas nas praias do litoral capixaba, os sobrevoos e demandas nestas áreas aumentam consideravelmente.

Por este motivo, os pilotos e demais tripulantes do Notaer chamam a atenção da população para alguns cuidados simples, porém extremamente necessários, para que a segurança seja priorizada no momento em que a aeronave sobrevoa o mar ou até mesmo pouse na faixa de areia.

Entre as recomendações solicitadas, estão fechar o guarda-sol, recolher objetos soltos (garrafas plásticas, roupas, óculos de sol), segurar o pet, manter crianças em local seguro, e, em caso de pousos, afastar-se a pelo menos 50 metros de onde a aeronave descer. Os pedidos, entretanto, vão muito além destes, como detalhado pelo major Pablo.

Major Pablo Angely

Major Pablo Angely

Piloto do Notaer-ES

"Quando fazemos um sobrevoo de observação, por exemplo, voamos a uma altura de mais ou menos 25 a 30 metros, que não oferece riscos para quem está na água ou solo. O problema é quando precisamos baixar um pouco mais, para 7/8 metros quando o bombeiro salta para efetuar um resgate de afogamento, ou até mesmo em um pouso. São nestes momentos que o vento deslocado pelo motor é muito forte e pode arrancar as sombrinhas, formar uma 'nuvem de areia', entre outras consequências"

O militar destaca que as aeronaves, especialmente os helicópteros, chamam a atenção de adultos e crianças, principalmente pela proximidade que algumas operações permitem e geram até mesmo curiosidade para vê-los de perto. No caso dos cães, ele destaca ainda que o ruído gerado pelo motor pode ainda fazer com que os bichos corram na direção da máquina. 

PERIGO COM O ROTOR

Além destes eventuais incidentes que o deslocamento do ar pode ocasionar, a maior preocupação dos pilotos e tripulantes em um momento de pouso é com o rotor de cauda do helicóptero. Um eventual contato com as hélices em alta rotação é fatal, por isso a necessidade e preocupação quando a aeronave toca o solo ou inicia uma decolagem.

"Só para terem uma ideia, o motor traseiro trabalha próximo de 2 mil rotações por minuto (RPM's). Qualquer toque nele, por menor que seja, vai acidentar gravemente (decepar membros ou óbito). Além disso, ele fica muito próximo do solo, então uma criança que corra na direção ou até mesmo um pet, correm muito perigo. Visto de frente, enquanto está em rotação, as pás são quase imperceptíveis, então fazemos uma pintura chamativa na ponta para que as pessoas vejam a marcação que o giro provoca. Esta é uma situação de extremo perigo", reforça o major.

Sempre que um pouso se faz necessário, os pilotos procuram descer em uma área aberta e sem pessoas por perto, mas por vezes a urgência do atendimento exige que desçam em locais de grande movimentação. O major até usou um salvamento ocorrido no último sábado (1), em Praia Mansa, no litoral paranaense, quando o helicóptero desceu em meio a um "mar de gente" na faixa de areia. 

"Quando é o caso de salvamento de afogamento ou em caso de praia, por vezes temos de descer na faixa de areia. Nestes casos o tempo não está a nosso favor. Passei por isso recentemente em Manguinhos, na Serra. Às vezes o acionamento é para mais de uma pessoa, então resgatamos uma pessoa, deixamos na areia sob os cuidados de guarda-vidas ou Samu, e já voltamos para o outro resgate. O pouso e decolagem são feitos com os motores ligados e em questão de minutos", complementa.

O major Pablo explicou que no Estado não há registros de acidentes do tipo envolvendo o Notaer, mas em outros locais já ocorreram incidentes no momento em que as ações em solo foram realizadas. As aeronaves do Notaer podem ser acionadas a qualquer momento para operações de afogamentos, transporte de pessoas acidentadas, apoio aéreo em operações das polícias Civil e Militar, entre outras ações.

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