Há duas décadas, ainda era comum ver famílias viajando com mapas impressos. De uns tempos para cá, a ideia é fora de cogitação para muitos. Os aplicativos de transporte e mapas vieram para ficar e são uma "mão na roda", mas o que nem sempre observamos é que eles podem coletar muitas informações a respeito dos usuários. Nessa perspectiva, o comentarista Gilberto Sudré explicou, em entrevista para o quadro “CBN e a Tecnologia”, da CBN Vitória, como proteger os dados pessoais.
Entrevista com Gilberto Sudré, comentarista do quadro CBN e a Tecnologia
Segundo ele, algumas informações em especial são coletadas por essas ferramentas. Confira os exemplos:
Informações de redes sociais conectadas ao aplicativo
“Os aplicativos têm essa opção de favoritar destinos, que facilita a busca por informações, no entanto, a prática acaba fornecendo dados de destinos regulares, o que pode ser um incômodo à privacidade”, disse.
“Os apps têm acesso a informações de viagens referentes à geolocalização, como rotas, meios de transporte e horários. De acordo com a política de privacidade de dados de diversas plataformas, dados de identificação digital precisam ser coletados automaticamente para exibir rotas e horários de ônibus e metrô. Ao permitir que essa informação seja coletada, os apps de mapa têm acesso ao seu modelo de transporte favorito”, afirmou.
“A interação com outros usuários no aplicativo também é registrada. Por exemplo, quando uma rota é compartilhada com terceiros. Até conversas trocadas com outros usuários podem ser coletadas. O Waze armazena mensagens de bate-papo com a equipe de suporte ou condutor”, detalhou.
Essas também podem ser acessadas. “A prática de fazer login em apps usando serviços como Facebook e Google é comum entre os usuários, por economizar tempo. No entanto, ao entrar em aplicativos de transporte e mapas com outras contas, a plataforma tem acesso aos dados que você compartilha com sua rede social, como nome, e-mail, idioma preferido, foto de perfil, entre outras”, explicou.
COMO PROTEGER A PRIVACIDADE?
À CBN Vitória, Gilberto Sudré deu dicas do que fazer para proteger a privacidade. Segundo ele, o histórico de localização dos aplicativos guarda locais visitados e, dessa forma, a plataforma tem acesso aos destinos já buscados.
Uma primeira dica de segurança é desativar esta configuração. “Para fazer isso, no Google Maps é preciso acessar as configurações de sua conta do Google. Pode fazer isso acessando o aplicativo Google Drive, e indo ao ícone de perfil no canto superior direito da tela. Vá então em ‘gerenciar sua conta’ para fazer a alteração”, explicou.
Outra questão é que os aplicativos de rota e transporte precisam que o usuário libere acesso ao local do dispositivo. É possível, porém, de acordo com a explicação de Gilberto Sudré, selecionar uma opção mais segura ao entrar na plataforma pela primeira vez.
"Nesse caso, quando o aplicativo exibir a opção de permissão de localização, basta tocar em permitir ‘durante uso do aplicativo’. Assim, os apps só terão acesso ao seu local quando você estiver usando o serviço. Usar o modo de navegação anônima no Google Maps é outra dica de privacidade. O recurso evita que o Google salve os dados de algumas atividades da conta do usuário, como lugares buscados ou rotas percorridas"
Por último, o comentarista afirma que é importante verificar as permissões que cada aplicativo tem e desabilitar as que julgar desnecessárias. Para isso, deve-se abrir as configurações da aplicação do dispositivo e verificar quais permissões cada um tem. “Desative os que achar desnecessários”, recomendou.