Durante quase três dias de buscas, a família de Arthur Mulinari Oliveira, de 22 anos, manteve a esperança de encontrá-lo com vida. O rapaz, que trabalhava como motoboy, havia desaparecido no mar enquanto surfava com um amigo em Vila Velha, no Espírito Santo. O desfecho veio nesta quinta-feira (9), com a localização do corpo do jovem, trazendo um misto sentimentos contraditórios, de alívio e dor, aos familiares.
É o alívio de ter encontrado o corpo, mas a tristeza é infinita
Pedro Boldrini | Tio de Arthur
Após buscas por terra e pelo mar, o corpo de Arthur foi encontrado boiando por um salva-vidas nas proximidades do Posto 15, a cerca de 1,5 quilômetro do local onde havia desaparecido.
"Estávamos de plantão no Posto 18. A família estava reunida com amigos quando um deles passou e avisou que tinham encontrado um corpo no Posto 15. Meu irmão e eu pegamos o quadriciclo e confirmamos que era o Arthur", detalhou o tio.
A confirmação da identidade de Arthur fez Pedro Boldrini enfrentar a realidade da perda do sobrinho, a quem viu crescer e considerava como um filho.
Ele viveu 22 anos intensamente, com muita alegria. Um menino que sempre levou a vida de bem o tempo todo
Pedro Boldrini | Tio de Arthur
Pedro afirma que, agora, a família terá de aprender a conviver com as lembranças que construíram com Arthur, descrito por ele como um jovem leve e compreensivo. "Às vezes, você brincava com ele sobre algo que ele levava a sério. Depois ele entrava na brincadeira e ficava tudo por isso mesmo", lembrou.
Para o tio, a união entre os familiares será a força fundamental para enfrentar o luto. “Sempre existiu essa relação de família. Sempre estivemos muito juntos. Viemos do Norte do Espírito Santo para cá unidos. Minha irmã e eu somos próximos e criamos nossos filhos sempre juntos”, disse.
Mudança na corrente marítima ajudou nas buscas
O salva-vidas Rafael Bicalho Gomes foi quem encontrou o corpo de Arthur. Ele avistou primeiro as costas da vítima boiando após a arrebentação e, com a ajuda de um colega, levou o jovem até a faixa de areia.
Segundo Rafael, as equipes já trabalhavam com a possibilidade de localizar Arthur entre quinta (9) e sexta-feira (10) porque a mudança na direção da corrente marítima indicava que o corpo poderia ser levado para aquela região.
“No dia do desaparecimento, o vento estava no sentido Nordeste e as buscas foram feitas mais para o lado de lá (sentido Ponta da Fruta) porque a tendência era jogar para lá. Ontem o vento virou para Sul e mudou a corrente. Assim, as varreduras vieram para cá (sentido Itapuã). E não foi à toa que apareceu por aqui”, explicou.
(Com informações de Tarciane Vasconcelos, da TV Gazeta)