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MPES denuncia pais por estupro e morte de criança de 2 anos em Vila Velha

MPES denuncia pais por estupro e morte de criança de 2 anos em Vila Velha

O casal foi denunciado nesta terça-feira (2) pela morte de Jorge Teixeira da Silva, que morreu na madrugada do dia 5 de julho em Vila Velha

Publicado em 2 de agosto de 2022 às 21:36

Maycon Milagre da Cruz, de 35 anos, o menino Jorge Teixeira da Silva, de 2 anos, e Jeorgia Karolina Teixeira da Silva, de 31 anos
Maycon Milagre da Cruz, de 35 anos, o menino Jorge Teixeira da Silva, de 2 anos, e Jeorgia Karolina Teixeira da Silva, de 31 anos Crédito: Reprodução / Fabrício Christ 

Ministério Público do Espírito Santo (MPES), por meio da Promotoria de Justiça Criminal de Vila Velha, denunciou Maycon Milagre da Cruz e Jeorgia Karolina Teixeira da Silva pelos crimes de homicídio qualificado e estupro de vulnerável. O casal, que está preso, foi denunciado nesta terça-feira (2) pela morte de Jorge Teixeira da Silva, criança de 2 anos que morreu na madrugada do dia 5 de julho em Vila Velha.

O inquérito policial foi concluído pela Polícia Civil no dia 15 de julho e enviado ao Fórum Criminal de Vila Velha para apreciação.

Jorge Teixeira da Silva, de 2 anos, foi levado pela mãe para um hospital em Vila Velha. Jeorgia, ao chegar ao local, disse que a criança estava com pneumonia. Porém, os médicos perceberam que a criança estava com lesões, apontando possíveis torturas e abusos. Dias depois da prisão dos pais. A Polícia Civil informou que exames constataram vestígios de sêmen e sangue nas roupas da criança.

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MPES denuncia pais por estupro e morte de criança de 2 anos em Vila Velha

Na decisão, o promotor de Justiça narra que as lesões da criança foram produzidas por meio de tortura e atos libidinosos dentro de casa. O documento não individualiza a culpa, uma vez que não houve testemunhas e Maycon, pai da criança, se recusou a fornecer material para exame de DNA. Segundo o promotor, Maycon Milagre da Cruz e Jeorgia Karolina Teixeira da Silva assumiram o risco.

"O homicídio foi cometido com emprego de tortura, pois, além de diversas lesões térmicas em seu corpo (pelo menos oito), a vítima, de apenas dois anos, apresentava equimose no abdômen e na cabeça e teve introduzido instrumento contundente no canal anal, provocando múltiplas lacerações, o que certamente lhe causou grande sofrimento"

Promotor de Justiça

Em denúncia do MPES

Procurada pela reportagem de A Gazeta, a Secretaria de Estado da Justiça informou que Maycon Milagre da Cruz está preso no Centro de Detenção Provisória de Viana 2 e Jeorgia Karolina Teixeira da Silva, no Centro Prisional Feminino de Cariacica.

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MPES denuncia pais por morte de criança em Vila Velha

Na decisão, o promotor de Justiça narra que as lesões da criança foram produzidas por meio de tortura e atos libidinosos dentro de casa

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Eles vão responder pela prática dos delitos tipificados nos art. 121, §§2º, III e IV, e 4º, parte final, e 217-A, caput, c/c 226, II, ambos c/c 13, §2°, “a” e “c”, e 29. Ou seja, matar alguém com emprego de tortura ou meio cruel, com impossibilidade clara de defesa da vítima, e manter conjunção carnal com menor de 14 anos.

RELEMBRE ALGUNS PONTOS DO CASO

  • Mãe apontou pneumonia em filho

    Na madrugada de segunda (4), Jorge Teixeira da Silva foi levado pela mãe para o Hospital Estadual Infantil e Maternidade Alzir Bernardino Alves (Himaba), em Vila Velha. Segundo a Polícia Civil, Jeorgia informou, ao chegar ao local, que a criança estava com pneumonia. Porém, os médicos perceberam que a criança estava com lesões, apontando possíveis torturas e abusos.

  • Sinais de abusos sexuais

    O crime começou a ser apurado durante a madrugada dessa terça-feira (5), quando a polícia tomou conhecimento da morte da criança. A corporação tinha informações sobre sinais de abusos sexuais. O corpo foi levado ao DML, com o acompanhamento da equipe policial. O objetivo era entender o que causou a morte do menino.

  • Pais indiferentes à morte

    Desde a chegada ao Himaba até a detenção do casal, a polícia afirmou ter observado que os pais da criança demonstravam indiferença com a morte dela, sem emoções ou tristeza aparente, apesar da gravidade do caso. Na avaliação de Alan Moreno, delegado adjunto da Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP) de Vila Velha, o comportamento causou estranhamento.

  • Casal não queria filho no DML

    Segundo a Polícia Civil, Jeorgia e Maycon apresentaram resistência quando souberam do protocolo de transferência do Himaba, que encaminharia o corpo de Jorge para o DML. Segundo apuração da repórter Daniela Carla, da TV Gazeta, os pais tentaram evitar que o corpo fosse levado. A tentativa era que a criança fosse diretamente para uma funerária. O casal teria alegado não ser necessária a autópsia do corpo.

  • Exame aponta causa da morte

    Após a realização de um exame no DML, o médico-legista apontou que o menino havia sido violentado sexualmente e que a causa da morte foi "choque séptico peritonite, decorrente da perfuração do reto e do ânus devido a um trauma contuso anal". A pneumonia, antes relatada pela mãe, foi descartada pela Polícia Civil.

  • Possíveis queimaduras por cigarro

    Com os exames feitos na PC, os médicos apontaram que houve introdução de instrumento contundente na vítima, além de lesões na face, no dorso, no braço e em parte da coxa, que podem ter sido provocadas por cigarro.

  • Sem explicações à polícia

    O descarte da pneumonia e o conhecimento das lesões internas e externas fizeram com que o casal fosse levado a explicar o ocorrido. Jeorgia Teixeira da Silva e Maycon Milagre da Cruz foram conduzidos à Divisão Especializada de Homicídios e Proteção à Pessoa de Vila Velha, onde prestaram depoimento por aproximadamente 12 horas. Em coletiva de imprensa nesta quarta-feira (6), o delegado Alan Moreno afirmou que eles não souberam dizer o que aconteceu com a criança de domingo (3) para segunda (4), tendo "apresentado versões lacunosas e imprecisas".

  • Troca de mensagens chama atenção

    Durante as investigações, uma troca de mensagens entre os pais chamou a atenção da polícia. Após o alerta feito por médicos sobre a suspeita de abuso, a mãe da criança entrou em contato com o companheiro. "Ela diz assim: 'O nosso filho foi vítima de um estupro'. O pai responde: 'Estupro, mas por quê?', e ela diz que a médica estava falando que ela precisava ir até a delegacia fazer um boletim. O pai fala que isso é normal, que todo hospital faz isso, e para a mulher ficar tranquila", detalhou o delegado Alan Moreno. Após confeccionar o boletim, quando a criança ainda estava viva no hospital, Maycon mandou uma mensagem para a mulher. "Ele fala a seguinte frase: 'Depois nós temos que sentar e conversar sobre o boletim, pode ser que tenhamos passado alguma coisa despercebida'. Quero deixar claro que temos que entender o que foi dito antes e após essas mensagens, para fazer uma contextualização, mas elas causam estranheza à polícia", disse o delegado.

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