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Independentemente de crença religiosa, relatos sobre a recuperação da Covid-19 dão novo ânimo aos que ainda buscam a cura
Independentemente de crença religiosa, relatos sobre a recuperação da Covid-19 dão novo ânimo aos que ainda buscam a cura. Crédito: Freepik

Médicos e sobreviventes da Covid contam milagres que vivenciaram em 2020

No ano marcado pela tragédia humanitária provocada pela pandemia da Covid-19, profissionais de saúde, familiares e pacientes relatam como é sobreviver à doença

Vitória
Publicado em 25/12/2020 às 05h01

Difícil, desafiador, triste. São muitos os adjetivos que podem ser empregados ao ano de 2020 diante da tragédia humanitária provocada pela pandemia da Covid-19. Somente no Espírito Santo, já são quase cinco mil mortes resultantes da infecção pelo coronavírus. Mas, em meio a tanta dor e sofrimento, há também momentos em que se acende uma luz que direciona para outro caminho.

Profissionais de saúde, familiares e sobreviventes que viram de perto a doença contam suas histórias. São relatos de fé e de esperança. São pequenos milagres cotidianos. São experiências que, independentemente de crença religiosa, podem dar novo ânimo aos que ainda estão em busca da cura. Hoje é Natal, uma celebração cristã de renascimento e que também pode ser tratado como um tempo de reflexão e agradecimento. Para muitos, agora, todo dia é de gratidão. 

DE MÉDICO A PACIENTE

Aos 72 anos e ainda bastante ativo em sua clínica, o pediatra Amaro Feliciano de Araújo, de repente, passou de médico a paciente.  Foram 65 dias de internação, 57 na UTI. Nesse período, apresentou 95% de comprometimento pulmonar causado pelo vírus, e várias outras complicações, tais como trombose venosa profunda (coágulos nas veias), AVC (Acidente Vascular Cerebral - derrame), suspeita de infarto, insuficiência renal, três sepses (infecção) e mais de um episódio de pneumonia, segundo pontua a filha Mariana Araújo. Ele ainda precisou ser submetido a uma traqueostomia, procedimento cirúrgico para fazer uma abertura na traqueia de modo a facilitar a respiração.

"Durante a internação, foram momentos difíceis. Sentíamos a dor insuportável e o medo de perda, foram vários dias de angústia.  Mas sempre sentíamos Deus ao nosso lado, e víamos Ele agindo em cada momento de piora e de melhora. A palavra de Deus chegava até nós por mensagem, ou por pessoas que nunca havíamos visto ou conversado. Tivemos o privilégio de não somente ter a fé, mas sentir a fé; nossa esperança era renovada a cada segundo",  descreve a filha. 

Amaro Feliciano de Araújo, 72 anos, médico
Amaro Feliciano planeja retomar as atividades na sua clínica em 2021. Crédito: Acervo Pessoal

Para Mariana, o pai não viveu  apenas um milagre, mas vários, que continuam se repetindo.  Amaro Araújo já respira o ar ambiente sem a traqueostomia, não teve lesões neurológicas, sobe e desce escadas. Até há pouco tempo, não conseguia nem sequer sentar-se sozinho. O pediatra também considera sua cura e recuperação uma graça divina. 

Amaro Feliciano de Araújo

Pediatra

"“Quando acordei, não sabia onde estava, fiquei um pouco confuso. Pensei muito em Deus, e acredito que sou um milagre. Diante da gravidade do meu caso, poucos sobreviveram"

Com uma recuperação gradativa, e recebendo assistência de saúde multidisciplinar para restabelecer plenamente a parte motora, o pediatra ainda não voltou a trabalhar, mas planeja retomar as atividades em sua clínica em breve. "Meu estado geral é bom, mas os planos de volta são para 2021. Já prometi para Deus. Vim de uma situação muito difícil, Deus me deu essa oportunidade e pretendo retribuir e continuar agradecendo."

PREOCUPAÇÃO

Coordenadora da enfermagem da UTI Covid na Unimed Vitória, Silvane Damasceno de Oliveira ajudou nos cuidados do médico Amaro no período em que ele esteve internado. Ela lembra do pediatra como um dos pacientes mais delicados que passaram pela terapia intensiva, e que conseguiram se recuperar, mas não foi o único. 

Silvane recorda-se também de uma técnica de enfermagem que desenvolveu um quadro grave da doença, e todos os profissionais ficaram muito sensibilizados com a situação, preocupados com o risco de morte. "Era uma colega, e precisávamos ter equilíbrio emocional para lidar com o que estava acontecendo. Essa doença trouxe para todos um medo de contaminação, tanto nossa quanto a de nossos familiares. Eu, por exemplo, tenho pais idosos, uma filha de três anos. Cheguei a dormir em casa de máscara", revela a enfermeira, em tom emocionado. 

Silvane Damasceno de Oliveira, coordenadora de enfermagem da UTI Covid (Unimed Vitória)
Silvane Damasceno ressalta que, na UTI, a equipe vivencia milagres diários. Crédito: Acervo Pessoal

A técnica de enfermagem se recuperou e a cura dela, ou de qualquer paciente, é sempre motivo de celebração, segundo Silvane.  "Ela já está reintegrada ao trabalho, numa gratidão enorme por tudo. A Covid é uma doença muito difícil; é algo que nos confunde: a pessoa está bem e, dali a duas horas, muito mal. Às vezes, achávamos que o paciente teria um desfecho bom, e não era o acontecia. Vivemos um milagre diário com os que se recuperam. Independentemente de religião, é preciso acreditar que vai dar certo. A energia, o que pensamos, atrai."

GRUPO DE RISCO

E a família do empresário José Pereira da Silva, 60 anos, não deixou de acreditar. Mesmo nos momentos mais difíceis, os filhos e a ex-mulher se apegaram à fé de que ele poderia se recuperar. O quadro era complexo. Além da idade que o coloca no grupo de risco, José tem uma série de comorbidades: diabetes, insuficiência renal crônica e uma cardiopatia (problema cardíaco). 

O empresário ficou 20 dias na UTI do Hospital São Bernardo, em Colatina, porque apresentou insuficiência respiratória. Ele foi intubado e precisou ser submetido à traqueostomia.

"Nesse período, percebemos que a nossa fé aumentou. Nosso pai tinha todas as comorbidades para que a recuperação dele não fosse possível, mas Deus operou o milagre e mostrou-nos que o impossível pode acontecer", ressalta o professor universitário José Junior de Oliveira Silva, referindo-se também à irmã, Miriele, e à mãe, Marlete. 

Após 34 dias internado, José Pereira teve alta e foi  saudado com muita emoção no corredor do hospital. Morador de Barra de São Francisco, ele ainda passou um mês em Colatina para ter uma assistência mais intensiva dos profissionais de saúde.  O filho ressalta que a família também seguiu todas as orientações para que o empresário pudesse se restabelecer e, em sua opinião, a recuperação do pai foi perfeita. 

José Junior de Oliveira Silva

Professor universitário e filho de José Pereira da Silva, internado com Covid

"Os médicos foram um instrumento de Deus na Terra, não tem outra explicação. Até para eles, a recuperação do meu pai seria quase impossível. Falo isso para tentar levar o máximo de esperança; transmitir essa mensagem às pessoas que precisam porque passam por essa angústia agora"
José Pereira da Silva, 60 anos, com a família ao sair do hospital
José Pereira da Silva: emoção no reencontro com a família após alta hospitalar. Crédito: Acervo Pessoal

HÁBITOS SAUDÁVEIS

Em processo de recuperação, o marceneiro Raunilo Lande, 63, é mais um caso para demonstrar que, mesmo em uma condição muito crítica, há possibilidade de cura. Ele ficou internado por 36 dias, precisou ser intubado e apresentou complicações. Afora o fato de estar na faixa etária acima de 60 anos, não tem comorbidades, e já mantinha hábitos saudáveis, como não fumar, nem beber, antes da Covid-19. 

Ainda assim, segundo relata a esposa Terezinha do Nascimento Lande, o marceneiro evoluiu com gravidade e, no período da internação, emagreceu cerca de 20 quilos, perdendo também massa muscular. 

Terezinha do Nascimento Lande e o marido, o marceneiro Raunilo Lande
Terezinha e o marido Raunilo Lande antes de o marceneiro contrair a Covid, que o levou a perder 20 quilos e ficar paralisado. Crédito: Acervo Pessoal

"Ele veio para casa na dependência de todos os cuidados de um paciente crítico.  Vivenciar o quadro era deprimente e houve momentos de dúvidas, mas a fé e a perseverança sempre caminharam juntas e alimentavam minha esperança", frisa Terezinha, acrescentando uma passagem bíblica: "o choro pode durar uma noite, mas a alegria vem pela manhã."

Hoje, Raunilo ainda tem algumas limitações motoras, mas começa a retomar as atividades profissionais orientando a equipe, e apresenta uma perda auditiva do ouvido direito. "Mas isso não é nada diante do milagre que Deus fez na vida dele e na de nossa família", atesta Terezinha. 

NA MEMÓRIA

O caso do marceneiro também está na memória do médico intensivista Adenilton Rampinelli, coordenador da UTI do Hospital MedSênior. Ele conta que Raunilo saiu da unidade com um quadro de polineuropatia, em que não mexia braços e pernas, devido à alta carga de sedação, um recurso utilizado para alguns pacientes. 

"Ele recebeu alta com assistência domiciliar e apresentava esse quadro, com perda de massa muscular. Há uma semana, foi ao hospital andando, lúcido, orientado, recuperado. Depois de quatro meses sem vê-lo, foi emocionante", afirma Adenilton. 

Outra história emblemática para o médico é o de um paciente de 65 anos, hipertenso, e que não evoluía positivamente, ao ponto de, em uma sexta-feira, Adenilton solicitar à equipe de assistência social e psicologia que avisasse ao filho para ir até o hospital porque, possivelmente, o pai não resistiria por muito mais tempo. A despedida, com todos os paramentos de segurança, aconteceu, mas então, na segunda-feira, o paciente começou a melhorar. 

Adenilton Rampinelli, médico intensivista (Medsênior)
O médico Adenilton Rampinelli passa mensagens de força e esperança aos pacientes. Crédito: Acervo Pessoal

"Incrivelmente, ele foi melhorando gradativamente. Hoje, já está em casa, voltou a trabalhar, não tem sequelas. Criamos um vínculo, e o filho sempre manda fotos", comenta.

Questionado em que se apega, diante de casos com esses, quando percebe que não há muito mais a fazer pelos profissionais de saúde, o médico sustenta que trabalha com conhecimento científico, porém não descarta sua espiritualidade. 

Adenilton Rampinelli

médico intensivista

"Temos um compromisso profissional de nos fundamentar na ciência, não misturar religião. Mas essa doença traz mais fé para a gente"

PERSEVERANÇA

Enfermeiro da UTI Covid do Hospital Evangélico de Vila Velha, Geovane Borges Fontana se dedica a todos os pacientes que chegam à unidade, mas, entre tantos que já atendeu e o marcaram desde o início da pandemia, ele cita um dos mais recentes a receber alta.

Era um homem com um câncer de intestino em tratamento,  que foi infectado pelo coronavírus e precisou ser internado na UTI.  Pouco antes da intubação, relata Geovane, ele disse que não poderia morrer porque estava perto do aniversário da filha e da esposa. 

"Esse paciente foi intubado, ficou gravíssimo, teve que usar medicações para aumentar a pressão arterial, foi sedado. Quando começou a melhorar e foi extubado, falou: 'vou comemorar o aniversário em casa'. Ele conseguiu recordar, falou da filha, da esposa. Ele tinha tudo para não sair da UTI, mas a fé e a perseverança o ajudaram muito. Isso me marcou, e também o seu histórico. Além do câncer, ele tem sequelas neurológicas de um acidente automobilístico. Ele teve muitas dificuldades na vida, e a Covid era mais uma doença a ser vencida."

O paciente de Geovane venceu e teve alta no dia 14, contrariando as expectativas impostas pela gravidade do caso. “A Covid é uma doença sistêmica. Quando uma pessoa é internada, fica intubada, depende de altas drogas para sobreviver. Passar por isso, é um milagre."

Geovane Borges Fontana, enfermeiro (Evangélico de VV)
Geovane Fontana destaca a força de vontade de pacientes na busca pela recuperação. Crédito: Acervo Pessoal

O DESPERTAR 

A evolução da infecção nas pessoas que contraem a Covid-19 varia bastante, e alguns casos podem chegar a um estágio de maior gravidade em pouco tempo, mesmo para quem leva uma vida normal. Foi o que aconteceu ao autônomo Celso Ricardo Sant'Ana Rodrigues, 41, que, num intervalo de três dias, saiu de sintomas semelhantes ao de uma sinusite, com coriza e congestão nasal, para internação. Primeiro foi atendido no PA de São Pedro, em Vitória, e depois foi transferido para o Hospital Dr. Jayme Santos Neves. 

Celso Ricardo diz que, no hospital, tentaram fazer o procedimento mais simples de respiração e, como seu organismo não estava respondendo ao tratamento, a equipe médica decidiu intubá-lo. Depois de um período com a ventilação mecânica, entretanto, o protocolo dos casos de Covid-19 recomendava a retirada do tubo e realização da cirurgia na sua traqueia.  

“Estava em um quadro que precisaria fazer traqueostomia, mas, milagrosamente, acordei poucas horas antes do procedimento. Ali, já fui desintubado”, lembra. 


Celso Ricardo Sant’Ana Rodrigues, 41 anos, autônomo
Celso Ricardo não respondia ao tratamento e precisou ser intubado, mas conseguiu se livrar da traqueostomia. Crédito: Acervo Pessoal

O autônomo recebeu alta neste mês, e ainda está se recuperando do período da internação. Com fraqueza muscular e falta de ar nos dias subsequentes à saída do hospital, Celso Ricardo está melhorando aos poucos. 

RECUPERAÇÃO FESTEJADA

A recuperação de cada paciente, mesmo que lenta, é uma vitória. A saída deles dos hospitais é sempre celebrada. Sara Soares Lima, médica intensivista do Dr. Jayme Santos Neves, ressalta que todos têm a sua história e deixam suas marcas nos profissionais de saúde. 

"Com alguns, até sofremos mais; já chorei com paciente. Mas nós estamos atentos a cada olhar, trabalhamos com a humanização. Normalmente, são pacientes lúcidos, explicamos os procedimentos e eles têm medo, entram em recusa, o que torna o processo mais difícil", aponta.

Com o grande número de óbitos provocados pela Covid, Sara Lima afirma que a sensação de fracasso ronda os profissionais. "Participamos de muitas mortes, e nos sentíamos fracassados diante da doença. Não foi para isso que estudamos, mas sim para salvar vidas. Então,  toda alta emociona. Quando vemos o paciente saindo por esse corredor, podemos não conhecê-lo, mas sabemos que a batalha não foi em vão”, destaca a médica intensivista. 

Para a fisioterapeuta Dyene Tomazinho Mardones, do Evangélico de Vila Velha, um paciente despertar na  terapia intensiva já é motivo de celebração. "Alguns demoram muito a acordar e, quando acordam, às vezes nem sabem onde estão. Atendi pacientes muito graves, mas que, apesar disso, tinham muita fé e faziam tudo o que pedíamos para poder se recuperar.  Assim, a cada alta da UTI, é uma vitória, é a garantia de um sorriso no rosto."

A pneumologista Amanda Sirtoli Silva, do Vitória Apart Hospital, também fala dos pequenos progressos diários, e observa que a Covid-19 exige uma nova postura das equipes de saúde.

"É uma doença que está nos fazendo aprender a ter calma, ter paciência. Mais do que isso, nos faz respeitar o pior período dela porque não tem tratamento específico, não adianta inventar. O que podemos fazer é dar o suporte clínico, fazer a fisioterapia. Nós que estávamos acostumados a começar um tratamento e dali a três dias o paciente estava bem, com a Covid não é bem assim. Então, ficamos muito felizes com as pequenas conquistas: é um dia que está tossindo menos, no outro reduz o oxigênio, se para de fazer febre, comemoramos", atesta. 

AUMENTO DE CASOS E DESCASO

O sucesso na recuperação dos pacientes depende da dedicação dos profissionais de saúde, que estão desde o início de março em uma jornada extenuante de enfrentamento à Covid-19. O  cansaço é físico e também emocional, ao conviverem com tantas perdas, a preocupação cotidiana com a contaminação, e a necessidade de aprenderem na prática as melhores condutas para os casos que recebem nos hospitais. No início, por exemplo, a orientação era para a intubação precoce; hoje já se reconhece que não é o mais indicado e aumenta o risco de morte.

Sara Soares Lima, médica intensivista do Hospital Dr. Jayme Santos Neves
Sara Lima pede mais consciência da população para conter o aumento de casos de infecção por coronavírus no ES. Crédito: Assessoria do HJSN/Divulgação

"Ninguém sabe como tratar a Covid. Se alguém disser que sabe, é mentira. A doença provoca uma reação inflamatória no organismo, e cada um reage de um jeito. Aí perguntam: 'não tinha comorbidade, como ficou tão grave?' Há pessoas que o pulmão inflama muito e saem sem precisar ser intubadas; outras fazem falência de rins, parada cardíaca, instabilidade hemodinâmica. Há pacientes que respondem em quatro, cinco dias; outros evoluem muito mal. Hoje, estamos recebendo muitos pacientes graves e que usaram ivermectina e hidroxicloroquina", sustenta Sara Lima. 

Se não bastassem as incertezas relacionadas à doença, o Espírito Santo vivencia um período de aumento de casos, parte em decorrência do comportamento inadequado da população que não está respeitando o distanciamento, tampouco usa máscara quando circula nas ruas. A médica intensivista se queixa dessa conduta e reafirma que os profissionais de saúde estão esgotados. 

"Eu estou com dermatite pelo uso de máscara, de touca, pela roupa. Tive desidratação. A gente se expõe, expõe nossa família e a única coisa que a gente pede é para as pessoas terem consciência", desabafa.

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O sentimento é compartilhado por Adenilton Rampinelli. Ele observa que a taxa de mortalidade da Covid-19 é muito alta, e é frustrante, após um dia exaustivo nos cuidados a pacientes graves, sair de um plantão e se deparar com bares, parques, praias e calçadão lotados. "É muito cruel lidar com isso todos os dias", conclui o médico intensivista. 

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