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Publicado em 8 de março de 2022 às 15:54
Desde a volta às aulas, no início de fevereiro, escolas públicas da rede estadual em todo o Espírito Santo e das redes municipais do registram 6.123 casos de estudantes e profissionais da educação afastados em algum momento por Covid-19, segundo levantamento feito pela reportagem de A Gazeta junto à Secretaria de Estado da Educação (Sedu).>
Foram registrados 2.072 casos na rede estadual, e 4.051 casos nas redes municipais, sendo 521 na Grande Vitória.>
Especialistas em saúde avaliam que as contaminações já eram esperadas, mas pontuam que a situação está sob controle, não havendo motivo para alarde. Isso porque o total de casos ainda representa uma baixa parcela do público escolar e é proporcional aos casos do coronavírus no Estado, que vem apresentando queda nas últimas semanas.>
Eles observam que o atual momento de enfrentamento à pandemia no Estado, que vive um cenário de vacinação diferente do que acontecia em 2020, não exige, por exemplo, o fechamento de escolas, mas a convivência com o vírus. Para isso, a manutenção dos protocolos sanitários e adesão à vacinação é fundamental.>
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Em fevereiro, o governo do Estado divulgou um protocolo que afasta somente o aluno contaminado com Covid-19 e mantém sua turma presencial. >
As medidas para enfrentamento e convivência com o vírus estão dispostas na Nota Técnica nº 02/2022, da Secretaria de Estado da Saúde (Sesa), que traz orientações quanto à vacinação, testagem e isolamento de casos suspeitos de coronavírus e gripe. >
Uma das ações estima a realização de "triagem ativa de assintomáticos de forma obrigatória": todos os estudantes e trabalhadores da educação devem passar por uma vistoria diariamente para verificar a presença de algum sinal ou sintoma de infecção, e qualquer aluno ou trabalhador com sintomas ou suspeita de gripe ou Covid deve ser imediatamente afastado, para cumprir isolamento e realizar testagem.>
Para o infectologista Carlos Urbano, este já é um indício do chamado “novo normal”, que exige a convivência com o vírus enquanto as atividades são mantidas de forma tão natural quanto possível.>
“Continuam acontecendo casos de Covid em parques, em festas, em todos os lugares. Nas escolas não será diferente. Não tem porque manter escolas fechadas, as escolas têm que exigir a manutenção dos protocolos sanitários, mas é uma situação com a qual é preciso tentar se acostumar, ainda mais agora que os professores estão vacinados, as crianças acima de cinco anos estão podendo ser vacinadas.”>
O ponto é reforçado pela infectologista Rúbia Miossi, segundo a qual os números registrados nas escolas são consequência da epidemiologia da Covid na população geral. >
“Ou seja, durante a curva de aumento de casos, com certeza escolas, empresas, e outros setores seriam impactados igualmente pois a dinâmica de circulação das pessoas inclui esses locais. Então isso não é nenhuma surpresa. Devido a essa dinâmica, será exatamente assim o manejo dos casos nas escolas. Adoeceu, afasta. Melhorou, retorna. Sem precisarmos suspender atividades.”>
O infectologista e professor do curso de Medicina da Universidade Federal do Espírito Santo (Ufes) Paulo Peçanha observa que os protocolos de segurança já são bem conhecidos, e incluem o distanciamento, uso de máscaras e reforço da higiene. >
Mas, por tratar-se de um vírus de alto poder de contaminação, principalmente no momento em que a variante Ômicron está disseminada, ele pondera que é preciso tomar todos os cuidados possíveis.>
"Manter as escolas abertas e funcionando é muito importante para as famílias, para os alunos, e tomando esses cuidados, mantendo os protocolos, fazendo adesão à vacina, afastando os infectados, a gente consegue manter certo nível de controle.">
Paulo Peçanha
Infectologista e professor universitárioDados da plataforma Escola Segura, alimentada pelas próprias unidades de ensino e que foram repassados pela Sedu, apontam para o afastamento de 1.417 estudantes da rede pública estadual devido ao coronavírus.>
Além destes, 484 professores e 171 servidores da educação também foram afastados por conta da doença.>
Segundo dados enviados pela Sesa, foram registrados 4.051 casos de Covid-19 nas escolas das redes municipais.
Deste total, 521 afastamentos ocorreram na Grande Vitória, conforme as prefeituras.
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A Secretaria de Educação (Seme) da Capital informou que desde 7 de fevereiro, foram registrados 82 casos confirmados de Covid entre professores, o que representa 1,8% dos profissionais do magistério. Além disso, 51 (1,5%) profissionais que atuam nas unidades de ensino, fora das salas de aula, foram afastados.>
Já entre as crianças e estudantes, foram registrados 66 casos positivos para Covid-19, o que significa 0,1% do total de matriculados, segundo a pasta.>
Desde o início do ano letivo, foram registrados 49 alunos e profissionais (servidores e terceirizados) afastados nas 109 escolas da rede municipal.>
A Secretaria de Educação (Seme) informou que 66 servidores (entre professores, diretores, coordenadores, pedagogos, porteiros, auxiliares e cuidadores) e 33 alunos positivaram para Covid-19 entre os dias 8 de fevereiro e 5 de março e precisaram se afastar temporariamente do ambiente escolar.>
A Secretaria de Educação informou que em um universo de quase 6.800 servidores e mais de 68 mil estudantes, 174 testaram positivo para Covid-19 após a volta às aulas. >
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