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Entre 2018 e 2022

Mais de 5 mil munições compradas legalmente foram parar com o crime no ES

Levantamento inédito realizado pelo Instituto Sou da Paz, em parceria com o governo do Estado, revela ainda que o principal local dos extravios é em residências
Felipe Sena

Publicado em 

16 out 2023 às 18:54

Publicado em 16 de Outubro de 2023 às 18:54

Armas e munições apreendidas durante operação em Jaguaré
Armas e munições apreendidas durante operação em Jaguaré; algumas delas ainda estavam na embalagem original Crédito: Divulgação/Sesp
No intervalo entre janeiro de 2018 e junho de 2022, mais de 5 mil munições adquiridas legalmente no Espírito Santo foram parar nas mãos de bandidos. É o que aponta levantamento inédito realizado pelo Instituto Sou da Paz em parceria com o governo do Estado, ao registrar que 5.394 munições foram roubadas, furtadas ou extraviadas para o mercado ilegal capixaba. A maioria dos desvios aconteceu dentro de casa.
Pelo levantamento, 45% dos extravios ocorreram em residências e outros 30% em vias públicas. Nas repartições públicas, apesar de terem menor incidência (2%), quando isso ocorre, uma maior quantidade de munição é levada. Serra, Vitória, Vila Velha e Cariacica somam mais da metade dos casos (53%).
Conforme análise dos dados apontada pelo Instituto Sou da Paz, o alto número de ocorrências envolvendo residências e pessoas com o registro de armas e munição sinaliza para a possibilidade de maior proximidade entre o mercado legal, que teve as normas de controle flexibilizadas a partir de 2019, na gestão do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL), com o armamento que chega ao poder de criminosos.
O gerente de projetos do Instituto Sou da Paz, Bruno Langeani, explica que a pesquisa foi feita cruzando informações de boletins de ocorrência registrados e apreensões realizadas pela polícia no mesmo período. 
"O interessante de olhar para essas duas bases é entender se o que está chegando no crime é parecido ou tem o mesmo perfil do que está sendo desviado. O desvio de munição é uma das fontes do crime, mas também há outras, como o tráfico internacional", analisa Bruno. Segundo ele, o Espírito Santo é pioneiro na realização de um estudo sobre munições levando em conta desvio e apreensão, simultaneamente.
O delegado Daniel Belchior, titular da Delegacia Especializada em Armas, Munições e Explosivos (Desarme) aponta que essas munições nem sempre são perdidas, mas que também podem ser adquiridas seguindo as normas vigentes e depois vendidas ilegalmente. "Existem pessoas que perdem involuntariamente. Mas notamos, também, pessoas que se valem da condição de Colecionador, Atirador Desportivo e Caçador (CAC) parar comprar e, depois, vender essas munições para criminosos", ressalta.
Belchior lembra de uma prisão efetuada durante a Operação "Guarapari Drill”, da Polícia Civil. Um homem com registro ativo de CAC tinha acesso legalmente à compra de armamentos e munições que, posteriormente, eram repassadas ao tráfico. Ainda segundo as investigações, outra pessoa presa durante a mesma operação tem ligações com o PCV (Primeiro Comando de Vitória).
Bruno Langeani, do Instituto Sou da Paz, sugere como esses dados podem colaborar com o trabalho da polícia, analisando o tipo de munição extraviada, levando em consideração a finalidade para a qual é mais comumente utilizada.
"À medida que o Estado começa a estudar mais o perfil dessas munições, aumenta a capacidade de fazer apreensões maiores. Se eu começo a analisar e descubro que estão sendo registrados muitos boletins de ocorrência relacionados a empresas de segurança privada, por exemplo, isso pode virar um material para a delegacia especializada, que pode ir atrás disso e fazer uma apreensão antes que essa munição vá para o crime. Fazer uma atuação mais proativa e, por isso, com mais eficiência."
Mais de 5 mil munições compradas legalmente foram parar com o crime no ES

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