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Mães agradecem à padroeira do ES por cura dos filhos na UTI: “Sala de milagre”

Três histórias, uma só fé. Larissa batizou com as próprias mãos seu bebê no hospital. Jayslane subiu o Convento de joelho após recuperação da filha. Iranilma suplicou pela vitória de sua menina sobre uma potente bactéria

Tempo de leitura: 5min
Vitória
Publicado em 19/04/2022 às 01h59
Romaria das Famílias marca a edição de 2020 da Festa da Penha virtual. A procissão foi transmitida ao vivo pelo G1/ES e pela Rádio Gazeta FM
Imagem de Nossa Senhora da Penha, padroeira do Estado. Crédito: Adessandro Reis

Para as três mães que você vai conhecer nesta reportagem, UTI é sinônimo de sala dos milagres. Em relatos tocados pela devoção, elas testemunham: por um fio, estava a vida dos filhos; por uma corrente (de fé), foi alcançada a graça da cura.

Na Unidade de Terapia Intensiva, intensas também foram as demonstrações de entrega e cuidado. Lá, Larissa batizou com as próprias mãos seu bebê, ameaçado pelo “risco extremo” de uma doença respiratória – o padre autorizou o sacramento sem sua presença. Também lá, Jayslane vivenciou os momentos de angústia por ver sua menina, acometida por pneumonia, em estado grave. E lá, mais uma vez, Iranilma rezou pela vitória da filha sobre uma potente bactéria que destruía os pulmões.

Três histórias, uma só fé: a de que a bênção recebida é resultado do trabalho dos médicos e da intervenção de Nossa Senhora da Penha. “Milagre” é a palavra usada por essas mulheres para definir as experiências que marcaram suas famílias para uma vida inteira.

Neste período de Festa da Penha, que nesta 452ª edição traz o tema “Saúde dos enfermos, rogai por nós”, todas elas dizem ter motivos de sobra para agradecer. Confira abaixo os depoimentos.

“OS MÉDICOS DISSERAM QUE SAÍMOS DO HOSPITAL COM UM MILAGRE”

“Tenho um filho que acaba de completar seis meses. No mês passado, no dia 3, teve início o nosso milagre.” Assim a auxiliar administrativa Larissa Pereira Gabrieli Zopelaro, de 26 anos, introduz sua história.

O pequeno Humberto, filho de  Larissa Pereira Gabrieli Zopelaro, internado na UTI: cura atribuída à intervenção de Nossa Senhora da Penha
O pequeno Humberto durante os dias de internação: sofrimento e luta pela vida. Crédito: Acervo pessoal

A bênção a que ela se refere nasceu de um quadro de forte aflição: a tosse persistente do pequeno Humberto era sintoma de bronquiolite, que progrediu rapidamente e deixou-o  em condições de “extremo risco”, como foi informado à família.

“O estado dele piorou de um dia para outro, de sexta para sábado. Meu bebê ainda não havia sido batizado. Na sexta-feira, quando ele foi intubado, o padre disse que eu mesma poderia realizar o batismo. E assim fiz. No sábado, depois da piora, o sacerdote foi até lá dar a bênção. Pensávamos que o pior aconteceria. Eu e meu marido dobramos os joelhos e entregamos a Deus o nosso bem mais precioso”, destaca a mãe.

A situação era tão grave,  ela enfatiza, que o hospital chegou a permitir a visita dos familiares. 

Larissa Pereira Gabrieli Zopelaro

Mãe de Humberto

"Os médicos deixaram os avós e a tia dele vê-lo, mesmo na UTI. Entendemos hoje que aquilo seria o rito de despedida. O médico responsável pediu para rezarmos, que só assim haveria chance de melhora. Foi quando firmamos o pensamento em Deus e em Nossa Senhora da Penha, que é nossa madrinha de casamento. Amigos, família, pessoas de várias igrejas: todos estavam nessa corrente pela cura. Continuamos com a nossa fé inabalável."

Após a ampla mobilização em orações, veio o alívio. “Os novos exames saíram, e a mancha do pulmão havia sumido. O quadro foi estabilizando. No domingo, foram retiradas as medicações que ajudavam o coração e, na segunda, finalmente ele passou pela extubação [remoção dos tubos de oxigênio]. Os médicos foram todos enfáticos: saímos do hospital com um milagre", frisa.

As cenas na UTI ainda estão bem acesas na memória da mãe. No leito, o menino contrariou prognósticos negativos ao lutar e resistir. “Humberto brigou com o respirador. Mesmo sedado, mexia os braços e pernas como se estivesse avisando: ‘Quero viver, estou lutando’. Assistíamos àquilo abismados, mas com a certeza de que iríamos voltar a sorrir.”

E de fato voltaram, como mostra a foto abaixo, registrada no Convento, o primeiro lugar que o casal levou o filho depois da alta hospitalar. 

O pequeno Humberto após a cura: Convento da Penha foi o primeiro lugar que ele visitou depois da alta hospitalar
Sorriso após cura: o Convento da Penha foi o primeiro lugar que os pais levaram o bebê após a altar hospitalar. Crédito: Acervo pessoal

Larissa Pereira Gabrieli Zopelaro

Mãe de Huberto

"Fomos à casa da nossa Mãe para agradecer. O meu esposo, Brayan, subiu todo o Convento, desde o portão, de joelhos, em forma de agradecimento. A roupa que o nosso bebê entrou no hospital vai para a Sala dos Milagres do santuário. Se hoje temos nosso filho em nossa casa, forte e saudável, foi por causa de um milagre. É sinal do amor de Deus e das bênçãos e intercessão de Nossa Senhora por todos nós."
Larissa Pereira Gabrieli Zopelaro, o marido, Brayan, e o filho do casal, Humberto na Capela do Convento
Larissa, o marido, Brayan, e o filho do casal, Humberto, em outra visita à Capela do Convento,. Crédito: Acervo pessoal

Pouco mais de um mês depois do pesadelo, o casal se prepara para participar da Festa da Penha, que este ano terá um significado ainda mais especial diante das últimas provações. "Vamos marcar presença nas romarias dos Homens e dos Ciclistas."

"OS MÉDICOS FALARAM: MARIA PODERIA NÃO RESISTIR MAIS 48 HORAS"

Esta época do ano é sempre de agradecimento para a dona de casa Iranilma Ribeiro de Figueiredo Loriato. Nesse mesmo período, em 2014, amigos e familiares caminhavam pelas romarias da Festa da Penha pedindo por um milagre: a recuperação da filha dela, Maria de Figueiredo Loriato, que estava na UTI em estado grave, vítima de uma pneumonia por estafilococos.

Maria de Figueiredo Loriato, então com poucos meses de vida, internada na UTI vítima de uma grave pneumonia bacteriana
Maria de Figueiredo Loriato, então com cinco meses de vida, internada na UTI, vítima de uma grave pneumonia bacteriana. Crédito: Acervo pessoal

Iranilma Ribeiro de Figueiredo Loriato

Mãe de Maria

"Essa bactéria destruía os pulmões da minha filha, que tinha então cinco meses. Os médicos falaram que  já tinham feito tudo o que estava ao alcance da medicina. Disseram que, se eu fosse uma mulher de fé, que rezasse, pois Maria talvez não resistisse mais 48 horas."

O apego às orações amparou as poucas esperanças dadas naquele momento. “Quando ficamos sabendo que ela poderia não sobreviver, meu marido,  Marcos Aurelio Loriato, foi ao Convento da Penha pedir a intercessão de Nossa Senhora. Minha amiga foi à Romaria das Mulheres e conseguiu ganhar uma rosa do andor da padroeira e trouxe-a para mim. Ela tentava todo ano e nunca tinha conseguido. Era a primeira vez. Então, entendi como um sinal.”

As medalhas das romarias enviadas pelos amigos e o que sobrou da rosa do andor durante a internação de Maria de Figueiredo Loriato
Símbolos da fé são guardados até hoje pela família: as medalhas  enviadas pelos amigos durante a internação e o que sobrou da rosa do andor de Nossa Senhora da Penha, presente de uma fiel. Crédito: Acervo pessoal

Dias depois, o que era improvável  aos olhos humanos aconteceu, conta a mãe. Os pulmões começaram a se fortalecer, e a menina recobrou a saúde. Teve, enfim, alta. Desde então, o pai da criança cumpre a promessa: todos os anos, ele vai à Romaria dos Homens. E nesta 452ª edição da Festa da Penha, Maria, aos 8 anos de idade, participará da procissão pela primeira vez na vida. “Ao lado da família, vai agradecer pela bênção de ter sido curada”, diz a mãe, de 41 anos.

Maria de Figueiredo Loriato, com os pais e o irmão
Maria, agora com 8 anos, ao lado dos pais e do irmão, José Vitor. Ela vai participar da Romaria dos Homens pela primeira vez, nesta Festa da Penha. Crédito: Acervo pessoal

"A MÃE ME ACOLHEU. SOMENTE ELA SABE A DOR DE OUTRA MÃE"

Febre repentina, prostração, convulsão. A sequência de fatos preocupantes naquele ano de 2007 culminou com a pior notícia que Jayslane de Fátima Moraes Palassi poderia receber: sua filha, Maria Eduarda, então com dois anos e sete meses, foi diagnosticada com pneumonia.

O estado era debilitado, a internação na UTI era inevitável. “O raio-X mostrou que pulmão dela estava tomado pela infecção. Seu estado era muito ruim. De uma criança extremamente ativa, ela passou a ser uma criança que mal conseguia abrir os olhos, nem sequer sentar e menos ainda se alimentar. Cheguei a pensar que o pior aconteceria, pois não me informaram qual procedimento adotariam”, recorda-se a mãe. Segundo ela, os períodos de tratamento foram de reza e joelho no chão.

Jayslane de Fátima Moraes Palassi e a filha Eduarda em foto atual
Jayslane de Fátima Moraes Palassi e a filha, Maria Eduarda, em foto atual, uma década e meia depois da cura da jovem. Crédito: Acervo pessoal

Jayslane de Fátima Moraes Palassi

Mãe de Maria Eduarda

"Foi a fé que me segurou no colo. A Mãe me acolheu, pois somente ela sabe a dor de outra mãe. Minha bebê iria se perder, eu iria me perder sem ela."

Apesar dos momentos de tormenta e temor no hospital, a fé embalava a família. “Nas muitas orações que fazia com minha filha, disse para ela que Papai do Céu estava cuidado dela. E Nossa Senhora também. Quando coloquei a mão sobre o travesseiro à esquerda e à direita de sua cabeça, estava quentinho: eles estavam ali. Do box que ela estava, a vista presenteava com o Convento. Ela passou mais alguns dias na UTI, os médicos fizeram vários procedimentos, e minha menina se curou, praticamente sem sequelas."

Filha recuperada, graça alcançada, hora de pagar a promessa feita durante os 10 dias na UTI e os 17  na internação pediátrica. 

Jayslane de Fátima Moraes Palassi e a filha Maria Eduarda em foto de 2008, quando a mãe cumpriu a promessa de subir até o Convento após a cura da menina
Jayslane e a filha, Maria Eduarda, em foto de 2008, quando a mãe cumpriu a promessa de subir até o Convento após a cura da menina. Crédito: Acervo pessoal

Jayslane de Fátima Moraes Palassi

Mãe de Maria Eduarda

"Subi até o Convento de joelhos. Foi emocionante. Ao final, fomos chamados pelo frade e recebemos a bênção, após contar nossa história e o milagre que vivenciamos e vivemos."

Fique por dentro de todas as informações da Festa da Penha 2022. Acompanhe a página especial do evento em A Gazeta: agazeta.com.br/festadapenha.

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