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Licença não sai e draga que aumentaria praia em Vitória vai para Ilhéus

Licença não sai e draga que aumentaria praia em Vitória vai para Ilhéus

Empresa afirma que já cumpriu todas as exigências do Iema para obter autorização para explorar de jazida de areia, mas órgão estadual diz que não recebeu documentos

Publicado em 18 de junho de 2025 às 11:10

Erosão na Praia do Iate, na Praia do Canto
Erosão na Praia do Iate, na Praia do Canto, em Vitória: início da obra de engordamento foi prometido para logo depois do carnaval Crédito: Vitor Jubini

Prevista para começar logo após o fim do verão, a obra de engordamento da orla entre Praia do Canto e a Enseada do Suá, em Vitória, orçada em quase R$ 25 milhões, está atrasada e não tem previsão de sair do papel. A draga que seria utilizada na intervenção sairia de Natal (RN) com destino à Capital capixaba, mas o licenciamento ambiental não foi concedido pelo Instituto Estadual de Meio Ambiente e Recursos Hídricos (Iema) e, com isso, o equipamento foi levado para Ilhéus (BA).

Em entrevista concedida à A Gazeta em dezembro de 2024, pouco antes de iniciar o segundo mandato à frente da Prefeitura de Vitória, o prefeito Lorenzo Pazolini (Republicanos) disse que não havia começado o aumento da faixa de areia no verão por um pedido dos quiosqueiros. Na época, prometeu que as intervenções começariam após a mudança de estação, em março. Mas, por enquanto, não há previsão para início das obras. 

“Passando o verão e o carnaval, imediatamente iniciaremos esse processo que as pessoas usam a expressão engorda. Eu não gosto muito de usar essa expressão, mas é reconstrução, na verdade. Vamos fazer uma praia nova, é uma praia que vai surgir de maneira única, então, você vai sair do muro do Iate Clube até a Curva da Jurema, até a Ilha do Boi, uma superpraia, uma faixa ali extensa”, declarou.

A intervenção contemplaria as praias da Curva da Jurema, Guarderia e Iate, onde a situação é mais crítica e a erosão já consumiu boa parte da faixa de areia e derrubou até coqueiros.

A reportagem de A Gazeta apurou que para o engordamento ocorrer é necessário duas licenças ambientais. Uma é a da faixa de areia, que foi concedida pelo próprio município. Outra é a da exploração das jazidas de areia – de responsabilidade do Iema –, que ainda não foi autorizada pelo órgão estadual.

Sem a autorização do Iema, a empresa vencedora da licitação não consegue puxar a areia do fundo do mar e levá-la para aumentar a orla. A falta de licença do órgão estadual fez com que a draga que seria utilizada em Vitória fosse levada para Ilhéus.

Draga sairia de Natal, após obra de engordamento

A responsável por executar o engordamento em Vitória é a DTA Engenharia, que venceu o processo licitatório em outubro de 2024. É a mesma empresa que realizou intervenções semelhantes em Guarapari, na Região Metropolitana, e em Piúma, no Litoral Sul do Estado.

A DTA Engenharia estava desde agosto 2024 em Natal, realizando o aumento da faixa de areia da Praia de Ponta Negra, na Zona Sul da cidade. A draga havia chegado ao local em junho, mas as licenças ambientais ainda estavam pendentes e o equipamento acabou deixando a cidade.

O trabalho foi retomado em agosto e paralisado em setembro, devido a problemas nas jazidas. No mesmo mês, houve um decreto de emergência por causa da erosão no mar e a intervenção foi retomada com outra jazida, sendo concluída no fim de janeiro deste ano, conforme informou o g1 RN

De acordo com a DTA Engenharia, após a conclusão da obra em Natal, a draga seria trazida para Vitória. A empresa alega, no entanto, que houve demora em obter a licença da jazida e da obra. Por conta disso, o equipamento foi desmobilizado e levado para Ilhéus. “Dessa forma, assim que obtivermos a licença, será avaliado o melhor equipamento disponível para entender a obra”, informou em nota.

A empresa afirma que houve demora no licenciamento, o que levou o contrato a ser paralisado. “Após a obtenção da licença ambiental, o Consórcio vai avaliar juntamente com a prefeitura (cliente) um novo cronograma de execução, de maneira que atenda as expectativas do cliente, assim como a agenda do equipamento (draga)”, declarou.

Já o Iema informa que recebeu o requerimento para emissão da Licença Prévia (LP) referente à obra em 14 de fevereiro. A licença prévia atesta a viabilidade locacional do empreendimento, mas não autoriza a realização de qualquer intervenção.

O instituto explicou que, a partir do requerimento da empresa, tinha 120 dias para analisar o pedido de exploração da jazida. Perto do fim desse prazo, no fim de maio deste ano, o órgão estadual solicitou novos documentos à DTA Engenharia. A empresa sustenta para a reportagem que já entregou o que foi solicitado, mas o órgão estadual afirma que não recebeu.

A prefeitura, por sua vez, informa em nota que aguarda o Iema conceder a licença para exploração da jazida de areia.

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