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Publicado em 23 de março de 2026 às 19:56
Após um recurso à Justiça, o casal de idosos Aurora Perut Barbosa, de 100 anos, e o marido, Pedro Barbosa, de 97 anos, ganhou um prazo de mais 60 dias para deixar o casarão centenário em que residem, em Ibiraçu, no Norte do Espírito Santo. Eles estão sendo obrigados a desocupar o imóvel, com indenização, devido a obras de duplicação da BR 101. >
O empresário Daniel Perut, neto do casal, disse que a advogada da família ingressou com um embargo (tipo de recurso) no Tribunal de Justiça do Espírito Santo (TJES) e a decisão do desembargador Fabio Brasil Nery foi por manter a determinação para a desocupação do casarão, mas estendeu o prazo que, a princípio, terminaria na próxima quinta-feira (26). Agora, Aurora e Pedro têm até maio para deixar o imóvel, por onde já passaram sete gerações. >
Daniel gostaria que o casarão fosse tombado como patrimônio histórico e, assim, poderia ser preservado, apesar das obras do Contorno de Ibiraçu. "Mas a demolição provavelmente vai ser inevitável. Para a família, é muito triste", lamenta. >
Ao longo dos próximos dois meses, o empresário pretende ainda insistir nesse processo de tombamento e continuar as negociações com a Ecovias Capixaba, concessionária responsável pela duplicação da BR 101 no Espírito Santo. >
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Em função das obras de duplicação, a Ecovias Capixaba prevê desapropriar o casarão e outros 19 imóveis que tiveram a utilidade pública declarada na região.>
Daniel Perut conta que a família ficou sabendo que precisaria abandonar o casarão em janeiro. Na ocasião, a avó Aurora chegou a passar mal e ficou hospitalizada por cinco dias. Ao todo, 13 familiares, de quatro gerações, moram no imóvel.>
"A minha família está naquela casa há mais de 100 anos. Foi construída pelo meu tataravô, Ângelo Peruti, e a esposa dele, Magda Ana Polese. Eles vieram da Itália, como imigrantes, de navio. Os primeiros lugares que eles chegaram foi em Santa Cruz, Aracruz, e depois vieram para Ibiraçu, onde construíram a casa", relembra.>
De acordo com o empresário, a concessionária ofereceu menos R$ 1 milhão em indenização. No entanto, levantamento feito pela família dá conta de que a área, que tem ao todo 6,7 mil m², vale cerca de R$ 6 milhões.>
Questionada por A Gazeta sobre o valor, a Ecovias Capixaba afirma que todos os processos seguem rigorosamente a legislação vigente. Disse ainda que as indenizações são definidas a partir de critérios técnicos, com base em vistorias detalhadas, medições e levantamento das características de cada imóvel.>
Em 24 de fevereiro, a juíza Thaita Campos Trevizan, da Comarca Regional de Aracruz e da Rota do Buda, expediu uma liminar determinando que, caso a família não saísse do imóvel até o próximo dia 26, poderia haver desocupação com o uso da força policial. Agora, o prazo foi estendido. >
No dia seguinte, a advogada da família entrou com um pedido na Justiça para que a decisão fosse revista. No dia 13 de março, a solicitação foi indeferida e os efeitos da liminar passaram a valer novamente. No recurso mais recente, apreciado no TJES na última sexta-feira (20), apesar de a desocupação do imóvel ter sido mantida, agora o prazo é de 60 dias para cumprir a determinação. >
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