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Família acusa enfermeiras

Homem morre em PA após ter atendimento negado em hospital de Vila Velha

Familiares afirmam que Nilson de Almeida Gogge, de 54 anos, estava muito debilitado e passando mal, mas teve socorro negado por enfermeiras do Hospital Evangélico do município
Jaciele Simoura

Publicado em 

15 ago 2025 às 12:27

Publicado em 15 de Agosto de 2025 às 12:27

Um homem de 54 anos morreu no Pronto Atendimento (PA) da Glória, em Vila Velha, na noite de quinta-feira (14). Familiares de Nilson de Almeida Gogge afirmam que ele foi levado para lá após ter o atendimento negado no Hospital Evangélico do município. Eles contaram que, diante da recusa, pediram ajuda a uma equipe da Guarda Municipal que passava pela região e o indivíduo foi levado à unidade municipal, mas não resistiu. Duas enfermeiras acusadas por parentes dele de negar socorro foram levadas para serem ouvidas na Delegacia Regional do município.
Quando deu entrada no PA da Glória, Nilson passou por cerca de 50 minutos de tentativas de reanimação, mas não resistiu. A sobrinha dele, Mara Rúbia de Almeida, conversou com a reportagem da TV Gazeta. Ela disse que o tio era alcoolista, sofria de depressão e tinha problemas cardíacos. Ele estava em uma casa de reabilitação, mas, devido ao agravamento do quadro, os funcionários da instituição avisaram a família, que decidiu levá-lo ao hospital. 
O próprio médico que o atendeu em novembro, quando ele ficou 17 dias na UTI, disse que qualquer ocorrência a gente podia levá-lo direto para o hospital (Evangélico), sem passar por outra unidade. Foi o que fiz
Mara Rúbia de Almeida - Sobrinha de Nilson
Mara Rúbia disse que, quando chegou com o tio ao hospital, duas enfermeiras informaram que Nilson estava bem e que não poderia ser atendido. “Ouvi, inclusive, que ali não era SUS”, relatou. 
Nilson de Almeida Gogge, 54 anos.
Nilson de Almeida Gogge, 54 anos. Crédito: Acervo Pessoal
A sobrinha de Nilson disse que insistiu, dizendo que havia orientação médica para levá-lo diretamente ao local, mas ao perceber que não seria atendida, decidiu colocá-lo no carro e levá-lo ao PA da Glória. “Solicitei pelo menos quatro homens para ajudar a colocá-lo dentro do carro, mas a enfermeira disse que não poderia, que era norma do hospital”, afirmou Mara Rúbia.
Ela explicou que, naquele momento, uma equipe da Guarda Municipal passava pelo local, e a família pediu ajuda aos agentes. O inspetor Salomão afirmou em entrevista à TV Gazeta que as enfermeiras mantiveram a recusa no atendimento, mesmo com a guarnição no local. 
Falaram para a guarnição que ali não era SUS. Diante da negativa, levamos o senhor Nilson até o PA da Glória
Salomão - Inspetor da Guarda Municipal de Vila Velha
O inspetor Salomão contou que Nilson foi transportado no carro da família, enquanto a viatura da Guarda de Vila Velha seguiu à frente, com sinais sonoros ligados. No PA da Glória, equipes médicas tentaram reanimá-lo por cerca de 50 minutos, mas ele não resistiu.
“Perdi minha mãe há quatro anos, por câncer. Depois disso, meu tio ficou depressivo. Ele era alcoolista? Sim. Mas eu acho que eles deveriam pelo menos prestar ajuda. Eles olharam meu tio como fosse um nada. E eu acho que não é assim. A partir do momento que você entra no hospital, você faz um juramento, você tem que atender. A única coisa que pedi foi o primeiro socorro”, lamentou Mara Rubia.
A Guarda de Vila Velha disse que as duas enfermeiras do Hospital Evangélico foram conduzidas à Delegacia Regional de Vila Velha para prestar esclarecimentos. A Polícia Civil ouviu, durante a manhã, as duas conduzidas, de 22 e 36 anos. Por volta de 12h, a repórter Priciele Venturini, da TV Gazeta, apurou com a corporação que elas foram liberadas após prestarem depoimento.

Outro lado

Procurado, o Hospital Evangélico de Vila Velha (HEVV) lamentou o ocorrido, manifestou solidariedade à família e disse que o caso está sendo apurado. O advogado Rogério Feitosa, que representa a defesa das enfermeiras, também se posicionou.
Elas são inocentes. Tudo isso vai ser objeto de apuração no inquérito. O delegado foi muito criterioso, soube conduzir os serviços e entendeu por bem apurar isso com mais critério. A defesa vai provar que ambas não tem responsabilidade. Seguiram o protocolo
Rogério Feitosa - Advogado das enfermeiras

Conselho Regional de Enfermagem | Coren-ES) - Nota na íntegra

"O Conselho Regional de Enfermagem do Espírito Santo (Coren-ES) informa que tomou conhecimento, por meio da imprensa, de suposto caso de omissão de socorro envolvendo enfermeiras, ocorrido na última quinta-feira, 14 de agosto de 2025, em um hospital localizado no município de Vila Velha.
 Embora a denúncia não tenha sido formalmente comunicada a esta Autarquia Federal, o Coren-ES, na condição de órgão fiscalizador do exercício profissional da enfermagem no Estado, adotará as medidas cabíveis para apuração dos fatos. Caso sejam comprovadas irregularidades na assistência, será instaurado, por ofício, o procedimento administrativo competente para apuração das responsabilidades.
Cabe ressaltar que a enfermagem exerce papel fundamental na assistência à saúde da população, regida pela Lei nº 7.498/86 e pelo Código de Ética da Enfermagem, que estabelece, entre seus deveres, o exercício profissional pautado pela justiça, compromisso, equidade, resolutividade, dignidade, competência e responsabilidade.
 “O Coren-ES, como Autarquia Federal regulamentada pela Lei nº 5.905/73, mantém seu compromisso de zelar pelo exercício ético e seguro da enfermagem, garantindo à sociedade um serviço de qualidade. Determinaremos a apuração rigorosa do caso, reforçando que situações isoladas não representam a atuação da categoria, reconhecida pelo papel essencial que desempenha em prol da saúde da população”, afirma o presidente do Coren-ES, Dr. Wilton José Patrício.
 Denúncias podem ser registradas diretamente no canal de Ouvidoria do Coren-ES, disponível 24 horas no site www.coren-es.org.br. É fundamental que sejam encaminhadas com o máximo de detalhes possíveis, incluindo nome da unidade, local, data e, se houver, documentos que indiquem indícios ou provas dos fatos relatados."

*Com informações da repórter Priciele Venturini, da TV Gazeta

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