A investigação sobre o ataque ao cão comunitário "Lelê", ocorrido no dia 23 de março deste ano no bairro Jardim Marilândia, em Vila Velha, foi concluída pela Polícia Civil nesta quarta-feira (28). Foi concluído que o agressor utilizou intencionalmente o próprio cachorro como instrumento para ferir o animal comunitário, evidenciando um tipo incomum de maus-tratos — praticado por meio de outro animal. O homem, que não teve nome divulgado, foi indiciado por maus-tratos a animais, o caso segue agora para o Poder Judiciário.
De acordo com o Núcleo de Proteção Animal da Delegacia de Proteção ao Meio Ambiente (DEPMA), o autor do crime, já identificado, soltou o cão de médio porte diante da residência onde "Lelê" descansava, permitindo que o ataque ocorresse. O tutor não tentou evitar a agressão e sequer interveio para separar os animais, apenas puxando seu cão pela guia enquanto o cão querido no bairro ainda era mordido pelo pescoço.
“A conduta do autor, ao tentar cessar as agressões de forma passiva, demonstra o dolo — ou seja, a consciência e a intenção de que seu cachorro ferisse o outro, sem qualquer justificativa. O cão comunitário estava apenas brincando na rua, quieto, no seu canto. Mesmo assim, ele fez questão de caminhar lentamente, sem qualquer iniciativa real para impedir o ataque”, afirmou o delegado Leandro Piquet. A conduta foi classificada como peculiar, por se tratar do uso deliberado de um animal como instrumento de violência, colocando em risco não só a vítima, mas também o próprio cão utilizado no ataque.
Homem é indiciado por maus-tratos a animais por ataque a cão comunitário em Vila Velha
Apesar da brutalidade, "Lelê" sobreviveu aos ferimentos diante cuidados dos próprios moradores da região, que já o alimentavam e zelavam por ele. Segundo relatos compartilhados pelo delegado, o cão tem evitado a rua onde o ataque ocorreu, possivelmente traumatizado.
O caso reforça a importância do engajamento popular na proteção animal. “A denúncia só foi possível graças a testemunhas que presenciaram e ajudaram na identificação do autor. Essa colaboração tem sido fundamental para o crescimento do trabalho da delegacia”, destacou o delegado. Somente neste ano, as denúncias de maus-tratos registraram aumento de 10% em comparação com o mesmo período de 2024.
O inquérito foi encaminhado ao Poder Judiciário para que o responsável responda judicialmente pela infração. Enquanto isso, Lelê continua sendo cuidado pelos moradores o bairro.