A volta às aulas no Centro Municipal de Educação Infantil (Cmei) Ernestina Pessoa, no bairro Parque Moscoso, em Vitória, tem sido marcada pela apreensão de pais e responsáveis. As famílias alegam que a reforma da unidade ainda está em andamento, há estruturas improvisadas e relatos de goteiras que continuam atingindo salas e equipamentos da escola.
Em visita ao local, a reportagem de A Gazeta não conseguiu acessar a área interna da unidade, mas identificou sinais de obras em andamento. Do lado de fora, foi possível observar resíduos de materiais de construção, andaimes e uma passagem feita com chapas de madeirite. Os pais afirmam que a estrutura é uma espécie de túnel para passagem dos alunos e para evitar que as crianças entrem nos espaços que passam por intervenção.
Sobre a estrutura, a Secretaria Municipal de Educação (Seme) informou que se trata de um corredor provisório instalado para isolar a área da obra e permitir a circulação segura de alunos, professores e demais servidores. Segundo a pasta, todas as medidas adotadas seguem critérios técnicos voltados à proteção da comunidade escolar.
De acordo com relatos de pais, a Prefeitura de Vitória aproveitou o período de férias para iniciar reparos no telhado do Cmei. No entanto, a obra não foi concluída antes do fim do recesso. Eles reclamam que os problemas de infiltração existentes na unidade não foram resolvidos.
Segundo as famílias, sempre que chove, a água invade as salas da escola, provocando danos em equipamentos como ventiladores, computadores e luminárias. Além disso, a continuidade dos trabalhos com crianças dentro da unidade tem trazido preocupação com a segurança.
A Seme informou que visa a solucionar justamente os problemas de infiltração provocados pelo desgaste do telhado. Em nota, a secretaria explicou que, por se tratar de um patrimônio tombado, a substituição da cobertura exige técnicas específicas para preservar as características históricas do imóvel, além da utilização de um tipo de telha que demanda um processo de instalação diferenciado.
Uma mãe, que preferiu não se identificar, conta que a expectativa era de encontrar a reforma finalizada.
Estão desfazendo parte do teto da escola com as crianças ainda lá dentro. Os meninos têm contato direto com a poeira. Algumas crianças estão faltando por conta dessa situação
X. Mãe de aluno
Ela afirma ainda que a situação já foi comunicada à prefeitura por meio do serviço 156, mas, até o momento, não houve retorno sobre a previsão de conclusão da obra.
Outra responsável relata que muitas crianças passaram a sair mais cedo da unidade e que as roupas da filha têm voltado mais sujas para casa, o que atribui ao ambiente da escola durante as intervenções.
Medo de acidentes
A preocupação também é compartilhada por Michelly Oliveira, mãe de uma criança matriculada no Cmei. Ela disse que a turma da filha precisou ser transferida para uma outra sala.
A turma da minha filha está tendo atividades numa sala improvisada, geralmente usada para aulas música. É um espaço muito pequeno para uma turma grande. A sorte é que muitas crianças estão faltando. Se não, não daria para comportar todas
Michelly Oliveira, mãe de aluna
Segundo a mãe, trabalhadores permanecem fazendo intervenções no telhado enquanto as aulas acontecem. "Enquanto as crianças estão na escola, os trabalhadores estão lá. Os pais estão muito preocupados porque, enquanto tem obra, tem risco, ainda mais no telhado. A gente fica preocupado de cair alguma coisa e machucar alguma criança", relatou a mãe.
Ela afirma ainda que diversos pais optaram por não levar os filhos à escola desde o retorno das aulas. "Nós temos um grupo de pais e a maioria não está mandando as crianças por conta disso."
Além da preocupação com acidentes, ela cita o excesso de poeira e o barulho provocado pela reforma.
"Não tem mais nem parquinho"
Outra responsável ouvida pela reportagem, Bruna (ela não quis passar o seu sobrenome), que tem uma filha e uma neta matriculadas na unidade, relata que a neta apresentou um quadro semelhante ao de sintomas gripais após o retorno às aulas, acreditando ser devido à poeira.
Ela também cita que os espaços utilizados pelas crianças foram reduzidos durante a reforma. "Agora não tem mais nem parquinho para eles brincarem. Tiraram o pátio também."
Segundo Bruna, até o momento os pais não receberam uma previsão oficial para o término da obra.
Em nota, a Secretaria Municipal de Educação informou que, após a conclusão da substituição do telhado, serão realizados os reparos necessários no forro e uma avaliação dos equipamentos que eventualmente tenham sido afetados pelas infiltrações.
A pasta, no entanto, não informou o prazo para a conclusão da obra. A secretaria acrescentou que, até o fim da tarde de terça-feira (28), havia respondido quatro manifestações registradas por meio do canal 156 (SIC) relacionadas à intervenção no Cmei Ernestina Pessoa.