Familiares e colegas de profissão do motoboy Rômulo Damasceno Garcia dos Santos, de 30 anos, realizaram uma manifestação em frente ao Fórum de Colatina, no Noroeste do Espírito Santo, na tarde desta terça-feira (27). O grupo pediu justiça pela morte do trabalhador, vítima de um acidente envolvendo um carro na BR 259, na altura do bairro Colúmbia, na sexta-feira (23). Rômulo morreu no Hospital Silvio Avidos no sábado (24).
Após o ato em frente ao Fórum, os manifestantes realizaram um cortejo de motocicletas pelas principais vias da região. Carregando balões brancos, alguns participantes empurravam as motos, enquanto outros seguiam pilotando lentamente e buzinando em homenagem a Rômulo e para reforçar o pedido de justiça.
O motorista do carro, Mayco Henriques Discher, de 32 anos, chegou a ser encaminhado ao sistema prisional, mas foi solto na segunda-feira (26), após a expedição de um alvará de soltur decorrente da concessão de liberdade provisória, sem pagamento de fiança. Ele havia sido autuado em flagrante por homicídio culposo e lesão corporal culposa na direção de veículo automotor, além de dirigir sob influência de álcool ou outra substância psicoativa e sem possuir Permissão para Dirigir ou Carteira Nacional de Habilitação (CNH).
A decisão da Justiça provocou indignação entre os colegas de profissão de Rômulo, que participaram da manifestação para cobrar justiça.
"A gente está cansado disso. Queremos justiça porque, se um motoboy é imprudente e acontece alguma coisa, nós somos penalizados", afirma o motoboy João de Lima. "A tristeza é muito grande para nós. É mais um que desce à sepultura, e a gente se sente de pés e mãos atadas".
Segundo Bianca Garcia, esposa da vítima, o objetivo do ato é cobrar respostas sobre o caso. "O que aconteceu foi uma injustiça tremenda. Ele [Mayco] tem que pagar pelo que ele fez. Estamos aqui porque a gente quer uma resposta", afirmou.
Em nota, o Ministério Público do Espírito Santo (MPES) informou que o Promotor de Justiça que atuou na audiência de custódia de Mayco se manifestou favoravelmente à liberdade provisória. Segundo o órgão, não estavam presentes os requisitos legais que autorizam a prisão preventiva, previstos no artigo 312 do Código de Processo Penal.
O MPES destacou ainda que irá analisar os elementos reunidos pela investigação policial, quando concluída, e que a situação prisional do motorista poderá ser reavaliada a depender do resultado das diligências. A Polícia Civil informou que a investigação permanece em andamento.
Além de trabalhar como motoboy, Rômulo também era artífice. Ele deixou dois filhos, de um ano e nove meses e de oito anos. "Isso não pode ficar desse jeito porque nossa família não fica inteira nunca mais", lamenta Bianca. "A gente espera que isso não fique impune e que a justiça pelo Rômulo seja feita".
Acervo familiar