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Família de Guarapari acha perereca translúcida e que brilha no escuro

Na filmagem do bichinho feita pela médica Roberta Couto, é possível ver o coração do anfíbio batendo. Apesar de chamar a atenção e do registro inusitado, um biólogo explicou que não se trata de uma espécie rara

Publicado em 26 de Outubro de 2020 às 13:22

Redação de A Gazeta

Publicado em 

26 out 2020 às 13:22
Guarapari
Por ser transparente é possível ver até os órgãos do minúsculo anfíbio Crédito: Roberta Couto/Internauta
Na noite do dia 7 de maio, a médica Roberta Couto ajudava os filhos nos exercícios escolares quando uma perereca verde, transparente e minúscula apareceu no vidro da parte externa da casa da família, em Guarapari. Começava ali uma aula improvisada de Biologia sobre anfíbios e os estágios evolutivos da espécie.
O bichinho virou atração na casa e, para não perder a oportunidade, ela filmou o anfíbio enquanto as crianças ainda se mostravam surpresos com a visitante inesperada.
"Eu estava acompanhando meus filhos nas atividades de casa e encontramos essa pererequinha no vidro. A gente mora no bairro Nova Guarapari, e próximo daqui tem uma lagoa. Acreditamos que ela tenha vindo de lá. Nunca tínhamos visto nada parecido e ela era muito bonitinha e miudinha, do tamanho da ponta de um dedo. Deu para ver até o coraçãozinho dela batendo porque era transparente. Os meninos ficaram encantados", disse.

PARECE, MAS NÃO É

Mas por que o registro feito ainda em maio veio à tona só agora? Recentemente, enquanto navegava por um site de notícias, a médica especializada em Pneumologia se deparou com uma reportagem sobre uma "perereca de vidro", nome popular da espécie Hyalinobatrachium iaspidiense, um anfíbio descoberto e catalogado em 2002, na cidade de Presidente Figueiredo, no Amazonas.
Guarapari
Ao receber a luz do celular, a perereca brilhou e virou atração na casa da família, em Guarapari Crédito: Roberta Couto/Internauta
Por ser um animal incomum na região e até então não visto, a médica pensou se tratar de uma espécie rara no Estado e enviou as fotos e vídeos para a reportagem de A Gazeta.
Em contato com o setor de Biologia da Universidade Federal do Espírito Santo, o aluno de doutorado em Biologia Animal da Ufes, Iago Ornellas, explicou que apesar das muitas semelhanças físicas, a espécie encontrada por Roberta e os filhos não se trata de uma perereca de vidro.
Segundo ele, esta espécie prefere climas mais frios no Espírito Santo. O exemplar encontrado é uma perereca comum e que pode ser encontrada em diversas regiões do Brasil. Trata-se da espécie Sphaenorhynchus planicola.
"Elas são parecidas e podem facilmente ser confundidas por quem não é da área. A cabeça da perereca de vidro é mais larga, além de outros detalhes anatômicos", salientou o doutorando.

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